EDITORIAL
Saída de Carpegiani expõe amadorismo e graves problemas de gestão na condução do Coritiba
Na verdade ele não faz nenhuma revelação que acrescente um fato novo a tudo que a torcida toda já sabe há muito tempo.
Aliás, sobre Carpegiani a grande surpresa está na desaprovação da demissão do treinador, anunciada pela diretoria na segunda-feira. Não será surpresa, se fizerem uma consulta a torcida e a grande maioria preferir a saída do presidente e seus diretores e não a do treinador. Parecido com este caso, só mesmo outro fato, também ocorrido no Coritiba, quando a torcida em coro pediu : "fica Abel, fora Jacob Mehl"! Isso já faz muitos anos e nada mudou.
Não é preciso entender de futebol para compreender tudo isso. Basta acompanhar o Coritiba há algum tempo para concluir que o problema do clube não era o treinador e nenhum outro nome, seja de peso ou não, mudará o rumo das coisas no Coritiba.
O problema está, como todos sabem, nos homens que habitam os gabinetes do Alto da Glória. Senhores do conselho, dirigentes, empresários que se camuflam atrás de cargos, levando o Coritiba cada vez mais para perto de um abismo que pode não ter volta. E isso está cada vez mais perto de acontecer.
Desmandos, falta de autoridade, interesses pessoais, vaidades, se somam a outros problemas comuns ao mundo do futebol e colocam o Coritiba como uma locomotiva sem freio, rumo a um desastre que só mais adiante saberemos o tamanho do prejuízo.
Os avisos de quem está do lado de fora já são dados há muito tempo. Neste momento nos parece não ter mesmo mais o que salve o clube de um fim trágico, tamanha a desorganização e a situação de quase descontrole que se instalou na administração do clube.
A situação é tão grave que as recusas aos convites de trabalho no Coritiba, são constantes, algumas não são divulgadas para preservar o nome de seus comandantes.
Os primeiros sinais estão na debanda de alguns atletas- que nem são assim grandes coisas- mas que preferiram sair. Alguns preferiram ficar sem emprego, do que trabalhar no Coritiba. Outros convites foram recusados e nem chegaram a ser divulgados.
O Coxa é hoje “final de linha” de jogadores de terceiro escalão, recusados nos clubes mais organizados e de melhor situação. O que dá certo aqui (se der), terá sido por pura sorte. A sorte que ainda não teve com nenhuma contratação nos últimos anos. Pra não ser tão rigoroso, digamos que Kleber foi o último acerto. De resto, o Coritiba não tem 11 jogadores que possam ser considerados sequer de qualidade média. Todos, ou em fim de carreira, tentando dar o último suspiro. Caso de Berola, Henrique Almeida e Anderson, pra não falar da qualidade abaixo da crítica de Filigrana, todo o meio de campo e defesa.
Se alguém mais criterioso decidir afastar atletas por deficiência técnica, não haverá 11 jogadores para começar uma partida.
A saída de Carpegiani não mudará absolutamente nada dentro do Coritiba. No máximo, mexe com os brios de alguns atletas, mas isso certamente logo volta ao normal.
O problema do Coritiba está em sua forma de administrar e nos seus gestores.
O Coritiba parece um bom livro que chega ao epílogo.
