Coxa-Negro
Confesso que considero este um dos momentos mais importantes da história do nosso Coxa, nesta sua centenária história. Sim, porque já experimentamos quase todas as alegrias que um clube de futebol pode oferecer ao seu torcedor. De uns anos para cá, vivemos momentos tensos e muito difíceis. A ideia é contribuir, mesmo que apenas escrevendo, mas aplaudindo os acertos e criticando os erros. Acima de tudo, respeitando a inteligência do torcedor. Sejam todos bem-vindos ao blog "Arquibancada"!
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Em 1909 nascia o Coritiba, predestinado a contar uma história como poucos clubes contam no futebol brasileiro.Logo depois da fundação, é chamado de Coxa-branca. O apelido fica. Aliás, ficam as duas denominações. Coritiba, uma homenagem à cidade, obedecendo a grafia da época. O apelido de Coxa-branca foi dado pelos adversários que usaram a denominação para provocar o desfile das onze pernas brancas que defendiam as cores verde e branca.
A ideia era fazer o apelido vingar de forma pejorativa, mas não vingou. Pelo contrário, ganhou o tom carinhoso, usado até hoje. Eram os alemães ou seus filhos, recém chegados a um clube de futebol para começar a contar a história de uma vida que hoje é centenária.
Mais de cem anos depois, a história ganha em riqueza, muda a trajetória do Coritiba. Junto, mudam a cidade e o país - porque as pessoas mudaram.
A história Coxa é contada por muitos brancos: Kruger, Passarinho, Fedato, Miltinho, Kosilek, Nico, Bequinha... Krueger é sem dúvida a unanimidade. O maior ídolo que vestiu o manto sagrado.
Só que no time de alemães, a história das grandes façanhas também teve muitos negros como protagonistas: Nilo convocado para a seleção brasileira que iniciava a preparação para o famoso tri mundial do México, Zé Roberto, autor de jogadas e gols fabulosos, Lela Careta que dispensa comentários, Berto e Jairo...(até um amarelo- Kazu) e porque não, Geraldo, que apesar de não ser um grade craque, carrega a mística de carrasco do adversário. Todos ídolos, alguns tratados como celebridade no clube.
Em qualquer um destes períodos - de brancos e negros jogando juntos ou em times de períodos diferentes - o Coxa sempre precisou do talento, independente da cor. Um time de futebol só se faz com talento. Um, dois, ou até três, mas precisa de pelo menos um para ter o diferencial. E muitos negros cumpriram este papel.
Aliás, são eles que se destacam como os mais talentosos para o futebol, não só no Coritiba, mas no mundo.
Zé Roberto e Jairo, por exemplo, seguramente estariam numa lista dos 10 mais importantes jogadores que ajudaram o Coxa a contar esta história centenária.
Agora, neste brasileiro de 2014 , o clube que nasceu verde e branco, chamado de coxa-branca, aposta mais uma vez no negro, desta vez como salvador. Em pleno Campeonato Brasileiro de 2014 - 105 anos depois da sua criação - o Coritiba seguramente faz uma de suas piores campanhas desde o início da história do campeonato brasileiro.
Joel, um camaronês de 20 anos é a nossa nova aposta. Muito mais que uma aposta, uma esperança. É de Joel que se espera a maior alegria produzida pelo futebol: o GOL, coisa que nos últimos meses desaprendemos. Parece que ninguém mais sabe fazer, nem de pênalti e se duvidar, até sem goleiro.
Seja bem-vindo Joel! Que Deus te ilumine, abençoe seus pés, seus passos e passes. Muita luz para iluminar o caminho que vai te levar aos gols salvadores, para que possamos sair deste inferno que nos meteram.
Que seja você o autor desta façanha. O caminho já está aberto. O primeiro saiu contra a Chapecoense.
Benditos os alemães que baniram o racismo do clube, para que pudéssemos ver a beleza do talento de tantos negros que ajudaram a contar nossa história.
Esteja em casa e fique à vontade para escrever a sua história! Nos devolva a alegria de ver o Coritiba fazendo o que parece que desaprendeu.
Boa sorte, Joel!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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