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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Enquanto isso, numa coletiva pela cidade...

Samir ao centro, Paulo Pelaipe à direita do comandante e à esquerda o motivo da reunião, Argel Fucks.

Na apresentação, Argel não foi além do que se esperava. Como todo treinador recém chegado, fez o que todos fazem. Passar a mão na cabeça do elenco e da torcida, para ganhar confiança e com um discurso positivo, enaltecer a história do clube, com um leve escorregão ao se referir ao título brasileiro de 85, não sabendo dizer exatamente a data certa da conquista, embora tenha arriscado traçar o perfil daquele time porque disse que vive futebol 24 horas por dia.

Bastante confortável respondendo sem medo a todas as questões, muitas vezes as mesmas perguntas de uma imprensa sem muita criatividade ou ousadia, o novo treinador pareceu muito à vontade porque sabe que se por acaso a “máquina” andar ou pelo menos ficar minimamente azeitada, já terá feito algo. Se nada conseguir, não será cobrado porque todos sabem o poder de fogo de ambos: do treinador e do próprio time. As cobranças já foram feitas e perdem um pouco de força a partir de agora, porque a própria coletiva foi em tom de última cartada de Samir e seu G5.

Aliás, me parece que se alguém tem algo pra ganhar nesta relação, é o próprio Argel, que se mostrou um pouco deslumbrado ao finalmente conseguir chegar ao Coritiba, segundo ele um sonho e um namoro antigo. Um grande clube, mas agora com um pequeno time para colocar em seu currículo. A varinha de condão que o treinador vai usar também parece ser a aposta dos anteriores que por aqui passaram: acreditar que sob novo comando, aprendam a fazer o que até agora não fizeram. Argel conhece quase todos os atletas que tem para trabalhar e durante a coletiva até se referiu a muitos deles como bons jogadores.

Ao lado de Samir, como disse um amigo, Pelaipe que entrou mudo e saiu calado, com cara de quem não sabia exatamente porque foi chamado para ali estar ou que foi tirado da cama para acompanhar seu comandante e o novo comandado.

Ao centro, Samir que em seu tom professoral, justificou e admitiu erros no departamento de futebol, mas enalteceu seu plano de metas como ajuste nas finanças, a marca própria, reformas no Couto, profissionalismo na base e todo seu histórico de trabalho em 9 meses, que para a torcida de nada vale se não tem time para torcer. Samir não explicou e fugiu das revelações que fez Tcheco ao se despedir como treinador, alegando ambiente pesado, má vontade de alguns atletas e até intromissão no departamento e futebol, de quem não deveria passar a porta do Conselho.

Quanto a Argel, seu naufrágio ou redenção no Coritiba, já poderá ser avaliado, segundo ele mesmo, nas próximas 3 rodadas.

Em outras palavras, com apenas 3 dias para trabalhar, volta dando pulos de alegria se conseguir uma vitória na próxima rodada. O que pode abrir caminho para vencer Juventude e Avaí na sequência. Sonho de recém chegado e pesadelo de uma torcida inteira.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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