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ArquibancadaSergio Brandão

A festa não é só de Alex...

Parecia uma procissão, uma romaria louvando seu último santo feito em casa. Uma multidão se juntou hoje cedo para iniciar formalmente a despedida de Alex. Parecia se fechar num grande abraço ao Couto. Para alguns, a espera na fila passou de duas horas. Só pra chegar na bilheteria e garantir a entrada para se despedir do menino de ouro.

Isso tudo dá um misto de nó na garganta, porque é um adeus, mas de orgulho por pensar que o futebol, apesar de tudo, ainda move paixões, capaz de criar uma situação inusitada como esta. Se não é isto, então me diz como explicar um estádio cheio, com mais de 30 mil pessoas, para uma partida que não vale absolutamente nada para esta torcida?

Só mesmo gente assim, como ele, que fez do futebol uma ferramenta de trabalho e de dignidade, de respeito pelos companheiros, pelo torcedor, e de amor por um clube de futebol.

É preciso parar e pensar melhor nesta comoção envolvendo a despedida de Alex. Não se trata de mais uma despedida do futebol. E não é porque se trata dele, Alex, mas parece dizer algo a mais. No mínimo deve fazer a gente pensar em tudo que envolve esta história, nos últimos meses, especialmente o ano de 2014, no Alto da Glória.

Muito provavelmente o sofrimento vivido por todos até domingo passado, explique um pouco disso tudo. Quem sabe seja a festa de final de ano que a torcida alviverde precisava fazer. Porque o ano foi brutal e impiedoso com todos nós.

Nos restou apenas a última partida para respirar aliviados, e nos juntar com o maior número possível de amigos- também sofredores- e ainda ganhar de presente uma festa de despedida de um dos maiores ídolos produzidos pela casa.

A festa é merecida. Por nós e por Alex. Merecemos nos confraternizar, nos abraçarmos, chorar e lamentar o fim da carreira profissional de um ídolo.

A mobilização da torcida Coxa hoje cedo, formando uma enorme fila em torno do Couto Pereira, é algo que há anos não se via no futebol do Paraná. Há muito tempo não via tamanha mobilização em torno de algo assim tão grandioso, que acabou se transformando esta partida entre Coritiba e Bahia.

Fica claro que não é só de Alex que a torcida se despede. Parece indicar que a festa também é para comemorar o fim de um período de vacas magras, de tanto sofrimento por anos seguidos.

A festa de Alex também deve ser um marco para um novo Coritiba.

Por um Coxa maior.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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