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COXAnautas

Confabolando

A mentira

07/02/2010 19h45 - Gibran Mendes - Comente esse post

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te"
Friederich Nietzsche

 / Foto: Fernando Sarturi dos Santos



Costumam dizer que a televisão mente. Bem, o aparelho obviamente não tem esta capacidade. É um mero reprodutor de bla, bla, bla inventados por seres humanos. Figura de linguagem. Um exemplo disso é a moça do tempo que equivocou-se.

Disse ela, claramente, com todas as palavras que este seria um sábado de sol. Não foi. O calor, sim, misteriosamente é de matar. Mas o Sol, o novo Sol, não apareceu. Ele desceu a serra e me deixou aqui, em Curitiba, sozinho. Quando o novo Sol poderá novamente brilhar no Alto da Glória?

Que saudades das tardes de sábado, ou domingo. As noites de quarta-feira. O programa certo, definido, irremediável e inegociável. O Couto Pereira. Neste sábado, seis de fevereiro, dois meses sem o Sol brilhar no Alto da Glória. Tempestades, clima chuvoso, nublado, qualquer coisa que seja. Menos o novo Sol brilhando.

Enquanto isso outros estádios, com condições infinitamente inferiores, continuam por aí. Alimentando sonhos mesquinhos de empresários, dirigentes e iludindo torcedores comuns. Mas o Coxa continua proíbido de frequentar sua casa. Neste sábado, seis de fevereiro, completamos dois meses de férias indesejadas.

 / Foto: João Ari Beine



A pressa para o primeiro julgamento transformou-se em morosidade. O calor do assunto travestiu-se da frieza da paciência. Enquanto isso, o Coritiba segue tendo gastos, prejuízos e a torcida Coxa-Branca, a que é a menos culpada, paga o ônus da violência de meia dúzia de vândalos e da falta de preparo na segurança no dia da crônica da tragédia anunciada. O sol transformou-se em nuvens.

Nas férias os adolescentes vivem seus amores de verão, que reza a lenda, não sobem a serra. Enquanto isso, os torcedores do Coritiba sentem o frio da geladeira dos homens que dão as cartas no futebol brasileiro. Ainda têm que descer a serra para ver seu time jogar. Priva-se do Green Hell, da bateria no estádio, de cantar, de entoar hinos de amor e de manifestar-se culturalmente.

Mas a mentira segue sendo contada. Ninguém mais acredita. Faz frio em Curitiba.

"O Diabo pode citar as escrituras quando isso lhe convém"
William Shakespeare

Ps: Este texto é dedicado ao meu pai, Ademir Mendes, que não entende como faz tanto frio em Pato Branco em pleno fevereiro.

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Dinda, o que é isso?

30/01/2010 19h21 - Gibran Mendes - Comente esse post

 / Foto: Luiz Carlos Betenheuser Júnior



Gabriel era um piá muito esperto. Tinha quatro anos de idade, mas um olhar decidido. A altura, um pouco maior do que o normal para a sua idade, também dificultava quem não o conhecia a adivinhar quantas primaveras o jovem Coxa-Branca tinha. Dia destes, ele em companhia da avó, saiu apanhar a sua tia que preferia chamar de "dinda", no trabalho.

Emily trabalhava em uma agência de publicidade. Passara o dia desenvolvendo um trabalho para uma empresa produtora de preservativos. Já era início de noite e o grupo de colegas de trabalho batia papo enquanto organizavam o final do dia. Neste momento, Gabriel entra na sala. Uma pausa de atenção para o menino. As mulheres presentes, com o instinto maternal amadurecendo, fizeram aquela festa. Que bonitinho dali, que gracinha daqui, o Gabriel encabulado e em pouco tempo o papo adulto se reestabeleceu.

Logo em seguida, Gabriel já entediado e querendo sair voando daquele lugar chato, começou a "fuçar" na mesa da dinda em busca de alguma distração. Achou um pacotinho e começou a brincar. A brincadeira seria interrompida por um colega, sacana, que ao perceber com o que Gabriel passava o tempo sugeriu:

- Gabriel, pergunte à dinda o que é este pacotinho.

Lentamente Emily girou o rosto em busca da resposta, mas com o olhar já tenso do que a esperava. Um preservativo da campanha que desenvolvia. Ela ruborizou-se toda. A avó, sem jeito ao fundo e o restante dos colegas caindo na risada. Emily, sem jeito, tentou explicar:

- Gabri, sabe o que é, é um instrumento de trab..... Aaaaiiiiii não, eu não posso dizer isso.

Emily elevou as gargalhadas na sala a enésima potência, apressando o caminho que cada um seguiria para o final de semana.

 / Foto: Gibran Mendes



Se para ela já pareceu difícil para explicar ao Gabriel o que era um preservativo, consequência natural da vida, imagina algo que foge o nosso controle? E se, por acaso, Gabriel perguntasse à Emily, aos seus pais ou quem quer que seja que levado ele a torcer pelo Coritiba o que são estas notícias dos últimos dias? Por que a renovação dada como certa de Ariel, ídolo da torcida, tomou este rumo? Mas não foi assim, ou de forma parecida, que aconteceu com Keirrison, Marlos, Rodrigo Mancha, Carlinhos e Marcelinho Paraíba? Por que estas coisas estão acontecendo com o Coritiba?

Se Gabriel perguntasse tudo isso para mim, eu não teria dúvida em lhe dar a resposta:

- Gabriel, preservativo é utilizado como método contraceptivo e também para evitar doenças sexualmente transmissíveis, que são.......

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Flor da pele

29/01/2010 15h52 - Gibran Mendes - Comente esse post

 / Foto: Valdinei Fernandes


Sem juízo, sem motivo aparente, sem receita e sem remédio. O amor brota à flor da pele. Assim é nossa relação com o Coritiba. Levamos ele por todo os lugares que vamos. Alguns nos olhos, outros no coração. Ainda há quem leve, literalmente, na pele.

São casos de pessoas que marcam, literalmente, seu amor pelo Coxa na pele. Como a fiel torcedora Marilei Fernandes, que homenageou o Cori ao marcar para sempre o escudo do centenário em seu corpo.

Fica minha homenagem para a Marilei e seu irmão, Valdinei, que foi quem me enviou a foto. Dois grandes Coxas que nunca abandonam o maior e mais tradicional do Paraná em um só jogo.

Abaixo um vídeo de Chico Buarque e Milton Nascimento cantando “O que será (A flor da pele)”, uma das mais belas canções de todos os tempos que falam sobre amor. Penso eu que ela se aplica perfeitamente ao nosso sentimento pelo Coxa.

Confira:

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Constelação Coxa-Branca

24/01/2010 15h43 - Gibran Mendes - Comente esse post

 / Foto: www.infoescola.com


De onde viemos? Quem somos e para onde vamos? Para responder estas três perguntas muitas pessoas arriscaram suas vidas, como Galileu Galilei, outras lhe dedicaram toda ela, como Edwin Hubble e muito dinheiro foi investido, principalmente por empresas privadas e até estatais. Mas ainda estamos longe de um consenso sobre estas três grandes dúvidas da humanidade. Contudo, estudos científicos parecem convergir para alguns pontos. Um deles é que o nascimento do universo, inclusive de nós mesmos, é o Big Bang. A nomenclatura resume um estado extremamente denso e quente que seria o ponto de partida do universo.

Portanto, o início de tudo seria uma coisa só com a expansão da matéria, a grosso modo, que acabou gerando tudo o que há hoje no universo. O ferro que produz carros, sustenta edifícios e é extraído para o desenvolvimento social e econômico também é o mesmo que corre em nossos sangue de forma que permaneçamos saudáveis.

 / Foto: www.ceuaustral.astrodatabase.net



A união destes fatores nos mostra que somos todos a origem de um só e, portanto, de certa forma estamos interligados. Assim, perguntariam: "Temos então a mesma origem das estrelas?". A resposta, reta, seria sem dúvida sim. Mas eu avançaria um pouco mais. Diria que todos somos estrelas, cada uma com seu brilho, localização e importância.

 Supernova / Foto: jcconwell.wordpress.com

Supernova



E o que ocorre, então, quando há um agrupamento de várias estrelas? A definição, em nossa língua pátria, é uma constelação. Sem dúvida a torcida Coxa-Branca é um dos mais belos conjuntos de estrelas já visto. Uma grande constelação que brilha tanto a ponto de ser confundindo com uma Supernova, fenômeno de grande importância astrônomica. A explosão de uma delas emite uma luz incomparável e forma uma lâmina de radiação cósmica que poderá ser monitorada durante séculos. Mas, assim como qualquer fenômeno desta magnitude, é extremamente raro. Assim como a torcida Coxa-Branca, que tem uma luz própria - talvez exemplificada no Green Hell- e que não se vê por aí. Ou como diria a canção de Paulinho da Viola: "vista assim do alto, mais parece o céu no chão".

 / Foto: Abilio César Heiss



A luz desta constelação, ou melhor ainda, supernova Coxa-Branca, é que cega os adversários e ilumina o caminho da vitória para os astros que giram em torno dela. Assim como na definição científica, fenômeno raro e que pelo menos há um século já pode ser acompanhado.

Por este e outros motivos a torcida Coxa-Branca é imprescindível para o time e consequentemente à instituição. É preciso que a diretoria, a torcida - organizadas ou não - e cada cidadão coritibano que leva essa luz consigo entenda desta forma. Aproximando de nossa realidade humana, mais próxima, irregular e passional eu lembraria de Olavo Bilac:

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


E que em nosso céu brilhe cada vez mais o novo Sol, clareando com seus raios verde e branco e encantando o País do futebol.

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100 jogos sem medo

20/01/2010 16h48 - Gibran Mendes - Comente esse post

 / Foto: Geraldo Bubniak



Uma manhã destas eu caminhava tranqüilamente ouvindo um podcast a caminho do trabalho. Tomei esta decisão. Preciso voltar a fazer exercícios. Mas esta é uma outra questão. O que é fato, no momento, e importante é que ao chegar próximo do Shopping Curitiba, distraído com a história da Operação Valkiria, levei um susto.

Eu descia a Visconde de Guarapuava e ao atravessar a Brigadeiro Franco fui surpreendido por uma figura gigante e imponente. Vestindo as cores do Coxa, olhei para cima e vi ele: Edson Bastos, o grande arqueiro Coxa-Branca.

Já estava atravessando a rua e ele vindo em minha direção. Travei. De repente uma insegurança, uma angústia, algo inexplicável tomou conta de mim. Meu inconsciente me fez voltar para o lado da calçada de onde eu vinha. Eu, no fundo, sabia o motivo: era impossível passar por Edson Bastos, quem dirá então passar batido.

 / Foto: Coritiba Foot Ball Club



Um goleiro intransponível, de grande carisma e liderança. Se para atacantes de renome e anos de treinamento já era algo extremamente difícil – transpor Edson Bastos - quem seria eu para passar por ele? Não consegui. Voltei para o outro lado da calçada.

Ele me olhou com estranheza, no fundo, parecia que já estava sabendo tratar-se de alguém que é seu admirador e que por puro respeito tinha a plena consciência que não conseguira passar por ele. Rapidamente o cumprimentei, me apresentei, desejei boa forte e lhe fiz os votos de confiança, já que em minha humilde opinião não há goleiro para atuar no Coxa com mais gabarito que Edson Bastos, o príncipe de Ébano, da dinastia do grande Jairo do Nascimento.

 / Foto: Coxanautas



A comparação, aliás, é inevitável. Dois grandes goleiros, ambos com identificação com o Coritiba. Jairo, que segundo levantamentos dos Helênicos jogou 404 partidas pelo Coxa, também é o recordista de tempo na meta Coxa-Branca sem sofrer gols com 937 minutos invicto. Edson Bastos também tem uma marca considerável: 830 minutos sem sofrer gols.

 / Foto: Coritiba Foot Ball Club



Por tudo isso e muito mais, posso dizer com certeza que em 100 jogos fiquei sem medo de problemas com goleiros no Coxa. Justamente os 100 jogos que Edson Bastos completa na partida contra o Rio Branco de Paranaguá. Ao príncipe de Ébano a minha sincera homenagem e agradecimento pelos serviços prestados ao Coritiba e sua grande nação. E que muitas outras centenas de jogos ele defenda a meta Coxa-Branca, para que sem medo, possamos torcer pelo nosso Glorioso Verdão.

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