Alex, Coritiba, Vilsão e Ximenes
Como todos, eu também esperava mais de Alex. Lembro que em seus bons tempos de Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro, às vezes alguns especialistas usavam uma expressão para defini-lo em campo. Diziam que Alex era craque quando não estava dormindo. Nesta época parecia mesmo que em alguns momentos Alex sumia durante o jogo. De repente surgia e fazia algo genial. Ultimamente anda apagado e muito lento, mas ninguém rende 100% o tempo todo. Nem você no seu trabalho.
A profissão de jogador de futebol expõe demais o atleta e por isso acaba sendo muito cobrado. Quando o cara ganha o rótulo de craque, a coisa fica mais séria ainda. Estou falando apenas de Alex, e não do resto do elenco do Coritiba que merece outra avaliação, porque passam longe de ter algum talento. Alguns mal conseguem executar os fundamentos do futebol. Mas o problema não é deles, e sim de quem os contratou e também nosso, que torcemos pelo time que estes caras foram contratados para defender.
Voltando a falar dele: nesta volta ao Coritiba, a gente consegue pegar uns dez ou até quinze lances geniais de Alex que nos ajudaram muito, mas o torcedor exige um Alex 100% o tempo todo, porque no futebol a coisa é assim.
Acima de tudo, acho que esta volta foi um grande erro - para os dois lados. Para ele, em fim de carreira, que deixou de ser profissional e optando por jogar no clube do coração, acabou caindo numa fria. Melhor teria sido mesmo se tivesse ido ao Cruzeiro ou Palmeiras. No Cruzeiro certamente seria eleito um dos responsáveis pelos sucessos nestes dois últimos anos.
Para o Coritiba a volta de Alex onerou uma receita que já passava de inadequada, por conta da administração incompetente de Vilson de Andrade.
O Coritiba não é clube para Alex. Os dois estão como o casamento que tenta pela segunda vez, mas que a gente sabe que não vai dar certo. Não foram feitos um para o outro, pelo menos neste momento o Coritiba não é para Alex.
Dele se esperou a salvação em vários momentos, principalmente agora.
Muitos, eu inclusive, achei que Alex seria o cara que colocaria a bola debaixo do braço e chamaria a responsabilidade para si. Não é o perfil dele. Alex é capitão, organizador de time grande, não deste amontoado de jogadores que aos poucos foram se encostando no Coritiba. Alex é jogador acima da média, mas não joga sozinho, futebol é coletivo.
Aos poucos, com o tempo, Alex foi se dando conta da armadilha que se meteu, e com o tempo perdeu o tesão, coisa que aconteceria com qualquer um de nós.
As relações lá dentro são as piores possíveis. Não há ambiente de trabalho sadio. Coisa que contamina e aniquila a produção e rendimento de todos.
Os responsáveis por isso tudo são todos aqueles que se omitiram quando a coisa começou a fugir do controle, inclusive o próprio Alex que se calou e deveria usar a sua liderança para gritar, tornar público os desmandos em tempos de Ximenes, fiel escudeiro de Vilsão. O lançamento do tal “Bom Senso” também foi inoportuno. Todos acharam que suas atenções se voltaram apenas para as negociações do movimento que ele liderou e ainda lidera.
Gosto do Alex, gosto do caráter dele. Falta isso no futebol, principalmente no Coritiba, onde a falta de caráter parece ser a maior consequência do que vive o departamento de futebol.
Gostaria de ver Alex com mais uma chance no Coritiba, com outra administração, disputando a segunda divisão, ajudando o Coritiba a se reerguer, se for o caso.
Por tudo que representou no futebol, Alex merece terminar sua carreira de cabeça erguida.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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