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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

É tradição não é moda!

Quando quem erra assume a culpa e diz: “ vamos trabalhar para corrigir”, isso não significa necessariamente que o resultado do trabalho terá sucesso.

Passamos o ano passado admitindo que precisava melhorar e o que vimos foi a queda para a segunda divisão, a desclassificação da Copa do Brasil, terminando o ano com a torcida unanimemente admitindo que 2023 tivemos o pior time de todos os tempos em 114 anos de história.

O novo ano veio cheio de promessas e no entanto, ainda no começo, apenas concluindo o segundo mês de trabalhos, o fracasso trouxe números ainda piores. Um time pouco ou nada eficiente, desclassificado da Copa do Brasil ainda mais cedo, amargando uma série sem vitórias, com derrotas, ainda que pequenas, mas injustificáveis e inadmissíveis.

O histórico de quase duas décadas de insucesso, vai matando o surgimento de novos torcedores e cansando os velhos e fiéis frequentadores das arquibancadas do Couto Pereira.

A sobrevivência esperada com o clube/empresa, começa a colocar fim também ao último fio de esperança de quem votou pelo sim da SAF, mesmo que tenha sido de conhecimento de todos que o processo seria longo e doloroso.

A ideia de que nada seria pior do que já estava, também já vai por terra porque visivelmente os problemas de anos, sequer foram corrigidos. O Coritiba segue fazendo o caminho contrário. Quando sai do lugar, caminha para trás.

A falta de diálogo com o torcedor, por exemplo, está cada vez mais distante do aceitável. Mesmo cansada, a torcida segue sonhando com um clube próximo do seus desejos, enquanto os novos dirigentes vão preparando um Coritiba que nem de longe é o mesmo do seu torcedor.

São dois Coritiba, o da SAF e o da torcida. Um existe, o outro ainda não. Como à só cabe torcer, tenta como último movimento, fazendo valer o jus esperniandi. É o que nos cabe, enquanto houver interesse, nem que seja de voltar a voltar a acreditar num projeto digno do Coritiba.

Torcida e coritiba contam a mesma história de 114 anos.E isso é o que mais importa. Porque não está em questão apenas um clube de futebol. É uma tradição centenária, numa cidade que com suas características criou uma instituição quase com vida própria, que vai muito além de um clube de futebol.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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