Um baixinho de futebol gigante
O COXAnautas relembra a passagem marcante de Marcos Aurélio no Coritiba.
Naquela temporada o atacante baixinho e ligeiro não demorou muito pra provar para a torcida que ele seria uma peça crucial dentro do elenco, mostrando habilidade técnica, bom arremate a gol, além de um hábito que todo torcedor Coxa Branca adora, marcar gols em atleTIBAS. No primeiro deles, aquele da famosa capa da tribuna “De 4”, deixou o seu de pênalti, e por pouco não fez mais gols.
Mas o momento mais marcante de Marcos Aurélio em clássicos naquele ano ainda estava por vir. Era dia 25/10, um domingo de sol em Curitiba. AtleTIBA decisivo num Couto Pereira lotado, no mês de comemoração do centenário. O clássico foi eletrizante, com os dois times atacando bastante e o placar marcando 2 x 2 ao final do segundo tempo.
O jogo se encaminhava para o empate, resultado que complicaria a vida das duas equipes, quando na última volta do relógio, aos 47 minutos do segundo tempo, o árbitro Paulo Cesar de Oliveira marca uma falta no flanco direito de ataque do Coritiba. Era um mini escanteio e parecia não existir outra alternativa a não ser fazer aquele chuveirinho no rebolo. Marcelinho Paraíba se ofereceu para cobrar o tiro livre, e, na cobrança, surpreendeu a todos rolando a bola para a entrada da grande área em vez de cruzar, numa jogada sensacional, ensaiada com Marcos Aurélio, que, ao receber a bola, desferiu um arremate fulminante no ângulo esquerdo da meta de Gallato, sacramentando a apoteótica vitória e fazendo o Couto Pereira explodir de emoção. Marcos Aurélio acompanhou o torcedor vibrando de maneira insana, e fazendo gestos provocativos aos jogadores rivais, como se estes tivessem queimado a língua.
Ao final daquele ano, Marcos Aurélio fez parte de um grupo de jogadores honrosos, que mostraram abnegação e fidelidade ao clube, optando por permanecer para disputar uma temporada complicadíssima em 2010, num dos momentos mais delicados da história do clube e com uma dura pena de jogos fora do Curitiba a ser cumprida.
Naquele ano, o baixinho logo de cara foi fundamental para conduzir uma equipe flagelada ao espetacular título paranaense sobre o freguês rubro negro, para variar, com direito a um golaço na grande final após linda tabela com Rafinha, seguido minutos mais tarde pelo gol do angolano Geraldo que garantiu a taça para o Alviverde.
Ainda em 2010, Marcos Aurélio anotou tentos importantíssimos na série B, entre eles um gol espetacular, de cobertura, na partida contra o Duque de Caxias, que selou o acesso do Coritiba à série A, e sacramentou o processo de recuperação do clube.
Àquela altura, o baixinho Marcos Aurélio já havia se tornado um ídolo Coxa Branca, porém o ano seguinte reservaria a ele realizações ainda maiores. Em 2011, o atacante teve grande importância na inesquecível equipe que foi bicampeã paranaense, conseguiu a incrível marca de 24 vitórias seguidas, chegou à final da Copa do Brasil, e, por pouco, não se classificou para a Libertadores da América, mas teve o prazer de presenciar o rebaixamento do rival na última partida da temporada. Naquele ano, Marcos Aurélio disputou 53 partidas e marcou 20 gols.
Ao todo, Marcos Aurélio contabiliza 138 partidas e 38 gols com a camisa do Coritiba, incluindo mais uma passagem do atleta no Verdão em 2015, que, embora mais apagada, contribuiu de certa forma para a manutenção da equipe na série A daquela temporada.
Além do Coritiba, Marcos Aurélio também teve destaque com a camisa do Santos em 2007 e do Sport em 2013. Passou ainda por Internacional, Bahia, Bragantino, CRB, Ceará, Luverdense, Brasiliense e Botafogo-PB onde disputou três temporadas já no último terço de sua carreira.
Agora, já veterano e com 38 anos, Marcos Aurélio ainda está em plena atividade como atleta profissional, disputando a série A2 do Paulistão pela equipe do Taubaté, onde participou até agora de 7 jogos e marcou 1 gol.
Marcos Aurélio certamente ficará marcado na memória do torcedor Coxa Branca, pelos gols decisivos, pelas cobranças de falta primorosas, pelos títulos, mas, principalmente, por ter honrado sobremaneira o manto alviverde enquanto aqui esteve.
