E agora?
O encontro do presidente com torcedores, que cobram medidas mais enérgicas me parece mais eficiente. Embora também não acredite que isso, neste momento ajude muito. Pra falar objetivamente. Mais uma vez tudo será empurrado para debaixo do tapete e o encaminhamento de temas sérios, serão protelados.
Esperamos medidas mais enérgicas, que cobrem ou respondam algumas questões ainda obscuras. Na verdade medidas contra ações de desmando a situações que nos levaram a este estado de coisas. Neste momento não acredito que algo ainda possa ser feito. Como disse em texto anterior, joguei a toalha e não vejo outro caminho, que não seja este que tomou, rumo ao rebaixamento.
As coisas precisam ser planejadas para um futuro - mas para alguns anos. Não para agora. Não com esta turma, não com esta administração. Agora, quem sabe o começo do caminho seja responder e concluir por que o Coritiba chegou até aqui, neste estado de pouca luz e de tamanha incompetência, pra não repetir estes mesmos erros mais na frente.
Exemplos que podem parecer pequenos, mas quem sabe expliquem coisas grandes. Por exemplo: como Juninho joga de lateral improvisado e depois de quarto zagueiro no mesmo jogo, tendo saído elogiado pelo treinador, mas na partida seguinte sai do time? Quem sabe se responderem por que Rafhael Lucas vinha bem e como num passe de mágica não é mais o mesmo? Se Kleber, o gladiador, estava machucado, que avaliação foi feita antes de sua contratação? Quem é o culpado? Quem errou? Houve “negociata” na vinda dele? O caso Leo Moura? Mesmo sabendo que a CBF não autorizaria que jogasse pelo Coritiba neste brasileiro, mesmo assim insistiram no assunto. Por pouco não trouxeram o rapaz. Para ser mais um encostado no DM, ou no CT, apenas treinando e ganhando sem trabalhar.
Se o clube vive tantas dificuldades financeiras, para que tanta contratação de jogadores que chegam para não resolver? Que critérios usaram? Quem avalia? Como avalia? Por que determinados jogadores têm cadeira cativa, jogando pouco ou quase nada, e nem de longe se fala em afastamento destas criaturas? Me refiro a quase todos que trouxeram este ano, e muitos que estão na casa há tempos. A lista é grande. E quem acompanha o Coritiba sabe exatamente nome por nome.
Em campo temos apenas o resultado de outros inoperantes que habitam gabinetes, sem vínculo de amor com o Coritiba. Como já disse aqui, somos em campo o resultado da nossa administração.
Senhores, temos todas as respostas para todas estas questões. Eu pessoalmente já me apresentei para o trabalho. Nem nos respondem. Conheço todos os caminhos de cada uma destas perguntas. E por isso, a questão não está em achar respostas, mas de banir do clube este tipo de questionamento. Pra nunca mais ter este tipo de problema. Afastar este tipo de procedimento amador, interesseiro, de uma administração de clube pequeno, de gente que se adona do que não é seu.
Medina, Guerra, Maurício e Pedroso desertaram por conta de tudo isso. Primeiro porque nunca estiveram comprometidos com um Coritiba de fato MAIOR. E depois porque nunca se entenderam e muito provavelmente nem tinham interesse em se entender. Estavam lá por pura vaidade. Ainda não usaram as sandálias da humildade e não conseguem admitir publicamente seus erros e sequer cumprir parte do que prometeram em campanha. Como me disse certa vez o presidente Bacellar, o Coritiba é cheio de ilhas, de interesses pessoais.
Agora, pedir a renúncia da atual diretoria, também não resolve. O Coritiba vive o mesmo problema de 2009, sem que desta vez culpem a torcida pela desastrada invasão de campo, na inesquecível partida contra o Fluminense. Mesmo antes do segundo turno começar neste brasileiro, já sabemos o que nos espera aí pela frente. O Coritiba precisa rever sua identidade. Começar uma nova história, rever seu estatuto, mas sem estes parasitas. Precisa de homens de verdade que coloquem o Coritiba acima de suas vaidades, de seus interesses.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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