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ArquibancadaSergio Brandão

Eu, Poliana?

Vamos apenas brincar de supor que o Coritiba terminasse o ano como campeão da Copa do Brasil, garantido na Série A de 2019, também como campeão, jogando um futebol como há muito não se via? Termina o ano de 2018 fazendo muito dinheiro negociando a preço de ouro muitas de suas revelações da base, destaque durante o ano todo.

Tudo muito fora do planejamento, não é? Quase irreal. Nem o mais otimista Coxa branca, apostaria nisso. Torce por isso, mas não aposta. De fato seria um ano muito fora de tudo que se planejou e passa bem longe do que é possível.

Com os pés no chão, nem coloco isso entre os desejos, claro, mas intimamente é o que neste momento imagino que todos queriam e sonham. Alguns sei que não. Porque torcem por outras coisas dentro do clube, não pelo futebol.

Mas se isso viesse a acontecer, para muita gente acabaria a brincadeira. Acho até que com o excesso de críticas que destila, se tiver um pouco de vergonha, nem comemoraria estas conquistas. Mesmo o torcedor comum, o que torce por melhores dias, mas que tem os pés no chão, ficaria com aquela cara de “é muito pro meu caminhãozinho”.

O problema é que se você olhar à sua volta, neste momento vai encontrar uma categoria de torcedor que temos no Coritiba, se manifestando mais ou menos assim. Apenas para pegar um pequeno exemplo, porque dos grandes ainda estamos mesmo muito longe.

Pega a Copinha, em São Paulo como referência. Depois de quatro partidas, com o Coritiba sub-20 andando na competição, com as calças na mão é verdade, porque é um time totalmente novo, que substitui o time que acaba de se profissionalizar, totalmente renovado, vai se classificando e surpreendendo. Ainda assim, diante destas conquistas, tem gente que prefere o silêncio e em alguns casos até a crítica, do que o elogiar. Porque provavelmente entende o futebol de outra forma. Sem muita paciência para análises mais profundas, não quer saber se é um time novo, uns meninos que saíram agora do sub-17 etc e tal. Mas se fosse o contrário, se o sub -20 tivesse ficado já na primeira fase da Copinha, estes mesmos torcedores já estariam dizendo que “esta é a base do novo presidente, que prometeu investir na categoria". Como está vencendo, escolhe o silêncio e não o elogio. São os insatisfeitos de sempre. Que são os mesmos que se encaixam nas categorias acima, caso um dia o time profissional tome rumo novamente. Nuca estará bom. Nunca o futebol vai lhe proporcionar prazer.

Isto já está enraizado na personalidade, no caráter do individuo. O cara que faz das suas ideias uma luta diária. Briga até sozinho, tomando banho. Levanta e deita destilando tristezas e lamentações, uma verdadeira obsessão. Dá outro rumo ao futebol em sua vida. O que pra maioria é prazeroso, diversão, para ele vira lamentação, e se não tem motivo inventa.

Na “cartilha” que recebi do meu pai, tá lá que o futebol precisa entrar na vida da gente pela porta da frente. É diversão, amor, emoção, tristeza, alegria... e misturado, se bem mexido, dá um caldo e tanto. E parece que o segredo está nisso. Encontrar a medida certa. Achar graça e se divertir por exemplo, com uma garotada que, sem compromisso, vai até São Paulo e numa competição difícil, vai somando vitórias.

Quem sabe o segredo esteja também em acreditar que um novo presidente, mesmo tendo vindo de um sistema viciado, pode ser bem intencionado e fazer um bom trabalho.

A minha 'cartilha" é esta. Não está à venda e nem é imposta a ninguém. Pega e lê quem quer. E sei que por aí, muitas outras iguais ou semelhantes, ditam a regra do comportamento de muitos torcedores, acho até que da maioria. Porque pra mim, se não for assim, não dá. Se futebol é só sofrimento, largo mão. E mesmo assim, se for só sofrimento, arrumo outra ótica e viro o jogo. Sim, alienação pura, se preferir chamar assim. Pelo menos ao futebol dou este tratamento. A vida tem sido muito dura, e só eu sei como. Não perco meu tempo transformando uma das poucas diversões que tenho em tortura.

Curioso e inspirador o comentário feito estes dias por um torcedor Coxa nas redes sociais, se não me engano no Fecebook, dizendo que ... “o torcedor do Coritiba precisa ser estudado”!


Concordo porque acho que somos mesmo peças que poderiam contribuir muito com um laboratório de sociologia.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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