Logo COXAnautas

Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Casamento reatado no sofá

O sofá não é mesmo minha arquibancada. Não há conforto, não há lugar melhor que a arquibancada se o espetáculo é uma partida de futebol. Nada se compara ao cimento gelado, muitas vezes molhado. Nada como o pipoqueiro passando na sua frente, bem na hora do gol, do moleque irrequieto sentado à sua frente.

Futebol sem torcida, sem grito, dos cantos de guerra não é futebol. É como dançar com a irmã, levantar numa segunda-feira no primeiro dia de férias, sem dinheiro no bolso, sem nada pra fazer.

Só podia ser este STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva ) pra inventar uma punição destas. Coisa de quem não gosta de futebol. Coisa de quem nunca viu futebol, com outros olhos, que não seja o da política e dos interesses. Onde já se viu impedir uma torcida de apoiar, de ver o seu time? Se o mundo mudou nos últimos anos, muito mais que num século inteiro, o futebol continua o mesmo desde que foi inventado, e precisa começar sua mudança pelos seus comandantes.

Bendito Henrique Almeida! Não precisa mais nada, a não ser que você possa nos ajudar ainda mais neste restante de campeonato, mas pra mim já deu. Você é o cara!

Junto com a estátua que está para ser levantada para Kruguer, sugiro mais duas no Alto da Glória, mas estas dentro dos gabinetes da diretoria: uma para Henrique Almeida e outra para Pachequinho. Para que estes dois nomes sejam reverenciados por estes dirigentes, a cada início de trabalho, todos os dias. Os dois precisam ser lembrados eternamente por esta diretoria. Pacheco e Henrique, ao lado de Wilson, simbolizam os três únicos acertos de uma série de patetadas e equívocos cometidos o ano todo. Os poucos acertos devem prevalecer, claro, mas que sirvam de lição, que deixem um aprendizado que até agora não sei se nossos dirigentes entenderam.

Ainda nos restam duas rodadas e com o andar dos fatos creio que o sofrimento vai até o fim. Mas agora acredito. Juntei a toalha que andava jogada num canto, retomei os betes e acredito neste novo espírito que se confirma e que ganha um nome: Pachequinho.


O novo Coritiba de Pachequinho que mesmo nos erros de uma escalação como nesta partida contra o Santos, ainda parece ser um predestinado. É o cara que vai tirar o Coritiba desta encrenca. O nome salvador tinha mesmo que ser no diminutivo, do tamanho do problema, que nem era assim tão grave no começo do ano, mas com tantos erros, perderam o controle e transformaram um probleminha num problemão. Foram deixando pra lá, foram se acomodando e quando perceberam, não havia outra solução se não fazer o que todos diziam há meses.

Veio Pachequinho para coroar um ano inesquecível, o pior deles. O ano que nem o mais otimista Coxa-Branca acreditava mais em milagres. Certamente o pior ano desta década onde o clube conseguiu colecionar uma sequência de insucessos, mas que a esta altura, no final do campeonato, parece que ainda terá os bons motivos para achar que pode ser o fechamento de um ciclo negro.

Maior prova disso é a sorte que faltou durante o campeonato todo, além da incompetência, mas que agora sobra sorte e anda nos ajudando. O gol perdido pelo Santos por exemplo, no final do jogo, as bolas na trave de Wilson, dizem isso. Aliás, de Wilson vem a frase que define o novo espírito do time em campo.

O casamento que sempre houve entre o time e torcida parece ter voltado. Disse Wilson depois da partida: “conversamos sobre esta dificuldade (não ter a torcida ao nosso lado) no vestiário e superamos mais este problema. Temos mais duas decisões pela frente”.

Há uns dois meses, a situação de hoje, de jogar sem torcida, seria comemorada pelos jogadores, tamanha era a falta de entendimento entre ambos. O casamento entre torcida e time está reatado.

Agora, já temos tudo para acreditar que sairemos desta. Problemas, causas e responsáveis, devem ficar para uma conversa depois do encerramento do campeonato. O novo espírito de vitória, de mudança que chegou há três rodadas, precisa ser incorporado por todos.

Ainda temos estrada pela frente.

SAV

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (26)
Link copiado para a área de transferência