Gibran Mendes

O novo Papa é argentino. Jorge Mario Bergoglio carrega agora consigo o nome de Francisco. Deixou de lado a ostentação histórica dos pontífices para encaminhar a Igreja Católica para um período de reflexão sabática.
Mas, este texto nada tem com o novo Papa Francisco. Mas sim com Francisco I. Este, o Chico, é curitibano, tem lá seus 30 e poucos anos, empresário e Coxa desde pequeno.
Mas se o I não acompanha o seu nome, assim como a grafia correta do novo nome do Papa ítalo-argentino também não, por que então primeiro? Porque é o primeiro Paraná e também em casa.
Francisco é casado com Carina, que apesar de escolher um marido gente fina, optou pelo time errado. Portanto, Torcedora do Atlético, a esposa do Chico tem que aguentar já faz quatro anos a faixa de Francisco I.
Explico: embora o AtleTiba do casal fosse pacífico e muitas vezes até oculto, em 04 de maio de 2008, com o gol santo de Henrique Dias, o Coritiba foi novamente campeão dentro do Joaquim Américo. Francisco I retirou sua faixa do pescoço, assim como faz o Papa em seus atos litúrgicos, e a estendeu na sala. Como uma encíclica cravou: "Esta faixa só sai daqui quando o Coxa deixar de ser campeão paranaense".

Desde então a faixa de Francisco I, que é trocada anualmente, descansa graciosamente na sala de casa. Como se estivesse na Praça São Pedro, no Vaticano.
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Gibran Mendes

Pedrinho era daquele tipo de aluno exemplar, sabe? Pai e mãe nunca precisaram pedir um boletim da escola. Chegava ostentando aquela lista que mais parecia conferência de notas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Um dez atrás do outro. Sempre foi assim. Da alfabetização até o segundo grau. Inclusive, passou em vestibulares concorridos ainda no segundo ano, quando fez apenas para teste.
Mas eis que o dia chegou. Pedrinho, que já não era mais tão "inho", foi fazer sua prova. Disputaria a vaga que queria na faculdade que queria. Ninguém tinha a menor dúvida que conseguiria. Os pais foram buscá-lo na saída da prova, prontos para comemorar. Já tinham escolhido até o restaurante. No entanto, o menino voltou meio encabulado, talvez meio perdido, sem saber o que dizer. Desconfiados, os progenitores, perguntaram: "E aí Pedrinho, como foi?". Deu branco, respondeu o menino.
Pedrinho que era Coxa, naquele dia não quis mais saber do branco, a exceção de quando vinha acompanhado do verde. Assim eu me sinto olhando a camisa do Coritiba. Não sei, ao certo, os termos do acordo com a Pro Tork, mas ao que tudo indica, ela não é a patrocinadora "master", uma vez que a parte de trás da camisa continua em branco.
Comentou-se que o Coritiba negociava com a Caixa Econômica Federal, banco público, assim como o fizeram Atlético Paranaense, Avaí, Figueirense e estavam na fila outros clubes, assim como o nosso Coxa. Contudo, a ação de um advogado gaúcho que impediu a ação de patrocínio - o que é muito justo, diga-se de passagem - deve ter dificultado todas as negociações em andamento, assim como a do Coritiba.
Hoje, temos, além de uma gestão que indiscutivelmente melhorou os resultados dentro de campo e a imagem do Coritiba, isto é um fato. No departamento de marketing, agora transformado em diretoria de marketing e negócios, um profissional renomado. Paulo César Verardi, apesar de uma passagem pelo freguês Alviverde, passou por Grêmio e outras empresas, como a própria Umbro. Portanto, nada mais justo que imaginar que trata-se de um profissional competente.
E agora chegou a hora de mostrar a competência. O Coritiba, como já dito anteriormente, teve um choque de gestão (NE: Tá, odeio este termo, mas era necessário) nos últimos anos. Vejamos: hoje temos uma estrela internacional em nosso elenco, mais verbas e até mais exposição na mídia nacional. Duas finais consecutivas da Copa do Brasil chamaram a atenção da grande mídia. Quem diria que um amistoso do Coritiba seria transmitido pelo Sportv, não só para todo o Brasil, como para outros países?
Estamos fechando o primeiro trimestre e apesar de bons acordos, como o da Pro Tork que auxiliará na conclusão da reta da Mauá, continuamos aguardando para saber quem será nosso patrocinador Master. Portanto, ficamos nós e o Pedrinho, longe do branco na camisa do Coxa, pelo menos na parte dos patrocínios e em vestibulares.
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Gibran Mendes

Para a maioria das pessoas as lembranças das peladas na rua, no campinho mais próximo ou até mesmo no corredor de casa ilustram os takes que compõem o filme Da nossa vida.
Neste ponto fui um privilegiado. Joguei bola, dos sete aos dezessete anos praticamente todos os dias. Tinha um campo pequeno a uma quadra de distância de casa, outro médio que somava mais duas ou no máximo três pequenas quadras. Ainda, ao lado do campo pequeno, um ginásio fechado no qual chegamos a jogar até às 2h da manhã. Deste tempo ficaram os amigos e as boas lembranças.
Contudo, não vem desta época o drible mais bonito que levei em toda a minha vida. Veio agora, dias atrás, mesmo com as chuteiras já penduras. No lance, esplêndido, Alex dominou a bola e a conduziu meio desajeitado, como o andar de Dustin Hoffman em Perdidos na Noite. Ao abrir seu espaço no meio dos adversários, como fez Marlon Brando em Apocalipse Now, preparou o tiro, como tantas vezes fez Django no sucesso recente de Quentin Tarantino. E foi, justamente neste momento, com 30 anos de vida que levei o drible mais bonito de minha vida, assim como Manoel levou, contra Geraldo.
Não sei se por idiotice minha, genialidade de Alex ou por ambos os motivos, levei o olhar ao canto esquerdo da trave, procurando o trajeto da bola. Confesso, acompanhei o goleiro, ou ele me acompanhou, enquanto do outro lado, silenciosa e obediente a bola buscava o caminho o seu destino, como fizeram Peter Fonda e Denis Hopper em Easy Rider.
O Coritiba venceu por 1x0 e levou o título simbólico do 1º turno. Mais do que isso, vai consolidando a hegemonia no futebol estadual - e até por isso precisa ser uma fase superada - com representativos números. E quanto ao Alex, muito obrigado pelo drible mais bonito que levei na minha vida.
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Gibran Mendes

No dia 7 de dezembro de 2009 explodi com uma pessoa em meu trabalho em virtude do rebaixamento do Coxa. Mas muito mais que o rebaixamento, o que machucava-me profundamente eram as cenas de violência que presenciei e fui exposto, bem como o futuro incerto do clube que amo. Perdi a linha e a cabeça, culpa minha e tão somente minha, embora uma história pregressa existisse naquele caso.
Pois bem, depois deste fato passei a ignorar algumas discussões, inclusive, deixei quieto durante algum tempo brincadeiras com a trágica selvageria que ocorreu no Couto Pereira naquele 6 de dezembro. Mas, embora o fato fosse sendo esquecido, volta e meia alguém lembrava do tema com tom jocoso. Passei, então, a responder de forma grosseira propositalmente. Não era possível que continuassem generalizando uma torcida, que durante 100 anos foi exemplo de festas pacíficas, como violenta por causa de uma dúzia. "Trata-se de má fé cínica ou burrice córnea", pensava, lembrando do senador Roberto Requião.
Agora, com críticas bem mais amenas da grande imprensa, o Corinthians, clube com segunda maior torcida e crescimento vertiginoso nos últimos anos, vê-se na mesma situações. Pessoas sem o menor entendimento da gravidade do fato, de suas conseqûencias e das responsabilidades dos envolvidos, continuam atuando como juízes, soberanos, do alto de suas togas fictícias. A exclusão do time do Parque São Jorge da competição, dizem, é o mínimo que pedem. Enquanto isso outros, que pediam o mesmo do Coritiba em 2009, sequer tocam no assunto da regra específica para competições da Comebol que poderia excluir o time paulista da Libertadores.
É óbvio que não torço para o Corinthians, muito pelo contrário. Mas querer impor para uma instituição centenária uma pena, da qual, ela é vítima só pode ser má fé cínica ou burrice córnea, assim como foi com o Coxa em 2009. O caminho, seja qual for o ator, é a investigação e punição das pessoas envolvidas, seja por não garantir segurança no campo de jogo ou por ser o autor do ato de violência.
Não acredito que uma punição deste patamar possa atingir o Corinthians. Inclusive torço para que isso não ocorra, pois quero vê-los perder na bola e não no tapetão. Mas torço, sim, para que os responsáveis sejam identificados e julgados pela justiça boliviana, de preferência, olho a olho com os pais de uma criança de 14 anos que perdeu sua vida sem direito a defesa num local que deveria ser de festa e amor, não de morte e violência.
Vale lembrar, que em ambos os casos, existem figuras mais poderosas envolvidas no episódio. No caso do Coxa, a ameaça informal de invasão que correu na boca de torcedores durante toda a semana que precedeu o jogo e resultou em um número muito abaixo do esperado de seguranças após as ameaças. No caso do Corinthians, amizade de comentaristas esportivos e dirigentes do clube com suspeitos do crime.
Assim, infelizmente, não consigo acreditar em mudanças a curto prazo enquanto instituições centenárias continuarem servindo como escudo para que pessoas cometam erros e crimes. Simples e triste assim.
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Gibran Mendes

Quem não gosta de um prosador eloquente? Daqueles que encantam platéias, pequenos e grandes grupos? Todo mundo conhece um. Seja pela TV, por palestras ou até mesmo nas rodas de amigos. Mas mais importante que saber falar, é saber ouvir. Tão importante quanto ouvir, é respeitar o que se escuta. Talvez, este último, seja o mais raro adjetivos dos citados.
Li, no Facebook do meu amigo Betinho, orgulhoso cachoeirense e encabulado flamenguista, uma história em relata a sua ida para a Universidade de Cedar Falls, em Iowa, no EUA. Ele disse ter ficado fascinar ao ver duas palestras no auditório da instituição de ensino em dias seguintes, com pontos de vista completamente antagônicos. Em ambas, segundo Betinho, os contrários as suas convicções ouviram tudo e saíram calados. "Uma aula magna sobre liberdade de expressão e captei o real significado do termo Universidade", disse o capixaba.
Logo em seguida vi comentários sobre o nosso Coxa com uma caça aos "cornetas" após a vitória por 7x0 sobre o Rio Branco de Paranaguá. Muitos deles, ao invés de aproveitarem para curtir a melhor apresentação Alviverde do ano, colocavam suas energias para falar dos "cornetas sumidos". Ora, somos todos Coxas, não?
Sempre deixei claro que como mero torcedor estou muito feliz com a administração do presidente Vilson. Basta lembrar onde estávamos dois anos e alguns meses atrás. Ou ainda recordar como uma direção pegou um time na Série A, com suas dívidas controladas e o entregou na Série B com a saúde financeira dilacerada. Mas nada impede de que outros torcedores não tenham a mesma opinião do que a minha e nem por isso são mais ou menos Coxa do que eu.
Críticas sempre devem ser bem encaradas, mesmo aquelas que não gostamos ou que achamos que são mal colocadas. Quem não lembra da figura do grilo falante? O tagarela amigo do Pinóquio sempre o chamava atenção para o outro lado?Até mesmo torcedores que vão ao estádio e ficam pegando no pé de jogadores durante o jogo gritando "Ei, número quatro, você é muito ruim" pois sequer sabem o nome do zagueiro central. Neste caso, como diria minha falecida e Alviverde avó Fumia, "Dios mío, Dios mío, perdónalo porque no sabe lo que habla".
A contrariedade nos faz crescer e observar o que estamos fazendo errado e buscar melhorar o que já está bom. Assim funcionamos. O que precisamos mesmo aprender é a respeitar a opinião de terceiros.
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Gibran Mendes

Me parece, cada vez mais óbvio, que o Coritiba é um time de médio porte no cenário nacional. Já escrevi sobre isso, algumas vezes, aqui neste espaço. Se ele é enorme, a ponto de não caber em nossos corações, também deixa a desejar quando se aproxima de outras fronteiras que vão além do nosso amor por ele.
Aqui, cabe frisar, nenhum demérito. Apenas um ponto de conhecimento para possamos saber o que esperar e o que não esperar dele, afinal de contas, com ou sem títulos ele continuará para sempre sendo o nosso Coxa. A década de 90 que o diga.
Sempre fui um defensor dos campeonatos estaduais, sobretudo, por observar este status de clube médio que teria neste falido modelo de competição a chance mais próxima de levantar um caneco. Tanto assim o é que estamos anos luz na frente dos nossos rivais do Estado e hoje lutamos, novamente, por um tetra campeonato estadual.
Mas uma cena, logo no início do PR 12 me fez mudar de ideia. A jovem promessa Coxa, Raphael Lucas, sofreu um carga desnecessária do zagueiro do Operário de Ponta Grossa e contundiu gravemente seu joelho e ficará meses parado. Se não bastasse, o carro que serve como maca para retirar os atletas de campo não funcionou e o jogador foi transportado à moda antiga.
Neste momento me veio a seguinte indagação: "E se fosse o Alex?". Desde então passei a me questionar sobre a real importância do Campeonato Paranaense para o Coritiba. Caso fosse nosso camisa 10, que logo no início do ano tivesse sofrido uma contusão besta em um jogo que nada significa, o ano para o Coritiba teria acabado sem nem começar. A exposição, as verbas publicitárias, a expectativa da torcida, tudo isso ficaria sepultado no Germano Kruger.
Jogadores como Alex, Emerson, Rafinha, Botinelli, Leandro Almeida, entre outros, não apenas valem muito dinheiro, como custam muito dinheiro para o clube. Expor estes jogadores a situações de risco como jogar com zagueiros que tem um calendário garantido de apenas três meses e em campos sem condições é temerário. Mas que outra opção há para os próprios, direção e comissão técnica?
Soma-se a isto ao fato de uma federação sem nenhuma representatividade política e técnica, que perdida, não sabe quais interesses atender. Presa, pelos votos, a maioria dos pequenos clubes do interior que perderam suas tradições para transformarem-se em legendas de empresários. Um presidente, que dispensa apresentações por conta das recentes trapalhadas que cometeu como no caso do Major Antônio Couto Pereira.
Dito isto tudo, não saberia afirmar se realmente encerrar o campeonato estadual é a melhor solução. Mas sem dúvida, com a fórmula de disputa atual não é. Pois ela apenas sobrecarrega os clubes da capital que investem muito dinheiro em seus elencos para privelegiar clubes de aluguel que garantem ao mandatário da Federação sua reeleição.
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Gibran Mendes

Alguns anos atrás ouvi uma afirmação, quase que misteriosa e cheia de dúvidas: “Você sabia que o Petraglia tem um irmão Coxa”?. A frase do meu interlocutor me confundiu. Não sabia ao certo se ele estava afirmando, perguntando ou mesmo esperando uma confirmação de minha parte.
Aos poucos, volta e meia, este assunto surgia em conversas informais ou até mesmo nas redes sociais. Mas a curiosidade ficou. Afinal de contas o atual presidente do rival atende pelo sobrenome e o deixou como uma marca registrada do time da baixada.
Dias atrás recebi o contato de um amigo, informando que tinha estabelecido contato com José Aníbal Petraglia, irmão de Mário Celso. Este amigo disse que tratava-se de uma pessoa extremamente acessível e perguntou se eu não gostaria de uma entrevista.
Pauta dada, pauta cumprida. A ovelha verde dos Petraglias, José Aníbal, prontamente respondeu meu contato por e-mail e assim realizamos a entrevista. Extremamente polêmico e direto, marca que parece ser registrada da família, José Aníbal Petraglia falou sobre tudo e sem meias palavras.
A origem da família, a paixão do pai pelo Peñarol, sua opinião sobre o campeonato paranaense e a polêmica envolvendo o empréstimo do Couto Pereira, o potencial do Coritiba, Copa do Mundo e o relacionamento com a imprensa. Nenhuma pergunta ficou sem resposta. Até para si reclamou a alcunha de “Coronel Petraglia”.
Vindo de uma família de lutadores e que lutava pela sua sobrevivência, como ele mesmo refere-se, filho de imigrantes uruguaios e que estudou em escolas públicas. Tem um sem fim de cursos, desde eletrotécnica, passando por dezenas deles na Marinha como ciências navais e engenharia operacional mecânica, até gestão esportiva com a Brunoro.
Na carreira militar José Aníbal Petraglia enveredou para a Aviação Naval, onde permaneceu por mais de duas décadas. Acumulou experiência Naval, missões internacionais e nacionais, acumulou mais de 1.700 horas de vôo em operações de treinamento para guerra, atividades no continente ártico entre outras atividades militares.
Após anos dedicados à Marina, encerrou suas atividades como capitão-de-fragata, o equivalente a tenente-coronel nas outras forças armadas. A partir de então enveredou por atividades empresariais, sendo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina na gestão Jaime Lerner e encabeçou projetos empresariais em Araquara, no interior de São Paulo, onde até hoje está estabelecido.
A entrevista é recheada de sinceridade, bom humor e sobretudo polêmicas.
1 - Como o Sr. vê a rivalidade Atle-Tiba hoje em dia?
Vejo como uma grande insanidade. Não faz sentido rivalidade fora de campo. Sou do tempo que íamos juntos aos estádios, ver os jogos e vibrar com nossos times. Zoávamos muito, lado a lado, e apostávamos o bife no pão do intervalo e do final de jogo.
Não havia as torcidas organizadas e nem a violência de hoje em dia.
Cada clube cuidava dos seus assuntos internos. A rivalidade e as provocações ocorriam nos jornais e nas entrevistas dos Boleiros.
Considero as Direções dos Clubes Paranaenses como responsáveis por este estado de coisas, com ênfases nos clubes curitibanos.
Ao invés de se unirem no extra-campo, a fim de elevar o futebol, ficam de pinimbas e atitudes negativas com os rivais, que nada contribuem e nada somam, para trazer o crescimento do futebol paranaense.
É uma imensa fogueira de vaidades e invejas gratuitas, alimentadas pelos despreparos e amadorismos de alguns dos seus dirigentes.
Não vejo e nem sinto perspectivas de mudanças,nem a curto e nem a longo prazo.
2 - Como é ser Coxa-Branca e levar um sobrenome que ficou intimamente ligado ao Atlético? Quantos são os coxas e quantos são os Atleticanos na família?
Quando era menino, antes dos seis anos, torcia para o Peñarol do Uruguai, pois com meus Pais imigrantes Uruguaios, sem TV no Paraná, eu ouvia as transmissões dos jogos junto com o meu pai, em frente ao seu enorme radio de ondas médias e curtaS, com dial verde e tudo.
Já acompanhava a Libertadores e Sulamericana e o pai se orgulhava que o Peñarol dizendo, na época, que era o maior vencedor delas.
Em Curitiba ele torcia pelo Água Verde, desde que moramos na R. Bento Viana.
Depois nos mudamos para o Alto da Rua XV, na Rua Gal. Carneiro, e passei a ser levado pelos irmãos e amigos ao então estádio Belfort Duarte e acabei Coxa.
Ainda mais que foram décadas de vitórias e vitórias, contra os então Times existentes, Atlético, Ferroviário, Água Verde (depois Pinheiros e depois Colorado), Britânia, do Operário de Ponta Grossa, Rio Branco, do Bandeirantes, do Londrina, do Maringá, etc.
Até que começaram os torneios com o Rio-São Paulo-Minas, o Robertão e etc. Nesta época eu morava em Curitiba e ia a quase todos os jogos.
Tinha um pôster na sede do estádio do Coritiba, desta época, bem grande, onde aparecemos na arquibancada torcendo, eu ainda um garoto... Mas não sei se ainda existe.
Quanto a ter sobrenome igual ao do Presidente do nosso rival, tiramos de letra. Somos quatro casais de irmãos, sendo que, dos homens, somente ele é Atleticano. Desde que morávamos na R. Bento Viana e ele ia aos jogos no antiquíssimo estádio Joaquim Américo.
As irmãs torcem pouco. Que eu saiba somente uma é Atleticana. Duas não torcem e a outra era torcedora do Água Verde, como meu pai.
O único fanático por futebol e por um time é ele. Nenhum dos demais é fanático.
Eu sai de Curitiba com cerca de 18 anos e nunca mais voltei. Fui estudar fora e segui minha vida profissional pelo mundo.
Quando morei no Rio de Janeiro, nos estabelecemos nas laranjeiras e passei a torcer pelo Fluminense. Casei com uma Gaúcha gremista e passei a torcer também para o Grêmio. Em Minas Gerais, pelo Reinaldo, acabei sendo torcedor do C.A. Mineiro e, depois que vim para Sao Paulo, passei a torcer pelo São Paulo..
Somente que, com o Coxa em campo, contra qualquer um deles, torço pelo meu Coritiba, escolhido desde a infância.
Considerando todos os integrantes e agregados da Família, Cunhados, Sobrinhos, seus filhos, etc., hoje tenho certeza que a maioria é Atleticano, infelizmente.
Até pela influência dele, como presidente desde 1995.
Não existe rivalidades ou rixas por futebol entre os irmãos. Uma vez que o fanatismo é só dele.
E mais, independentemente das nossas preferências por times distintos, todos nós torcemos por ele e pelo seu sucesso junto ao seu clube e time do coração.

3 - Como o Sr. Vê o futebol paranaense hoje em dia? Há como competir com os times do eixo em campeonatos como a Série A?
Ora, o futebol paranaense não existe, como nunca existiu a nível nacional. Quem fora daqui conhece os demais times, além do Coritiba, Atlético e Paraná???
O que existe são três times curitibanos lutando, cada um por si, contra tudo e contra todos.
É uma burrice tão grande que não há adjetivos para ela.
Pelo que se noticia nos meios de comunicação, destes três clubes, o único que não está falido é o CAP.
Nosso Coritiba e Paraná estão falimentares e sem perspectivas de recuperação a curto e nem a médio prazo. A longo prazo, talvez.
Isto também não é privilégio dos times paranaenses. A grande maioria dos times brasileiros estão falidos.
Claro que, do Paraná, somente esses três times podem conseguir fazer frente aos demais do eixão Rio-SP-Rio Grande-Minas Gerais e olhem que sempre tem um deles na segundona.
Logo, a resposta a sua pergunta é: - "Não, nao há como competir de igual para igual com os times do eixão acima descrito".
O futebol profissional tornou-se muito caro e os times, para se manterem ativos e com craques caros, acabam por se endividar...
Futebol é alegria do brasileiro. É o que nos faz felizes. Por que os demais esportes tem incentivos governamentais e o Futebol, não?
Nosso futebol é pobre. A quase totalidade dos Boleiros brasileiros ganham muito pouco. Somente uma pequena parcela de bons boleiros, às vezes nem tanto, com empresários espertos, é que ganham mais.
Então que se estabeleçam critérios, cláusulas e condições e se incentivem os clubes de futebol. Não só os grandes e famosos.
Isto também é distribuição de renda.
Existem milhares e milhares de histórias de meninos pobres ou de rua, que foram salvos pelos esportes, ao invés de enveredarem pelas drogas e tornarem-se bandidos.
O Futebol no Brasil deveria ser tratado de forma mais séria, diferenciada e incentivada pelos Governos! Deveriam ser criadas as Ligas, de acordo com as capacidades técnicas e em vários níveis de campeonatos Nacionais.
Os Campeonatos Estaduais perderam a razão de ser, em função dos torneios e campeonatos internacionais, como a Copa do Mundo e das Confederações a cada qiatrO anos, as Olimpíadas, a Sulamericana, a Libertadores, a Copa do Brasil, Brasileirão, etc...
O Futebol Brasileiro tem que se adequar a estes novos tempos, referenciando no calendário FIFA e Europeu, assim como os demais, a fim de se possibilitar as transferências e Negócios do Futebol.
Como todos sabem, o futebol atual envolve bilhões e bilhões de dólares, euros, reais ou outra moeda qualquer de referência e não pode ser administrado levianamente!
Além disto, Futebol custa muito caro e qualquer Boleiro hoje em dia, meia boca, está exigindo milhões para jogar.
Comparando os Boleiros de hoje, com os das décadas de 50, 60, 70 e 80, a grande maioria dos atuais "craques", nem no banco de reservas ficaria.
Até nossa geração, os "pernas de pau" de então (falo de nós, meninos da várzea), teria lugar nos times de hoje e ganhando muito.
Como podem exigir times ganhadores com cobranças de entradas a menos de R$ 100? Qualquer joguinho na Europa custa muito mais de US$ 100 cada ingresso e em lugar ruim. Quando estamos de turistas, não nos importamos de pagar lá fora, mas, aqui, exigimos ingressos a R$ 20, R$ 30 e no máximo a Rr$ 50 o ingresso.
Como fazer futebol desse jeito?
Que se trate o futebol como de fato ele o é hoje em dia... Muito caro…
Que só possam ir aos estádios modernizados, seguros e confortáveis quem puder pagar para assistir ao espetáculo. O que não impede que parte dos ingressos sejam subsidiados. Isto fará com que o futebol cresça e não se mate "a galinha dos ovos de ouro".
Os demais interessados que não puderem, que assistam nas Redes de TV Abertas ou no PPV.
Sem uma ação radical neste sentido jamais deixaremos de ser medíocres. Veja que a nossa Seleção Brasileira de Futebol, sempre entre os quatro primeiros do mundo, hoje ocupa o 16º lugar.
Uma vergonha!
4 - E a atual administração do Coritiba? O que o Sr. Pensa da administração do presidente Vilson Ribeiro de Andrade?
Pouco ou nada sei da atual administração Coxa. Analiso pelos resultados conseguidos e pelas realizações efetivadas. Perdemos a Copa do Brasil para o Palmeiras, no ano passado, e quase fomos rebaixados novamente.
Ah, mas ganhamos o campeonato paranaense, dirão. E daí? O que isto significou para o clube, para o time? Qual o crescimento proporcionou? Quanto foi o seu faturamento? Qual percentual a mais?
Nada, absolutamente nada. Só prejuízos. Os grandes clubes pagam para jogar, esta é a realidade.
Esta é a minha visão e opinião.
Quanto à administração do atual Presidente DO CFC, seria leviano da minha parte emitir qualquer opinião, pois nada sei e nada acompanho do dia-a-dia do Coxa e nem dele! Aprendi a não criticar quem está com a responsabilidade e o ônus das decisões e realizações. Só eles sabem as pressões que sofrem e até onde podem atuar.
Cornetar é muito fácil, sem a responsabilidade de fazer acontecer.
Eu, como torcedor o apoio na sua gestão, por estar à frente do meu Coxa, pelo qual quero sucesso, sempre.
Posso, no entanto, opinar sobre algumas das suas atitudes e decisões, como a de negar a locação do Couto Pereira para o seu rival, num momento em que ele estava necessitando. Assim como levantar questões sobre os potenciais construtivos e outras questões que não lhe dizia respeito.
A principal, ele preferir ficar com um Estádio calado e vazio, sem gerar receitas, mantendo as despesas, somente porque o locador era o rival, que ele antipatiza. Não me parece de bom senso. Isto em nada contribuiu para o clube. Pelo contrário, ficaram as mesmas despesas, que seriam menores se alugado para o rival. Um presidente deve pensar grande e ele me parecia ser alguém assim.
E mais, nunca se sabe o dia de amanhã.
Certamente, em algum momento no futuro, O Coritiba precisará do CAP.
Pura pinimba e vaidade pessoal, que pouco contribui ou demonstra a grandeza do nosso sempre glorioso Coxa.
Além disto, suas posturas sempre caminharam para desdobrar em acirramento dos ânimos entre torcidas rivais, o que não tem cabimento.
Já o Joel Malucelli, Coxa como nós, colocou seu estádio à disposição e está colhendo os frutos desta decisão. Agora herdará o Janguitão iluminado, fora as demais melhorias proporcionadas pelo rival impostas pela CBF.
Quem está certo? Quem negou o elefantão que só come e traz despesas, por pinimba, ou quem liberou o elefantinho que será sustentado pelo Atlético e sua Torcida?
Presidente de qualquer instituição tem compromissos morais com a história dela. Não pode deixar as suas atitudes pessoais enxovalhar a história de um clube. Eu penso assim.
Mas enfim, a biografia é dele. Deve saber o que está fazendo.
5 - Na sua opinião, o atual elenco do Coritiba tem condições de conquistar um título nacional?
Claro que não, óbvio que não. Tenha certeza que lutaremos para não cair em 2013 novamente, como em anos anteriores. Futebol se faz com grana e muita.
Falidos e endividados como estamos, devendo cerca R$ 120 milhões, como noticiado, como fazer futebol profissional atualmente?
Manter um time de futebol glorioso como nosso Coxa, em primeira linha, não custa pouco. Uma equipe profissional, com comissão técnica de qualidade e com elenco de primeira, não se consegue sem recursos.
E com os preços dos ingressos ridículos que se cobram? Impossível querer qualidade e Títulos!
Creio ser impossível o nosso Coritiba lograr qualquer Título Nacional ou Internacional a curto e médio prazo. A longuíssimo, quem sabe?
Deveremos nos conformar com o ruralzão, se é que o Atlético, Paraná ou Londrina não o levarem.
E torcer muito para não cairmos para a segundona neste ano. E não estou sendo pessimista, somente realista!!!
Nosso Treinador, mesmo sendo capaz, é inexperiente para estar a frente de um Time como o nosso Coritiba e leva-lo a Campeão Brasileiro ou da Libertadores… Não nos enganemos!!!
6- A respeito de um novo estádio para o Coxa? Na sua opinião, qual seria a melhor solução? Reformar completamente o Couto Pereira? Construir um novo estádio? Em qual local?
Eu tinha um projeto, desde 1995, para reformar o Couto Pereira, adequando-o para os encargos da FIFA de então.
Para se cobrar valores adequados de ingressos, para bons espetáculos, deve-se oferecer um produto de qualidade.
O tempo passou, a FIFA mudou e passou a exigir novos parâmetros e condições e o Couto Pereira ficou no tempo. Reformá-lo será jogar dinheiro caro fora.
Eu teria chamado o Paraná e o Atlético, assim que se confirmou a Copa em Curitiba, para conseguir um novo estádio para cada um. Recursos o País e o Paraná tem e muita.
O Paraná tem o Boqueirão e poderia reforma-lo para 20 a 25 mil espectadores, mais hospital, shopping, lojas, restaurantes, etc….O Atlético daria andamento ao seu projeto, sem pendências e desgastes, com todos cuidando das suas tarefas.
O mesmo faria com o Coritiba. Construiria um novo estádio Couto Pereira para 45 mil espectadores. Afastado de 10 a 15 km do centro da cidade, negociando com os governos, estadual e municipal, uma grande área de interesses deles a ser desenvolvida.
Com isto, dependendo da importância dos jogos, escolher-se-ia o Estádio, em função dos maiores retornos!
Em atuação paralela, com nossos Governantes e Políticos, ir atrás das verbas do PAC para toda infraestrutura de transportes, energia, metrô, trens, estradas, ruas, bairros, casas, condomínios, tudo enfim, para agregar ao máximo.
Neste Estádio Coxa, o que menos importaria seriam os cerca de 60 jogos anuais.
Seriam prioridades, hospital, upas (nota do editor: unidades de pronto atendimento à saúde), shopings, escolas, faculdades, casas de shows, restaurantes, churrascarias, etc. Atraindo investidores para tudo..
A rivalidade ficaria restrita aos jogos dentro de campo e muita zoação para somente depois de tudo pronto.
Com isto, teríamos a Vila Capanema, o Alto da Glória e o Pinheirão para geração dos recursos necessários ao projeto, complementado com empréstimos do BNDES para a viabilização disto tudo.
Somente com metade do que se gastou no Maracanã, no Mineirão ou no Corinthians, o Paraná atenderia seus clubes da capital e ainda geraria milhares e milhares de empregos rapidamente.
Acrescente-se a isto que os três estádios poderiam estar sendo construídos pelas mesmas empresas e fornecedores paranaenses, que estão construindo a Arena dos Poodles, com geração de mais milhares e milhares de empregos….somados aos demais milhares das demais obras de infraestruturas… estradas, ruas, bairros, condomínios, asfaltos, etc… e a possibilidade de atração da iniciativa [rivada...
Mas a visão da aldeia é Curta. Os nossos dirigentes são praticamente cegos ou possuem visões limitadíssimas.
Não me refiro somente aos Dirigentes dos Clubes, mas de todos os Governantes e todos os Políticos que não tiveram competência e nem capacidade de sair de Curitiba e ir conhecer o que os demais estados estavam criando, conseguindo e fazendo, com recursos federais a fundo perdido.
As quireras, invejas, maldades, vaidades e incapacidades imperaram e todos perderam o bonde da história da Copa do Mundo no Brasil e em Curitiba, em 2014.
Agora é tarde, passou.
Sempre seremos como distritos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
O nosso já famoso complexo de vira-latas, que nós curitibanos insistimos em manter, é uma realidade.
Nunca mais, ou jamais, teremos nova e fácil oportunidade como esta que deixaram fugir das mãos.
Só quem soube agir e lutar foi o Atlético e logo, logo, eles terão suas arenas, arena e areninha, prontas.
Receberão alguns jogos da Copa e depois decolarão seu clube para sempre…
Ficaremos na poeira.
Tenho, assim como todos os Coxas devem ter, a mais nítida certeza que jamais alcançaremos o Atlético. Em termos de patrimônio e potencial de criar grandes times e elencos.
Claro que continuaremos surrando-os dentro de campo, mesmo dentro da arena deles, como já o fizemos várias vezes, pois somos gloriosos e vamos continuar nos endividando, para fazer frente aos adversários.
Mas será sempre com muito sacrifício e tendo que aguenta-los nos azucrinando.
Quem viver verá!

7 - Os dois principais clubes do Estado estão jogando, pelo menos no início, o campeonato paranaense com equipes que não são as principais. Qual seria a fórmula ideal para o Campeonato Paranaense, que está cada vez menos atrai interesse do torcedor e com um calendário tão extenso?
Se estivesse presidente, nem jogar o estadual eu permitiria. Caso a lei nos obrigasse, faria exatamente o que estão fazendo. Jogaria com times sub-23, 20, 18, 15, 12, 10, 8 ou dente-de leite. Só para cumprir tabela e marcar presença, treinar os novos.
A fórmula ideal para o campeonato paranaense é simplesmente extingui-lo e passar a focar as demais Divisões do Brasileirão, onde a rivalidade e disputas permaneceriam e com mais rendas.
Fora isto, não existe solução.
8 - Qual é a fórmula ideal, na sua avaliação, do relacionamento de um clube de futebol com a imprensa?
Uma fórmula ideal não existe. O que deve existir é uma relação formal, comercial e profissional, protocolar, de respeito entre as partes, onde os clubes recebam valores adequados das mídias impressas, faladas e televisadas (sic) e estas possam exercer seus trabalhos dentro de cláusulas contratuais negociadas e firmadas.
Fora isto, é amadorismo e a exploração dos Clubes de times de Futebol Profissional.
Não se pode aceitar, nos dias de hoje, onde milhões e milhões de reais são gastos em marketing pelas empresas, ao contratar as mídias, e que estas nada paguem para a casa dos artistas da bola, que são os Clubes de Futebol Profissional.
Que o clube receba de acordo com o que proporciona, em função do tamanho da sua torcida. Isto é o justo!
Quanto mais torcida, quanto mais sócios, mais audiências, maiores os valores, pois maiores os retornos para os investidores no marketing esportivo.
Todos sabem que o marketing do futebol é o que mais retorno proporciona às empresas que investem nele. Nada mais correto e justo do que um clube, que investe muito no seu futebol, que consiga muitos torcedores e sócios, que proporcionem altos retornos a quem investe nele, receba a sua cota devida.
Querer pagar migalhas a um Clube como o Coritiba, de mais de 100 anos, ou nada pagar para transmitir seus jogos, rádio ou TV é um absurdo e um acinte.
Se estivesse presidente, também não permitiria, se os valores não fossem adequados.
Sem a imprensa o futebol não existe, claro. Mas, em compensação, sem grandes times de futebol a imprensa também não existe.
E mais: a imprensa é muito mal remunerada. Passam por chuvas, frio, viagens, hotéis ruins, tudo para atender ao futebol e ganham muito pouco. Alguns setores do futebol ganham muito, como os boleiros, técnicos, mídias, etc..
Enquanto no seu entorno, clubes, jornalistas, massagistas, gandulas, árbitros, padecem numa miséria, em comparação aos demais.
Ao invés de um ciclo - perder-perder, todos devem buscar um ciclo ganhar-ganhar.
Para os Clubes receberem mais, as mídias terão de receber mais, também para remunerar mais e melhor os seus profissionais! Os Clubes sendo fortes, econômica e financeiramente, poderão montar elencos e times fortes… gerando mais torcedores e sócios e, com isto, mais rendas… Isto desdobraria em mais investimentos das empresas nas mídias, gerando um ciclo positivo… com todo mundo ganhando… Hoje este ciclo é negativo! Ocorre exatamente o contrário. O Atlético iniciou a luta a favor do ciclo positivo… O Coritiba deveria fazer o mesmo...
Esta situação um dia terá de mudar.
9 - Existe muitas discussões na família por causa do confronto AtleTIba? Os seus netos já acostumaram-se com as vitórias do Coxa?
Nada. Nunca houve discussões ou brigas na família por futebol. Até porque a maioria não é fanática e a formação que nos foi dada por nossos pais foi bastante rígida.
Quanto ao netos se acostumarem as vitórias dos coxas, você deve perguntar a ele... Somos coxas e não temos netos... (risos)
10- A exemplo do que seu irmão fez no Atlético, o Sr. Também pensa em entrar na vida política do Coxa?
Caro Gibran, futebol é coisa para profissionais, não para amadores. Sou um torcedor amador e não fanático.
Não sou do ramo, não tenho capacidade, nem vontade e nem mais idade para uma empreitada destas.
Isto é para quem gosta do futebol e seus bastidores, assim como exige experiência de anos e anos acompanhando tudo fora das quatro linhas e dentro de um clube de futebol profissional. Nunca foi o meu caso...
Gosto do bom futebol jogado e entendo tanto dele, quanto qualquer outro brasileiro. Sou expert e técnico de futebol, na mesma medida que milhões de outros brasileiros.
E mais, o nosso Coxa tem pessoas e profissionais de altíssimo nível, criativos, visionários, realizadores, que gostam do futebol intramuros e capazes de conduzir o nosso coxa igual ou tão melhor do que o fez o Chinês, Evangelino da Costa Neves.
Tenho a mais absoluta certeza disto!
12 – Há algo mais que o Sr. deseja acrescentar?
Sim. A primeira é que, se você observar, todos os times para os quais eu torço, desde sempre, são contrários e inimigos dos poodles, com ênfase no Coxa, São Paulo, Fluminense, Grêmio e C.A. mineiro. Nenhuma aproximação com eles, Atleticanos. Somos contrários e adversários sem tréguas (risos)
A segunda, como curiosidade, é que ele (Mário Celso Petraglia) sempre foi chamado e conhecido em Curitiba, como o Dr. Mario Celso, até 1997.
Quando eu fui para a Marinha do Brasil adotei como nome de guerra o nosso sobrenome de família: Petráglia, desde "aspirante", "guarda-marinha", "tenente", "capitão-tenente" e "comandante" -> "petráglia". A carreira toda!
Este nome de guerra me acompanhou quando vim para o governo Jaime Lerner, em 1995, por causa dos portos de Paranaguá e Antonina, onde existem capitanias da Marinha do Brasil e como sendo do meio, continuei conhecido e chamado como "Comandante Petráglia" normalmente.
Ao longo do tempo aí no Paraná, o então Deputado e Presidente da Assembleia Legislativa, meu amigo e xará, Anibal Cury - de saudosa memória - para zoar comigo, só me chamava de "coronel”. Era "coronel" pra cá, "coronel" pra lá. E isto pegou enquanto permaneci no Paraná…..
Quando deixei o Governo em 1997 e fui para a iniciativa privada, mudando de Curitiba, acabei esquecido e meu Nome de Guerra acabou migrando para o meu irmão, então Presidente dos Poodles.
Como existia, E existe até hoje, o vereador Mário Celso Cunha, todos, imprensa, amigos, conhecidos, adversários e inimigos dele, passaram a chama-lo de "Petráglia", por facilidade, e de "Coronel" DE FORMA pejorativa (risos).
Esta é a origem do seu aposto "coronel" e como se originou seu novo nome de guerra - Petráglia, do Clube Atlético Paranaense. Na verdade, de fato e de direito, de carreira, o "Coronel" Petráglia sou eu. (risos).
Mas, sem dúvida alguma, o nosso sobrenome, agora, está muito mais conhecido, respeitado e representado, sendo usado por ele do que por nós.
Eu passei a ser - "José Aníbal Petráglia", o irmão do "homem" (risos).
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Gibran Mendes

Nos primeiros dias deste ano viajei com minha família para Buenos Aires. Fomos curtir uma parrilla, tango, os setores históricos da cidade e arquitetura que sempre me deixa de queixo caído, não importando quantas vezes eu vá para lá.
Mas uma das coisas que me deixa boquiaberto é a forma como os argentinos gostam, respeitam e conhecem nosso futebol. Naturalmente que meu pai e eu andamos, em diversos momentos, com nosso manto pelas ruas portenhas. Sobretudo no Caminito, região turística do Bairro de La Boca, muito próxima ao estádio do Boca Júniors, a lendária La Bombonera.
A experiência é bem bacana. Andar na rua e ouvir gritos com sotaques portenhos “Coxa”, “Coritiba” e “Coxa Blanca” são extremamente comuns, assim como propostas para trocar as camisas que usamos por outras que estão nas lojas à venda. A nossa rivalidade, o AtleTiba, também é bem conhecida por lá.
Em determinado momento um argentino olhou para mim e disse em tom de indagação: “Furacon”? Antes que eu pudesse responder qualquer coisa ele mesmo completou: “Furacon passa batom”. Meu pai e eu caímos na risada junto com ele, que simpatissímo nos cumprimentou e seguiu sua caminhada.
Imediatamente me veio na cabeça as cenas de comemorações de times de fora do Paraná em nossa capital. O futebol, como não poderia deixar de ser, já tornou-se uma representação cultural de cidades, estados, regiões e países. Valorizar nossas coisas, como o AtleTiba, é uma obrigação cidadã de todo curitibano e todo paranaense.
Há, hoje em curso no Brasil, uma polarização das forças do futebol. Muito discutida pela imprensa especializada. As verbas orçamentárias que privilegiam principalmente dois clubes, bem como as transmissões de televisão, tem como objetivo vender produtos já rentáveis.
Inserir novos atores, valorizando as culturas regionais, não faz parte do plano. Ao contrário de outros locais, como a própria Inglaterra, onde torcer é parte de um processo cultural, de sentir-se parte daquilo e os títulos não são o que é de mais fundamental. Mas sim pertencer a algo maior, fazer parte, ajudar a construir e identificar-se com um símbolo, um escudo, uma tradição que faz parte da história da sua localidade e também da sua família.
Já no Brasil, parece, que o futebol é o espaço destinado para curar frustrações do dia-a-dia. Torcer para um time é projetar a vitória que não ocorre no cotidiano. Xingar os jogadores quando algo dá errado é colocar para fora os fantasmas do que não ocorre de forma certa, afinal de contas, no Brasil, estádio é lugar para extravasar.
Precisamos, cada vez mais, valorizar nossas coisas. Coisas paranaenses e sem dúvida o AtleTiba é um de nossos principais patrimônios. Na Argentina, ninguém me falou da Ópera de Arame, das Cataratas do Iguaçu ou do Cânion do Guartelá. Mas sim do nosso Coxa e do nosso AtleTiba. Como disse nosso amigo argentino: “Furacon passa batom”.
Está dito.
Ruidiaz
Outro ponto que me chamou a atenção na viagem foi um argentino, que no mesmo Caminito, perguntou-me sobre o motivo de Ruidiaz não ser titular do Coritiba. Sim, eles realmente conhecem e interessam-se sobre nosso futebol.
Eu respondi que ele ainda passava por um período de adaptação. Ele, sem pestanejar, disse que tratava-se de um ótimo jogador e que traria alegrias para nossa torcida.
Confesso, que o interesse perdido em Raúl Ruidiaz foi resgatado após esta conversa e segurei nosso peruano mais de perto durante este ano. Nem mesmo o pênalti perdido, na primeira partida do ano, me tira esta curiosidade positiva a respeito do peruano.
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Gibran Mendes

Não há Coxa-Branca neste imenso mundão que não esteja empolgado com a temporada 2013. Além do ídolo Alex, jogador de incontestável categoria e nível técnico, o Coritiba manteve alguns de seus bons jogadores e contratou outros de destaque.
O zagueiro Leandro Almeida chega carregando em suas malas a esperança de uma das maiores duplas de zaga do Coritiba nos últimos anos. Ao lado de Emerson, pode fazer bonito defendendo e também atacando, uma vez que ambos são conhecidos pelos gols que costumam marcar.
Botinelli, o clone do Messi, vem muito bem recomendado. Com altos e baixo no Flamengo, já demonstrou que pode fazer muito pelo Coxa. Alia-se a eles Devid, Rafinha e outros jogadores e temos um ótimo time. Se ainda estamos longe de equipes como Corinthians e São Paulo, sem dúvida há muitos anos o Coxa não começava uma temporada com reforços que agradassem tanto a torcida como neste ano.
O futebol brasileiro vive uma fase de bonança, reflexo também da nossa economia, que apesar não crescer tanto quanto gostaríamos, já nos coloca em posição de destaque no cenário mundial. O aumento da receita dos clubes, principalmente pela televisão e também com as verbas de patrocínio, possibilita gastos maiores.
Contudo, uma situação que me preocupava de certa forma, foi escancarada recentemente pelo presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio. Ele alertou que os clubes brasileiros estão inflacionando o mercado e fez um alerta: “Vão quebrar”. Esquecendo a ironia do fato do autor da frase ser um dos pioneiros neste processo, conhecido por “roubar” jogadores de outros clubes, ela deve ser levada muito a sério.
Se os clubes de futebol no Brasil recebiam antes X agora recebem X + 2, contudo passaram a gastar X + 3. Nada de pagar dívidas, regularizar sua situação com credores, inclusive com o poder público. Quanto mais recebe-se, mais gasta-se. Se esta conta não dá certo em um planejamento financeiro familiar, o que dirá em instituições como os clubes de futebol.
No Coritiba, não sabemos ao certo qual é a receita e quanto gasta-se. Muito menos valores de salário, venda de jogadores e todo o tipo de informações financeiras. Há quem defenda esta postura, que diga-se, não é exclusiva do Coritiba. Mas eu discordo.
Clubes de futebol, embora sejam instituições de natureza privada, recebem sim incentivos públicos. Seja com a descreditada Timemania, ou com leis de incentivo ao esporte. Friso, aqui, o que já escrevi anteriormente: se há um esporte no Brasil que não precisa de investimento público, este esporte é o futebol.
Além do que, os seus torcedores, seus sócios, também tem o direito - em minha humilde opinião - ao acesso de informações financeiras do seu clube do coração. Receitas e despesas não fazem gol e não perdem pênalti, mas sem sombra de dúvida podem influir diretamente no resultado final desta equação.
Reitero, aqui, que acredito que o Presidente Vilson Ribeiro de Andrade faz uma boa gestão à frente do Coritiba. O resultados, mesmo com todos os problemas do ano passado, são excelentes dentro de campo nos últimos anos. Sobretudo para quem vinha de um desgaste de imagem e também de relacionamento com a torcida como ocorreu em 2009.
Mas, também acredito, que passar a informar com maior transparência a quantas anda a saúde financeira do clube seria uma excelente iniciativa. Assim, todos poderiam ter a certeza que se dentro de campo está sendo montado um grande elenco, fora dele há uma estrutura capaz de suportar todo o investimento, que diga-se de passagem, não é pequeno.
Enquanto isso, nos resta, expor este anseio e torcer para o que podemos ver, que são jogadores como Alex, Deivid, Keirrison, Botinelli, Leandro Almeida, Emerson e Rafinha jogando com a nossa camisa e novamente acalentando o sonho de uma temporada inesquecível para o lado verde do Paraná.
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Gibran Mendes

Embora politicamente incorreta, ainda gosto da expressão “matar dois coelhos com uma cajadada só”. Ela ainda encaixa-se perfeitamente com a motivação deste post.
Recebi, por e-mail, e compartilho com os amigos leitores um leilão que a Casa do Pai está promovendo neste final de ano.
A entidade, que cuida de crianças sem lar, recebeu do zagueiro Escudero uma camisa do Coxa autografada por ele. O manto sagrado agora foi colocado em leilão para arrecadar recursos para a Casa do Pai.
O valor mínimo é de R$ 150,00 e você pode mandar seu lance até o dia 17 de dezembro para o e-mail: amilcarpmarques@gmail.com com o valor proposto. Aqueles que derem o maior lance serão informados em tempo real.
Está é uma boa oportunidade de levar uma camisa do Coxa autografada e ainda por cima ajudar uma instituição que presta atendimento para crianças sem lar.
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