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COXAnautas

Por trás da Notícia

Explica, mas não justifica

24/11/2009 10h56
Leonardo Lovo

 / Foto: SXC.hu/Bob Smith


Antes de entrar no tema deste post, queria pedir desculpas aos leitores pela demora em vir dar uma satisfação com relação à minha saída da "posição" de editor do site COXAnautas, a qual ocupei durante mais de um ano, com muito orgulho, desde a saída do amigo e "tutor" Luiz Carlos Betenheuser Jr, por quem nutro grande admiração.

Novos compromissos profissionais vêm demandando muito do meu tempo, razão pela qual achei prudente deixar alguém com mais gás, ânimo renovado e plenas condições técnicas conduzir esse espaço tão importante. Tenho certeza de que o amigo Gibran Mendes vem fazendo um grande trabalho e tem tudo para ser um grande referencial aqui no site. Sigo por aqui, mas agora apenas como colaborador.



Complementando, digo que ainda não sei se manterei o nome do blog, penso em talvez mudar o enfoque, mas por ora - e especificamente neste post - vou usá-lo para falar mesmo de bastidores. Coisas que acontecem por trás da notícia - pelas costas da torcida, nesse caso -, efetivamente.



Amigos, o que dizer de um time de futebol cujos jogadores têm seus salários pagos com atraso e jogam de forma displicente, dando espaços para o adversário e deixando-se abater com facilidade?

Ao saber que o time não recebeu e entrou em campo com isso em mente, eu diria que explica muita coisa, mas obviamente não justifica, sobretudo se lhes tivesse sido prometido que receberiam em breve. Tudo bem que palavra de muito dirigente por aí pouco ou nada vale, mas deixar um time com uma torcida como a do Coritiba cair por conta de "birra" ou de um mês de salário é um pouco demais, na minha concepção.

Este é um lado da moeda.

O outro é a irresponsabilidade dessa diretoria do Coritiba, que vem contraindo obrigações financeiras de alta monta e não consegue manter um time razoavelmente coeso dentro de campo. Ninguém mais se entende. É treinador reclamando de jogadores, jogadores dando desculpas e diretor de futebol jogando a culpa no treinador. Tudo isso a duas rodadas do fim do campeonato. Inadmissível!

Tão inadmissível quanto deixar os salários atrasarem a duas rodadas do fim de um campeonato como esse. Se acharam que escapariam antes, erraram feio no planejamento e não contaram com o favorecimento aos cariocas. Aliás, estes estão fazendo de tudo para não caírem por mais um ano, já que entra campeonato, sai campeonato, sempre tem algum indo ou querendo ir pra Série B. E olha que fazem de tudo para ajudá-los... as campanhas "Fogão Esperança" e "Fluzão Esperança" seguem de vento em popa, com todo mundo doando seus pontinhos. Que o Coritiba não seja mais um a fazê-lo no fim do campeonato.

O leitor há de pensar: "Meu Deus, mas só tem notícia ruim!". Olha, até tem uma boa, mas ela é seguida de outra ruim: dizem que os salários foram pagos nesta noite de segunda-feira, 23. A parte ruim é que isso foi feito mediante mais um empréstimo junto ao BMG, que pelo jeito está perto de se tornar dono do clube.

Fico em dúvida: o que é pior? Vender a alma a um banco ou cair pra Série B de novo e arriscar nunca mais voltar, do jeito que estão as coisas? Enquanto isso dezenas (talvez centenas) de funcionários ganham salários que nenhum trabalhador brasileiro ganha para "trabalhar" meio período ou terceirizar funções. E o pior é que ainda tem premiações atrasadas...

Deixo a pergunta para você, leitor. Fique à vontade para respondê-la usando o espaço dos comentários ou o e-mail que está aí na coluna do lado direito.

Que Deus e a Torcida salvem o Coritiba.

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O angolano Geraldo

28/10/2009 11h44
Leonardo Lovo

 / Foto: Leonardo Ribas Lovo


Acompanhei no site hoje a matéria sobre a liberação do visto de trabalho e publicação da reversão de contrato amador para profissional do jovem Geraldo (foto) no BID (o nome é Hermenegildo da Costa Paulo Bartolomeu).

A informação foi originalmente veiculada pela Gazeta do Povo, destacando ainda que o jogador pode estrear graças a uma regra prevista no Regulamento Geral de Competições. Aquele mesmo que foi violentado pela CBF para permitir que jogadores do Coritiba que tinham pré-contratos com Santos e São Paulo pudessem ir pros times paulistas (para relembrar, clique aqui).

O Coritiba disse que fez uma consulta à CBF para saber se a regra é válida (ou se, de repente, pode ser alterada de acordo com o humor do Ricardo Teixeira, decerto), e se receber o aval, poderá deixar Geraldo à disposição de Ney Franco, podendo estrear ainda neste Brasileiro.

Vi nos comentários muita gente perguntando do jogador. Acompanhei algumas atividades no CT das quais ele participou, enquanto ainda estava podendo cobrir os treinos (no momento, atividades profissionais me impedem). Inclusive estava lá no dia em que o jovem angolano iniciou os trabalhos no clube.

Nas poucas vezes em que pude vê-lo, pareceu ter qualidade, raciocínio rápido e bom domínio de bola, principalmente se considerada a pouca idade (17 anos). Comparado ao paraguaio Segovia, que já foi dispensado, posso afirmar categoricamente que tem muito mais potencial. Esse, inclusive, nunca me pareceu ter qualidade para jogar no Coritiba, pouco mostrando nos treinos que acompanhei.

Enfim, caso seja positiva a resposta da CBF para permitir que Geraldo estreie, talvez seja interessante começar a deixá-lo no banco colocá-lo em alguns jogos, quando a situação assim permitir. Mas desde que o contrato profissional proteja o jogador, com uma multa bem alta e sem cláusulas "esquisitas", até porque o Coxa só tem 30% dos direitos econômicos e, em caso de uma "venda", que seja por um bom valor.



Para ler outras notícias sobre Geraldo, clique nos links abaixo:

Cônsul de Luanda fala sobre angolano Geraldo

Reservas empatam jogo-treino contra o Trieste no CT

Jogo treino no CT termina com goleada sobre o JEC

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Opção

20/10/2009 00h32
Leonardo Lovo

 / Foto: SXC.hu/Steve Woods


Peço desculpas aos amigos leitores pela ausência prolongada neste espaço. Compromissos profissionais vêm se acumulando e mesmo para as matérias do site tem me sobrado pouco tempo. Fui cobrado pela falta de alusão ao Centenário por aqui, mas tenham certeza que o fiz através das próprias matérias do site e acredito também que fui bem representado pelos amigos colunistas que expuseram brilhantemente o sentimento de ser torcedor do centenário Coritiba Foot Ball Club.

Esclarecimentos feitos, esse post serve apenas para ressaltar aquilo que todo mundo já sabe com relação ao jogo de domingo, além de explicar algo que o site fez de forma inédita: pela primeira vez publicamos uma enquete na qual as respostas disponíveis apontam a única opção que se pode vislumbrar no clássico: vitória.

Pode não parecer adequado para um site com a credibilidade do COXAnautas, porém é mais sério do que se imagina. Esta enquete reflete o sentimento da torcida coritibana, que não cogita qualquer outro resultado. No domingo, empate é derrota e derrota é catástrofe.

No clássico AtleTiba do próximo domingo, 25, às 16h, no Alto da Glória, mais do que três pontos, a honra, a mística e tudo que se pode esperar de um jogo dessa magnitude estarão em disputa. Aliás, dentro daquelas quatro linhas lendárias do Estádio Couto Pereira estará em jogo mais do que as palavras podem explicar ou descrever.

Por isso a opção para domingo é uma só! Tão única, quanto insofismável: a vitória!

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Exemplo de comprometimento

30/09/2009 11h30
Leonardo Lovo

 / Foto: Bruno Massinham


A imagem acima, de autoria do amigo Bruno Massinham, resume muita coisa. Trata-se de um homem que se transforma num leão dentro de campo, um verdadeiro guerreiro lutando para defender seu território e empurrar seu grupo adiante, mostrando uma garra fora do comum.

Sempre fui admirador de jogadores com a entrega que demonstra o LEÃOdro Donizete, mesmo os que não tinham a técnica que ele costuma demonstrar com a bola nos pés (apesar de jogar de forma simples e objetiva).

Dito isto, acho importante destacar a diferença de caráter desse atleta em relação a alguns outros que vemos e vimos passar pelo Coritiba, compartilhando a memória de uma ocasião em que o entrevistei no CT da Graciosa, após um treino. Humilde, até um pouco tímido, Leandro é aquele jogador de fala curta, mas sem discursos ensaiados.

Na ocasião ele ainda não tinha renovado com o Verdão, e fiz a pergunta sobre o tema já meio ressabiado com a resposta que poderia vir, principalmente pelos maus exemplos de outros atletas em suas declarações evasivas quando perguntados neste sentido.

Porém, ao contrário desses, Leandro deu um exemplo de comprometimento e respeito à camisa Coxa-Branca. Suas declarações foram categóricas: "Espero dar conta do recado, fazer meu nome e uma história boa aqui. Vamos ver se a gente renova por mais uns dois anos pra ficar tudo bem". Nada de "rodeios" ou "meias-palavras". Direto ao ponto, Leandro falou que queria ficar. E ficou.

Palavra dita, palavra cumprida, e poucos dias depois o clube anunciou a renovação até 31 de dezembro de 2011, com os dirigentes elogiando a boa orientação do atleta também por parte de seu empresário, Edson Kodhor.

Apesar de, em uma entrevista mais recente, uma repórter ter afirmado que a torcida não o chama de ídolo (clique aqui e confira o final do áudio para ouvir a pergunta), pra mim o Leandro é ídolo sim. Sou fã do seu futebol e acredito que grande parte da torcida também é. No último jogo, teve seu nome gritado em coro, o que espero que se repita várias e várias vezes. Nada mais justo que o reconhecimento a esse exemplo de comprometimento e caráter.

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A dispensa de Germán Segovia

28/09/2009 12h41
Leonardo Lovo

 A última foto de Germán no arquivo do site CXn / Foto: Leonardo Ribas Lovo

A última foto de Germán no arquivo do site CXn


Em maio o Coritiba publicou em seu site oficial a chegada de um jovem paraguaio para ser avaliado pelo departamento de futebol, o meia-direita Germán Segovia Riquelme (foto). Neste domingo, 27, o site oficial publicou a dispensa do jogador, alegando simplesmente ter se tratado de "decisão da comissão técnica". Nos bastidores, contudo, especula-se que as dificuldades para regularizar a situação do atleta e o fato de ele jamais ter se destacado nos treinos foram os principais motivos.

Vi alguns comentários na matéria que anunciou a dispensa do jogador, criticando o fato de o clube ter anunciado o atleta quando ele estaria apenas sob avaliação.

Concordo apenas em parte, discordando veementemente em um aspecto.

É absolutamente impossível que o clube "esconda" ou "deixe de anunciar" qualquer jogador que esteja em testes, pelo simples fato de que a imprensa comparece uma ou duas vezes por semana aos treinos do clube. Se qualquer jogador diferente é notado, as informações vão ser as mais diversas possíveis, falando que o Coxa "tem reforço não anunciado" e por aí afora.

Por isso é necessário que o clube divulgue que o jogador está lá e o que está fazendo (no caso, testes). Foi o que fizeram com o Segovia, bem como com o angolano Geraldo, que parece ter agradado mais e segue no clube, aguardando completar a maioridade para assinar contrato profissional.

Por outro lado - e aí está a parte em que concordo - a matéria de apresentação do atleta no próprio site do clube tornou inevitável a expectativa exacerbada da torcida. A exaltação aos resultados do jogador nas seleções de base do Paraguai - aliada às buscas dos torcedores nos sempre exagerados vídeos pela internet - fizeram com que a torcida ficasse aguardando ansiosamente a regularização e a estreia do atleta, que jamais aconteceram.

Graças a isso, semana após semana os torcedores perguntavam a respeito de Germán, com a reportagem do site sempre correndo atrás das informações e trazendo detalhes sobre sua situação (clique para conferir as matérias a respeito) e como ela "evoluía". A primeira "furada" já veio poucos dias depois do anúncio, com a confirmação de que um dos tais feitos do jogador - no caso a artilharia do Mundial Sub-20 -, que houveram sido divulgados pelo clube, era inverídica.

No fim das contas o jogador sequer teve contrato registrado junto à CBF, tornando-se mais um que sequer entra em campo com a camisa alviverde. Os departamentos de futebol e de comunicação "erraram na mão" na forma como anunciaram o jogador, criando desgaste e desconfiança totalmente desnecessários junto à torcida. Que fique a lição.

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'A mais importante das coisas menos importantes'

11/09/2009 12h24
Leonardo Lovo

É assim que o futebol é visto por muita gente. Aliás, quanto mais velho se fica, a tendência de se analisar o esporte assim vai ficando maior. Quando o cara vira político, então, fica ainda mais difícil levar a sério aquela paixão que tanta gente tem pelo futebol.

Pode não parecer à primeira vista, mas esse ditado expressa o porquê de a justiça desportiva de futebol do Brasil ser como é: contraditória, subjetiva e subserviente a interesses escusos. Basta ver que as punições mais severas são aplicadas em escala inversamente proporcional ao "tamanho" do time. Quanto menor, maiores as penas, e vice-versa.

Estive na segunda-feira passada em uma audiência pública na sede da OAB do Paraná, aqui em Curitiba, cujo tema era a reforma do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que traz as regras de organização e disciplina do esporte em geral.

Sou advogado, mas não fui em tal condição. Fui como torcedor, como editor deste site, como alguém (ainda) idealista que não vê na justiça desportiva um filão para ganhar dinheiro, mas sim um esgoto pútrido onde alguns oportunistas aproveitam para brincar de serem juízes ou promotores, nas controversas figuras do auditor e do procurador, respectivamente.

A estrutura atual da justiça desportiva do Brasil é uma piada. Pode servir para esportes que não envolvam tanto dinheiro e interesse, mas jamais para o futebol. Explico: a justiça desportiva, ao contrário do Poder Judiciário, é privada, e não estatal. É mantida pelas federações e confederações. Não existe concurso público, não existe remuneração (pelo menos não formalmente). Ou seja, quem está lá é tão voluntário quanto nós do site COXAnautas, com a diferença que mexem com interesses relacionados a milhões de reais (principalmente no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, já que nos TJDs dos estados a realidade é realmente mais humilde) e sem a mesma responsabilidade que, modéstia à parte, nos norteia.

Voltando à audiência pública, na ocasião me manifestei publicamente levando as sugestões que tinha a apresentar. Falei sobre a falta de previsão do instituto da suspeição* no CBJD, de concurso público, de remuneração, comentei que os debates estavam sendo muito focados nas medidas disciplinares, ignorando as regras de organização.

Após minhas considerações, o auditor do STJD Alexandre Hellender Quadros, paranaense e torcedor do time da Baixada, comentou brevemente minha exposição, dizendo que para aplicar as mudanças que eu sugeria era preciso alterar a Lei Pelé, não apenas o CBJD - que é um regulamento do Conselho Nacional do Esporte voltado a trazer as disposições específicas previstas na Lei Federal; coisas de legisladores, enfim. O auditor, contudo, não comentou o que eu falei sobre vontade política para realizar tais alterações, limitando-se a impor um empecilho para elas.

Depois do Alexandre, o procurador-geral do STJD Paulo Schmitt falou também que as questões do concurso público e da remuneração se aplicariam no "mundo ideal", mas eram impossíveis dentro da atual realidade da justiça desportiva (Nota do Editor: pobre CBF, não tem dinheiro para reorganizar a justiça desportiva, nem poder político para promover as necessárias mudanças; seria isso ou falta de vontade de moralizar o esporte fora das quatro linhas?). Curiosamente Schmitt, que também é torcedor do A. Paranaense, não comentou o que eu falei sobre suspeição.

Nesta quinta-feira, lendo notícias sobre esporte, tive a confirmação do motivo que o levou a não fazê-lo. A ausência de previsão da suspeição permite que se mantenha o protecionismo dos auditores/procuradores-torcedores, coberto sob o manto da subjetividade das decisões, que variam muito de critérios de uma Comissão Disciplinar para a outra. O julgamento do Coritiba ignorando ausência de relato em súmula contraposto com a eventual denúncia do A. Paranaense estritamente baseada na súmula mostra isso.

Seguirei sendo um crítico dessa estrutura falida da "justiça" desportiva (permitam-me as aspas). Tentei fazer a minha parte, mas fui até criticado por colegas de profissão naquela noite, na OAB. Essencialmente aqueles que vivem desse ramo, e não enxergam que mudanças em direção a uma maior segurança jurídica seria boa até para os advogados. É uma pena.



* Suspeição – Situação, expressa em lei, que impede os juízes, representantes do Ministério Público, advogados, serventuários ou qualquer outro auxiliar da Justiça de, em certos casos, funcionarem no processo em que ela ocorra, em face da dúvida de que não possam exercer suas funções com a imparcialidade ou independência que lhes competem.

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A democracia da informação

21/08/2009 22h23
Leonardo Lovo

Um pequeno debate que se iniciou na matéria dos relacionados para o jogo contra o Santo André, em especial o comentário do torcedor Ri Coxa, que transcrevo abaixo, fez com que eu viesse escrever este post, que tem a intenção de explicar algumas situações relacionadas à cobertura do clube pelo site COXAnautas.

Ri Coxa (comentário)
Seria bom se tivéssemos informações sobre o desempenho de jogadores nos treinamentos. Estas informações viriam de pessoas aqui do COXAnautas que porventura têm acesso ao Clube.
Se tivéssemos mais este tipo de informação, teríamos uma resposta para, por exemplo, a convocação do Rodrigo Pontes e a não convocação do Willian para o próximo jogo.
Saudações Alviverdes, Richardson.


Inicialmente, é importante destacar que o Coritiba - como a maioria dos clubes - adota a metodologia de "janelas" para a imprensa, permitindo que os repórteres tenham acesso aos treinamentos apenas em dias específicos. Na atual sequência de jogos, aliás, o time mal tem tempo para treinar, já que passa mais tempo em aeroportos e concentrações do que em campo, então são poucos os dias em que o grupo principal treina. Nesta semana foram apenas duas vezes, como mostra a programação do clube, que pode ser vista clicando aqui.

Muitas vezes são trabalhos recreativos - como o de hoje -, realizados porque a comissão técnica quer poupar um pouco os jogadores pelo desgaste. Tudo feito com o controle e levantamento científico do Dr. Raul Osiecki, fisiologista, e do chefe da preparação física, Professor Glydiston Ananias, duas pessoas que tenho em alta conta dentro do clube.

Dessa forma, pouco se observa dos treinos especificamente. Geralmente só a formação e os detalhes dos jogadores vetados etc. Avaliar quem foi bem ou quem foi mal já é difícil num jogo. Em um treino, então, que é parado a todo instante para orientações, fica ainda mais complicado. Até porque os repórteres não ficam o tempo todo vendo o treino, mas colhendo outras informações também com a assessoria de imprensa do clube.

Quanto ao acesso, apenas uma pessoa do site costuma comparecer aos treinos e coletivas, que atualmente sou eu. Não é essa "festa da uva" que muita gente pensa, que é só chegar e ir entrando. Eventualmente o Ricardo Zanoncini, que é cinegrafista, colabora indo até o CT ou o Couto para colher imagens em vídeo, mas a falta de apoio tem prejudicado os projetos que temos para ampliar a cobertura. Muita coisa poderia ser feita e melhorada, e temos essa vontade, mas somos todos voluntários e, portanto, temos nossas limitações.

Já no que se refere pontualmente ao questionamento do Richarson - quanto ao Rodrigo Pontes ter sido relacionado em detrimento do Willian -, acho que é bem simples: o Pontes é mais experiente e tem uma certa ascensão sobre o grupo. O Willian é raçudo, mas não tem um bom passe, além de ser jovem e pouco experiente. Não é nenhum craque que demande tanto clamor pela presença dele, na minha opinião. Trata-se de opção do técnico que, diga-se, acabou de chegar. Creio que seria o caso de o pessoal dar uma aliviada nas cornetas e deixar o cara ter ao menos um tempo para trabalhar.

A democracia é uma das maiores conquistas da humanidade. Mas o abuso dessa liberalidade se torna banalização da opinião. Em função disso nós do site procuramos tanto levar a melhor informação, em tempo real, para a torcida Coxa-Branca. Justamente para evitar más interpretações, brados injustificados e efetivamente dizer para os torcedores aquilo que eles querem saber. É a nossa missão. Torcedor bem informado é torcedor consciente e atuante.

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Erros x erros

10/08/2009 15h11
Leonardo Lovo

 / Foto:


Lendo os comentários da matéria na qual foram destacados os "erros" (pra mim "metida de mão" mesmo) de Paulo César de Oliveira na derrota Coxa para o Cruzeiro em casa, noto que muita gente mistura as coisas e ignora aspectos muito importantes.

Os erros da diretoria, do time e do treinador são evidentes. Não podem ser escondidos ou retirados de foco, por isso vão ao ar matérias falando disso. Avaliação do jogo, coletivas de imprensa com as declarações/desculpas de cada um e tudo mais.

Esses erros, porém, assim como não podem ser escondidos, não podem esconder outros, tão preocupantes quanto, e que têm contribuído com a derrocada do Coritiba. Não se deve dizer que são preponderantes, mas os "erros" de arbitragem devem sim ser destacados.

A diretoria já não faz nada, não fala nada, não age e não se insurge. A CBF faz o Coritiba de gato e sapato, a Conaf - Comissão de Arbitragem - escala os maiores ladrões pros jogos do Coxa, eles nos roubam em pleno Couto Pereira e ninguém fala nada. A grande mídia, é óbvio, ignora solenemente, à exceção de um ou outro mais esclarecido, como o blogueiro Mauro Cezar Pereira, destacado na própria matéria.

O que resta? A torcida. Ou restava, já que, irritados com o mau desempenho do time - evidente que com razão, isso não se questiona - muitos torcedores preferem ignorar a roubalheira que a arbitragem vem promovendo. Acho que não é por aí. Se não tivermos mais nem a torcida tentando defender o clube e seus interesses, nada mais restará ao Coritiba.

Só para complementar, o lance do pênalti do Cruzeiro foi uma vergonha. Um despautério. Jogadores do Coxa podem tomar a mesma atitude que o cruzeirense (largar a jogada e olhar pro juiz) 1000 vezes nos próximos 100 jogos e nenhum pênalti será marcado. Foi uma verdadeira barbaridade a marcação do pênalti. Ali o juiz acabou com o jogo, já que o Coxa estava bem e poderia até ganhar, mas acabou sucumbindo, até pelo mau momento.

Repito: essa colocação da arbitragem em nada - absolutamente NADA - justifica o mau rendimento, os salários atrasados, os erros de gestão, os erros de escalação, a crise financeira. Mas jamais deve ser ignorada. Sobretudo por nós, torcedores. Se os diretores não defendem o Coxa, ao menos a nós cabe fazê-lo.

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Sobre a matéria da crise financeira

06/08/2009 21h14
Leonardo Lovo

 / Foto:


Como tem muitas coisas, inclusive de bastidores, que não ficam totalmente esclarecidas quando se publica uma notícia, e sendo esta a função primordial deste blog, gostaria de compartilhar com os leitores e amigos coritibanos algumas curiosidades e detalhes importantes com relação à notícia sobre os problemas financeiros do Coritiba.

A informação de que os salários estavam atrasados e que a gestão financeira do clube estava em situação difícil já vinha circulando, mas não tínhamos confirmação do clube nem provas suficientes.

Dessa forma, começamos a correr atrás e checar com várias fontes. Quando várias delas começaram a confirmar a mesma informação, buscamos o posicionamento oficial do clube. Isso aconteceu ainda na manhã de segunda-feira, 3 de agosto, um dia depois da derrota para o Atlético Mineiro.

Liguei para o Chico Araújo, tido como diretor financeiro do clube, perguntando-lhe sobre salários e outros detalhes das finanças do Coxa. Mostrando uma certa perplexidade, o diretor me perguntou quem era a minha fonte e, obviamente, eu disse que a resguardaria, usufruindo do direito constitucional de sigilo de fonte (artigo 5º, inciso XIV da Constituição Federal).

O Chico me pediu que lhe passasse as perguntas por e-mail - o que fiz no mesmo dia (confira mais abaixo neste post as perguntas, que não foram especificamente respondidas) -, dizendo que me responderia quando chegasse ao clube, depois das 17h daquele dia.

Como não recebi nada, novamente liguei pra ele na manhã de terça e ele me disse que havia passado as perguntas para o Flávio Kitzig, coordenador do Projeto Vencer. Liguei para o Flávio, que não me garantiu resposta para o mesmo dia. A matéria estava pronta para ir ao ar, esperando apenas a posição do clube, e, até aquele momento, os salários de junho não estavam integralmente pagos (apenas 30% havia sido pago).

Eis que na quarta-feira, dia do jogo contra o Santos, e após as perguntas do site terem circulado por dentro do clube - o Flávio disse que todos os dirigentes "dariam pitacos" na resposta - os salários dos jogadores foram pagos. Muitos funcionários, porém, ainda estão sem receber o salário de junho, enquanto o de julho vence amanhã (sexta).

Coincidência ou não, recebi a resposta com a posição do clube através do Flávio às 14h58 de quarta, cujo teor consta integralmente da matéria original, na parte de baixo dela.

Na resposta, um texto falando genericamente sobre a dificuldade financeira e cobranças à torcida. Já as respostas para as perguntas que todos os Coxas-Brancas gostariam de fazer não foram apresentadas. Veja abaixo a íntegra do e-mail que enviei para o Chico Araújo ainda na segunda-feira, compare com a resposta do clube e tire suas próprias conclusões, amigo Coxa-Branca.



Estou entrando em contato em atenção ao que conversamos por telefone buscando algumas informações para elaboração de uma matéria para o site COXAnautas. Abaixo seguem as perguntas, conforme solicitado:

1) Qual é a situação financeira do Coritiba hoje, considerando os balancetes dos últimos períodos?

2) Quando será feita a prestação de contas de cada trimestre deste ano de 2009?

3) O clube está em débito com funcionários e/ou atletas? Se sim, a que períodos se referem os eventuais atrasos?

4) Têm sido feitos empréstimos em instituições financeiras? Em que valores?

5) O clube tem se socorrido de investidores, cedendo parte dos direitos econômicos de atletas em troca de dinheiro?

6) Qual o passivo trabalhista do clube, consideradas as condenações transitadas em julgado e/ou acordos trabalhistas?

7) As rendas de jogos têm sofrido penhoras?

8) Algum patrimônio físico do clube está penhorado?

Agradeço a atenção e aguardo as respostas para que integrem a publicação do material, que deve ir ao ar nesta noite de segunda-feira ou na manhã de terça.

Att,
Leonardo Lovo
COXAnautas

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Estatuto: o assunto da vez

04/08/2009 01h04
Leonardo Lovo

 / Foto: Coritiba Foot Ball Club



A vinda à tona da informação de que o Presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba, Tico Fontoura indeferiu um pedido formulado por 20 sócios que desejavam a convocação de uma Assembleia Geral visando debater o estatuto do clube fez eclodir uma série de manifestações de torcedores que - assim como eu - vêm na reforma do estatuto um caminho imprescindível para o crescimento do clube. Um exemplo é a bela coluna do amigo Percy.

Baseado numa estrutura arcaica, paternalista - por que não dizer até "coronelista"? - antidemocrática e caótica, o atual estatuto do Coritiba contraria tudo que vem ao encontro dos anseios de uma administração profissional.

Pois bem, os sócios que formularam o pedido em questão se basearam no artigo 144 do atual estatuto, cuja redação dispõe: "Este Estatuto Social será alterado por exigência legal, ou por proposta de, no mínimo, 20 (vinte) associados". Exigência cumprida, o próximo passo, de acordo com o próprio estatuto, seria o encaminhamento a uma Comissão Legislativa para parecer técnico, o que não ocorreu.

O pedido, na verdade, "morreu na casca", sendo indeferido de pronto pelo presidente da mesa, que entendeu não haver proposta de alteração, conforme previsto na regra. Ainda que assim fosse, o pedido de convocação de Assembleia Geral para discussão do tema deveria ter sido apreciado, mas não foi.

Vê-se uma falta de vontade política nesse episódio. Com o comodismo e o óbice à democracia imperando - a começar pela supressão do sócio estatutário, com direito a voto, além da edição de um plano de fidelização sem prerrogativa social - volta-se à estaca zero e o Coxa segue nesse marasmo administrativo, que reflete inevitavelmente em campo.

Sem organização, sem receitas. Sem receitas, sem bola. Não foge disso.



Obs.: Ainda sobre o tema, indico o post do amigo Luiz Betenheuser no blog A Torcida que Nunca Abandona. Lá ele esmiuça ainda mais a questão.

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