Como o Zé, nunca mais...
Aquelas noitadas pareciam ser a gasolina do craque. Com ele, uma legião de amigos que também secretamente abandonavam as concentrações em nome de uma bagunça que era o combustível para o jogo de logo mais.
Igual ao Zé, nenhum deles. O Gazela era mesmo diferenciado. Não chegou à Seleção Brasileira por uma única razão. Porque como ele havia mais uma meia dúzia e que gozavam das vantagens de vestir a camisa de um clube com mais projeção que o Coritiba.
Como o Zé, outros craques marcaram histórias semelhantes ao passar pelo Coxa, mas acho que nenhum como ele. Pensando bem, talvez tenha sido mesmo o maior craque que vi vestindo a nossa gloriosa camisa.
O futebol mudou, o Coritiba também. Se trouxe coisas boas, também ficou chato. Esta profissionalização trouxe junto uma exigência que se não é a principal, sem dúvida conflita com esta cultura enraizada no futebol, que é esta cruzada contra o “craque da noitada”, que em nenhum lugar do mundo é aceito.
Não há opção: ou são exemplos como Cristiano Ronaldo, que além de craque é bom moço, ou estão fadados à crucificação, caso sejam flagrados em baladas de onde a maioria não consegue sair, e quando flagrados são execrados e expostos como criminosos. Basta uma vez e pronto, em alguns casos a carreira está terminada.
Tá certo que não temos mais nenhum Zé Roberto, que mesmo depois de uma noitada, no dia seguinte dava conta do seu compromisso profissional. Porque Zé era fora de série e que hoje não existe mais no futebol. Nem espaço para isso e nem atletas tão ousados assim. Alguns com a mesma necessidade, mas são obrigados a dar suas escapadas na “moita”.
Mas se ainda tem atleta capaz de fazer a diferença, ou que seja um pouco acima da média, e que gosta de dar umas escapadas, porque o futebol de hoje não permite mais este tipo de comportamento? Provavelmente porque tinha que ser um acima da média, assim Zé Roberto, que fazia chover, além de jogar muita bola, depois de uma noitada daquelas.
Sugiro que relaxem, incorporem o espirito de Evangelino. Isso dá trabalho mesmo. Se for o caso levante, saia de casa e vá pela madrugada atrás dele, e como criança ponha na cama e faça descansar para o compromisso de logo mais.
Só não esqueça de uma coisa, exija resultado. Não como o Zé, porque isso não será possível, mas cobre trabalho. Exija empenho e resultados. Do contrário, mande embora.
Só não deixe de trazer alguém que neste momento pode fazer a diferença e ajudar o Coritiba. Não se deixe levar pelo seu histórico de noitadas. Futebol vai além dos gabinetes, CTs e vestiário. Dá mesmo muito trabalho, Samir.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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