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ArquibancadaSergio Brandão

Agora não, Mosquito!

As portas do Coritiba se abriram, mas já estão se fechando para o atleta Mosquito. Provavelmente mal orientado por seu empresário, o jogador agora tenta dar uma guinada no rumo das negociações de renovação de seu contrato, entrando na Justiça do Trabalho com pedido de rescisão de seu vinculo com o clube.

Sem entrar no mérito do justo ou não. Da qualidade ou não de Mosquito, do merecimento ou não que o jogador possa ter, seu pedido primeiro invalida toda a primeira tentativa de acerto que havia entre empresários e clube. Agora, parece restar apenas a justiça como meio para solução do impasse.

Creio que nesta relação profissional, precisa haver entre as partes bom senso. O jogador me parece precipitado e mal orientado, decidindo, na minha opinião, pelo errado, pelo menos neste momento, o mais importante de sua carreira. Justo agora, quando as atenções deveriam ser nestes primeiros passos como atleta profissional, a cabeça de Mosquito foi feita pensando em “se dar bem”, já neste primeiro contrato como profissional.

Prevalece a ganância e não a preocupação com o desenvolvimento profissional do jogador. Atitude que pode ser relevada se a gente levar em conta que se trata de um menino de 20 anos, ainda sem maturidade para decidir sozinho o que é bom ou ruim para sua profissão.

Sim, Mosquito revela no mínimo imaturidade, não conseguindo dimensionar o tamanho do problema que cria para ele mesmo a partir de agora. Além da antipatia com a torcida do Coritiba, tanto ele como seus assessores são personagens que serão levados em conta por qualquer clube que possa se interessar pelo menino daqui pra frente. Pior que tudo isso é a possibilidade de ficar sem jogar quase o ano todo.

Você começa mal a sua carreira, Mosquito. Neste momento é preciso ser inteligente e pensar no seu futuro. Olhar pra frente e colocar na balança prós e contras. Até porque, você até agora não é nada mais do que um jogador ainda em formção, nada mais que uma promessa. E você sabe que a maioria fica pelo meio do caminho.

É preciso primeiro a vitrine que você despreza neste momento, para depois exigir alguma coisa. Caso esta história termine bem, tanto para você como para o Coritiba e lá na frente cheguem a um acordo, parece que seu caminho não deve ser o Alto da Glória.

Se assim for, será preciso cumprir um contrato pelo menos até setembro, quando a temporada estará entrando na reta final e você não terá jogado sequer uma partida como profissional. Estará em total inatividade durante quase todo o ano de 2018.

Quer um conselho? Procura os dirigentes do Coritiba e muda o rumo desta história. Tenta chegar a um acordo, um meio termo que agrade a você e ao Clube e fica aí, jogando pelo menos até setembro. Mesmo assim, você ainda terá que ser bem convincente a uma parcela da torcida que já te colocou na cruz. Dê um jeito de ganhar novamente a simpatia de alguns torcedores, se é que você pretende jogar este ano.

Parece mais inteligente manter a forma jogando, do que apenas treinando. Assim, você também se coloca na vitrine de novo. Por enquanto, o que você tem é mais um problema: ganhou a antipatia de alguns torcedores. Mesmo que a maioria, ou uma grande parte acredite que nesta relação deva prevalecer apenas a questão profissional e não a paixão que é apenas coisa de torcedor. Mesmo que queiram apenas o seu futebol, e de preferência com qualidade. Mesmo assim você terá que agora ser mais convincente do que foi até aqui.

Sabe-se muito bem como são as coisas neste mundo do futebol. Vocês atletas e clubes precisam mesmo manter a relação profissional. Ao torcedor sobra sempre a paixão, a inocência de achar que um dia alguém vista a camisa do seu clube por amor, como muitos um dia fizeram e que poucos ainda fazem.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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