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ArquibancadaSergio Brandão

Em ascensão

Uma breve reaparição para festejar com vocês este momento de trégua entre torcida e time. Mas parece que não querem nos deixar em paz nem quando temos resposta de dentro de campo.

Na verdade sabemos que pouca coisa ou quase nada mudou. O time é outro, sem dúvida, tá melhor, parece que já tem um padrão de jogo. Tá mais certinho, alguns parecem ter reaprendido o futebol, mas ainda tá longe do que sempre pede a exigente torcida Coxa. É sempre bom lembrar que o nível do regional é outro. Mas vitória é sempre bem –vinda, sim, seja contra quem for. Neste momento ajuda pelo menos para levantar a moral da tropa. Principalmente assim, com duas goleadas seguidas.

Não tenho conseguido ver o Coritiba, assim como muitos de vocês. Quem não vai ao estádio, não sabe a quantas anda o time. A não ser pelo rádio ou jornal. Aliás, hoje, fontes pra lá de suspeitas, cada vez menos confiáveis.

Mas mesmo assim, quando as coisas vão um pouco melhor, sempre aparece alguém pra estragar tudo. Mesmo com estas duas vitórias convincentes sobre o Cascavel, mas correndo o sério risco de ter tido esta fartura toda de gols, apenas para treino.

Chega a deprimir o mais bem intencionado dos torcedores, toda esta situação criada em torno das finais do Paranaense. Por melhor que seja a intenção, do outro lado, dirigentes parece que fazem força para deixar o torcedor cada vez mais aborrecido e desgostoso com tudo que envolve o futebol.

Quando não é com a qualidade do futebol jogado, é como agora, com a desorganização de um campeonato regional, que seja qual for seu desfecho, já perdeu a graça e será mais um que vai para a história como outros que deixaram marcas aos mais velhos e de boa memória. Como aquele que Paraná e Cascavel dividiram o título estadual, (acho que na época o Paraná ainda era Ferroviário ?) ou aquele outro campeonato, há mais tempo ainda, quando o Atlético foi rebaixado, mas que Coritiba e Ferroviário viraram a mesa e com argumentos pouco convincentes, ressuscitaram o adversário. Isso foi lá pelo fim dos anos 60.

Histórias que não são exclusivas do futebol do Paraná, é verdade, mas do cenário nacional, onde até titulo brasileiro já foi dividido e até hoje ninguém sabe direito quem foi o campeão: Flamengo ou Sport?

Se estas polêmicas fossem levadas à justiça, daria ganho de causa ao torcedor, que paga por um serviço e não o tem, e quando tem, recebe o produto com defeito.

Na verdade os problemas são os mesmos há décadas. Apenas ganharam um tamanho maior, porque o futebol é outro e hoje envolve outros interesses, bem maiores que os daquela época. O futebol ficou caro e agora estas decisões ganham outros nomes e designações. Os personagens também são outros.

Na verdade, a bagunça de agora do Campeonato Paranaense, começou há mais tempo. Dois fatos precisam ser lembrados: as eleições, quando Cury passou a perna em Bacellar e Petraglia, até culminar na declaração de guerra que se transformou o famoso caso do Atletiba do Youtube. Nos bastidores correm interesses muito maiores que o caso do julgamento do atacante do Jotinha - que acabou em rebaixamento. Ou vocês acham que Bacellar e MCP estão tristes com esta confusão toda?

Pra quem como nós, que pagamos para ver apenas futebol, ainda que sua qualidade seja discutível, resta muito pouco ou quase nada a ser feito, a não ser reclamar por estes canais que nos oferecem.

Quem sabe as coisas mudem, quando o bem maior do futebol, o torcedor, não estiver mais interessado neste produto sem nenhuma qualidade que andam nos oferecendo.
Nos vemos por aí!
SAV.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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