Alex, por Lombardi jr.
Precisaria de muito tempo e espaço para contar apenas as mais marcantes. Se dividir em dois períodos, temos o antes e o depois do jornalismo esportivo. Antes como torcedor enlouquecido, de sair sem voz do estádio, num Coxa e Mogi Mirim, por exemplo.
O jornalismo me acalmou. É a profissão onde não é permitido mostrar tendências. Imparcialidade é regra. É preciso equilíbrio, principalmente no começo. Depois a coisa vai. Com o tempo a gente acaba fazendo muitas amizades em todos os clubes. Fiz grandes amigos no Atlético e Paraná.
Tive o privilégio no meio deste caminho de trabalhar com os maiores nomes da crônica esportiva. Galvão Bueno, Lombardi Jr, Carlos Kleina, Edú Brasil, Mario Jorge Guimarães, Fernando Gomes e Barcimio Sicupira. Todos em tv, mas foi ouvindo rádio que admirei um em especial. Lombardi Jr. que nos deixou há mais de 20 anos.
Muitas histórias, muitas viagens, muita risadas e principalmente muito aprendizado. Lombardi foi uma escola de fazer novos profissionais e novos amigos.
Com Lombardi entendi que era possível olhar o futebol com profissionalismo e também com a paixão de torcedor, desde que na medida certa. O segredo estava na prática e no jeito de fazer. Foi o que fiz. Lombardi foi uma unanimidade entre todas as torcidas, mesmo sendo sabidamente Coxa.
Desde 1994, quando morreu, o rádio paranaense não teve outro igual. Nem Xavier, nem Fernando Cesar, nem Jacir, Marcelo Ortiz, Carneiro Neto, nem Edgar Felipe. Todos estes, mesmo com a qualidade técnica de cada um, nunca terão a intimidade que Lombardi tinha com o microfone. Desde a morte dele, o futebol do Estado parece ter ido junto. Uma morte lenta, que mata aos poucos.
Inexplicavelmente, não sei porque, esta semana fiquei tentando imaginar Lombardi narrando esta despedida de Alex. Certamente faria “estremecer aquele gigante de cimento armado” – bordão por ele usado a cada gol Coxa no Couto.
Ver Alex se despedir com narração de Lombardi, seria uma emoção a mais da que teremos no domingo.
Alex bem que merecia se despedir com algo marcante.Sei que não digo nenhuma novidade, mas vale lembrar mais uma vez que o futebol dele é pra muito mais que manter seu clube do coração na série A. Alex voltou ao Coritiba em hora errada, com o presidente errado.
Mesmo assim, fez do Coritiba o clube mais falado esta semana, mesmo com a campanha absurda que fez. O futebol fica mais interessante quando temos figuras como Alex e Lombardi... ganha em qualidade.
Quem não entende assim, não saberia dizer por que será no Couto que teremos o maior público desta última rodada do brasileiro( com o time da casa jogando sem nenhuma pretensão). Quem sabe o maior público do Coritiba no campeonato e sendo um pouco otimista, um dos maiores de toda a competição. O Sobrenatural de Almeida terá outro nome nesta rodada: chama-se Alex.
A festa será completa. Só vai faltar Lombardi Jr para contar esta história no Rádio.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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