Coritiba & Kruger
Nenhum ídolo, nenhum homem que vestiu esta camisa, teve tanta unanimidade. Não é de hoje, a humildade sempre foi a marca registrada de Kruger. Como diz um amigo, Kruger só não fez chover enquanto jogou bola. É uma instituição à parte. É um outro nome, um braço do Coritiba, um outro pedaço da história Coxa.
De voz mansa, simples, não carrega a soberba como a maioria dos ídolos. Sempre foi assim, mesmo nos seus melhores dias como jogador.
Ninguém precisa comprar o respeito que tenho por este homem, nem pregar a mesma cartilha, mas no mínimo também respeitá-lo. Kruger se despediu do futebol sendo aplaudido até por adversários.
Já escrevi tantas vocês sobre ele, (pelo menos duas vezes aqui) que a cada uma delas imaginava chegar no limite, e não ter mais o que dizer, mas sempre encontro um caminho novo, porque Kruger tem histórias para um livro. O interminável ídolo do futebol paranaense.
Perto de completar 50 anos de serviços prestados ao Coritiba, diz ele que as oportunidades para sair foram muitas, mas preferiu ficar porque sempre gostou do lugar onde estava. “Não sei viver sem o Coritiba” – diz ele.
Mesmo quando foi chamado para apagar “incêndios”, como treinador- e foram muitas - em todas nos salvou. Com bom senso e o respeito a que me referi, seus diretores na época, lhe devolveram ao cargo anterior, depois do incêndio apagado. Com isso preservaram a imagem do ídolo maior. Nem ele queria ser efetivado como treinador. Me disse uma vez que sentar no banco era um sofrimento diferente, bem mais difícil do que o que sentiu como jogador, nos piores momentos. Certamente porque sabia o que deveria ser feito em campo. Comandar do banco, era pedir demais a quem sabia o que precisava ser feito no gramado. O pedaço do coração que ele tinha para dar em campo, foi como atleta. Mas como bom soldado, se apresentou em todos os momentos.
Não sei se os mais novos conseguem alcançar e entender o tamanho que Kruguer teve para a história do Coiritiba, mas ouso dizer que uma estátua, um busto na frente do estádio, talvez seja pouco. Quem sabe o Coritiba pudesse se chamar em algum momento Coritiba & Kruger Foot Ball Club.
Kruger me deu a honra da convivência durante muitos anos, e isso ainda está vivo entre nós. O momento mágico foi quando conheci o futebol mais de perto, mais apaixonado, quando tinha 9 anos. O “flecha Loira” já era o “cara”, e a convivência com ele era quase que diária. Isso me apresentou ao futebol com entrada pela porta da frente.
Uma bola, uma criança e um ídolo: Coritiba 4x 0 Seleto de Paranaguá. Este foi o placar do jogo, que Kruger presenteou a mim e meu irmão, com a bola do jogo. Ainda autografada por todos os jogadores. Parece mesmo não haver nesta e nas gerações seguintes, torcedores do Coritiba que não tenham uma história para contar, deste craque- cidadão.
Alguns torcedores, os da minha geração, já se colocaram a disposição em ajudar o clube na promoção deste sonho, da justa homenagem ao nosso ídolo maior, mas a iniciativa precisa partir da diretoria.
Faço uso deste espaço mais uma vez tentar iniciar aqui um movimento por uma estátua para Kruger. Que seja exposta no local mais nobre do clube, para que todos vejam e saibam quem foi o nosso maior ídolo.
Que se comemore os 50 anos de trabalhos prestados ao Coritiba, com uma grande festa, uma delas inaugurando esta estátua, para que a história de Kruger seja sempre contada e jamais esquecida.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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