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ArquibancadaSergio Brandão

A arbitragem tá de lascar, viu!

Há tempos temos uma unanimidade no futebol: a ARBITRAGEM. Melhor, a qualidade dela que anda passando do limite tolerável, longe do que exige a própria FIFA , CBF, clubes e atletas. Ninguém está satisfeito. Dia destes ouvi o próprio presidente da CBF, José M. Marim admitir que algo precisa ser feito.

Me parece que tudo seria diferente e mais compreensível aos olhos do torcedor, se no mínimo houvesse boa vontade das duas entidades em resolver o problema crônico no mundo todo. FIFA E CBF cobram, mas ainda fazem muito pouco para tentar melhorar o nível do “apito”. Não há hoje uma arbitragem livre de questionamentos. O problema é do futebol, onde tiver uma bola rolando e alguém com o poder do apito.

A Copa do Mundo nos mostrou isso – o que na verdade foi um alento, porque até então eu imaginava que éramos os únicos “ruins de apito”. Imagino que parte de todo o dinheiro que entra nas duas entidades (FIFA e CBF) poderia finalmente ser investido também na preparação dos árbitros. E o problema principal passa pela profissionalização. Cada vez mais o futebol se profissionaliza, mas a arbitragem não.

O árbitro de futebol ainda é o bancário, o policial, o vendedor, o comerciante, o dentista... o árbitro ainda é o cara que gosta de futebol e arrumou um quebra-galho para compor a renda familiar. Ainda é permitido que ele apite e viva profissionalmente em outra área. Existem algumas exceções, mas a grande maioria vive assim.

Enquanto FIFA E CBF não saírem do discurso, teremos arbitragens ruins, comprometedoras ao próprio trabalho profissional que se faz em alguns clubes, irritando atletas, dirigentes e torcedores. Enquanto o árbitro for a figura que apenas pune, e continuar errando grosseiramente, será o cara antipático e que muitas vezes vai mais atrapalhar do que ajudar.

É preciso fazer esta turma estudar, treinar, se especializar, só que pra isso vão ter que meter a mão no bolso e investir dinheiro. Dinheiro que anda sobrando dentro da FIFA e CBF e faltando nos clubes. Enquanto isso não acontece,teremos espetáculos comprometidos, com cenas como a que vimos recentemente, com o Coritiba sendo desclassificado da Copa do Brasil, por erros e despreparo da arbitragem.

O mundo do futebol ainda caminha por via suspeita e a arbitragem é um dos principais personagens.

Na Copa do Mundo, por exemplo, logo nas duas primeiras rodadas, com poucas partidas, já era possível apontar cinco erros imperdoáveis.

A teimosia em não ceder aos avanços que a tecnologia oferece, parece ter outros interesses. Não é de hoje que o vôlei, o tênis, o turfe e o atletismo usam a tecnologia, e que ajuda na evolução destas modalidades.

A FIFA ofereceu como novidade na Copa, o recurso da linha do gol, que é alguma coisa, mas ainda acho pouco. O futebol é outro, ficou rápido, o mundo mudou, só a FIFA que não.

Se cedem nesta questão, por que não fazer a coisa por inteiro, em outros vários pontos polêmicos, como exige o futebol moderno? Não há novidade no que digo. O tema é pra lá de batido, mas os últimos erros chamam novamente a velha questão e a Fifa faz o que quer e a CBF diz, sim senhora, dona FIFA.

O presidente do Coritiba, depois de anunciar uma representação contra a arbitragem de Flamengo e Coritiba, sem que ainda seja possível entender, agora passa a mão na cabeça de quem o prejudicou e faz ponderações pra lá de generosas dizendo: sim senhora, dona CBF. Parece que adotou a conversa do “ veja bem, não é bem assim...”

Ou isso é combatido de verdade, ou quem sabe teremos problemas mais sérios pela frente.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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