Cálice sagrado em mãos pagãs
Em 114 anos, perdemos a rédea por incompetência administrativa. Gerimos um clube de futebol em pleno século 21 como uma padaria, já dizia o saudoso presidente Follador, o último e quem sabe o único com competência desta geração contemporânea de presidentes, pós- Evangelino.
Como as previsões não aconteceram pela via sonhada e planejada, ficam as conjecturas de que com ele a coisa teria sido melhor, ou no mínimo teríamos tido mais chance de acerto na escolha, antes de entregar o clube na mão do primeiro candidato que apareceu nos oferecendo dias mais tranquilos e colocando o Curitiba nos trilhos. Não, Curitiba não foi um erro de digitação, foi proposital. Seguramente foi a primeira pergunta que os nossos novos administradores não fizeram quando decidiram fazer esta tentativa de fazer do Coritiba um clube empresa. Uma história centenária escrita com U e com Y. Conhecer as características do clube, sua história, o perfil do seu torcedor, da cidade, talvez fosse o primeiro passo para administrar o Coritiba que seguramente não é uma padaria em Curitiba.
As viúvas de Follador, com todo respeito que merece a família - me refiro a nós, seus eleitores e cabos eleitorais, sobrou uma batata quente, que se olhar para trás, não era tão quente assim. Parece esquentar cada vez mais e queimar como um cálice sagrado na mão de um pagão.
Já há quem na sua inocente conjectura torça para que a Treecorp desista do negócio e nos devolva o clube. Uma situação inimaginável há um ano, quando o grupo chegava e começava o que para muitos era o começo de uma etapa nova e de retorno glorioso do Coritiba ao futebol brasileiro.
Pra não terminar mais um texto me lamentando, quem sabe a máxima de um dia depois do outro, com sinais de recuperação, seja o sentimento mais adequado para o momento. A torcida para que as pataquadas recentes tenham deixado lições e as correções marquem um recomeço mais competente. Oremos!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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