Felipe Rauen
Ontem assisti – e obviamente ouvi – o vídeo no qual o ilustre Dr. Mário Schimer, Procurador de Justiça do Ministério Público do Paraná, defendeu o uso das verbas públicas que foram e estão sendo aportadas para a reconstrução do estádio do seu clube, o CAP. Tratou-se de uma reunião interna do clube, que veio a público por ter sido lançada no sítio da entidade na qual o membro do Ministério Público antes referido fez a defesa do CAP na questão do uso de verbas públicas para a reconstrução do estádio do seu clube de coração. E o fez afirmando, em síntese, que verbas públicas podem e já foram usadas em benefício de particulares em outros episódios, que a contrapartida do CAP será a entrega do estádio, circunstância que caracterizaria o interesse público e que, como em outras cidades-sedes da Copa do Mundo os estádios estão sendo construídos totalmente com recursos públicos, ao contrário do que se afirma o CAP estaria economizando dinheiro público (para não me alongar e menos ainda me equivocar na citação, não reproduzo os demais argumentos, indicando aos leitores o acesso ao sítio antes referido). Não falou, sem dúvida, em nome da instituição que honrosamente integra, embora ao início da manifestação tenha se qualificado como ex-integrante do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, atributo que o qualifica.
Trata-se de opinião que deve ser respeitada dentro do bom embate, da divergência e do contraditório público que se estabeleceu a respeito dos fatos. Diria a ele como consta que Voltaire teria dito a Rousseau quando soube que escritos do último estavam sendo destruídos: “Não concordo com uma palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las.”.
Pois bem, embora a manifestação tenha sido fundamentada, nem por isso se deve concluir que os argumentos apresentados são sólidos e que a conclusão do ilustre Procurador de Justiça é correta. O bom uso da retórica como método de persuasão não significa, necessariamente, que dele resulte convicção e certeza para bem julgar os fatos. A propósito do tema, para não me estender remeto os leitores às colunas que escrevi nos dias 13, 17, 19 e 21 de setembro onde penso se encontram argumentos suficientes para contestar a opinião do ilustre Procurador de Justiça, reiterando respeito à sua opinião como torcedor do CAP e operador do Direito, assim como o faço quase que na mesma condição – operador do direito aposentado e torcedor do Coritiba. Apenas nossas visões sobre a boa gerência da coisa pública, no caso concreto, são radicalmente opostas.
Hoje, a edição online da Gazeta do Povo, a propósito de tal manifestação noticiou que:
“Ex-membro do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, o promotor Mário Sérgio de Albuquerque Schirmer falou sobre o convênio entre Atlético e poder público na reunião do Conselho Deliberativo do clube, em 24/10. Mesmo reconhecendo não ter lido os termos do contrato, ele defendeu a legalidade da parceria. Ontem, o vídeo desse depoimento foi amplamente divulgado em um tuitaço promovido por torcedores. A hashtag #uniãoatleticana, que trazia o link para o vídeo, chegou a ser o assunto mais comentado na rede social do país. Segundo o Ministério Público local, porém, “Schirmer se pronuncia como conselheiro do Atlético e não como membro do MP-PR” e a sua posição “não representa a do MP-PR”.”.
Ao mesmo tempo, da mesma edição se colhe que após o Tribunal de Contas entender os créditos de potencial construtivo como dinheiro público, o Ministério Público do Estado do Paraná deu início a procedimento administrativo para examinar se há alguma ilegalidade na execução da reforma – eu denomino de reconstrução - da arena da baixada e que “Não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos e, por isso, a Promotoria deve demorar mais algum tempo para se pronunciar diretamente.”.
Boa providência, sem dúvida. Mas só agora? Somente depois que o Tribunal de Contas conceituou o crédito como dinheiro público? Mas não se denunciava tal conceituação há muito tempo? O Ministério Público, ao contrário do Poder Judiciário, não precisa ser formalmente provocado para agir. Basta ter conhecimento de indícios razoáveis de ilegalidades com a coisa pública para agir de ofício (artigo 22, da Lei nº 8.429/92), mesmo que tais indícios venham através dos meios de comunicação como tantas vezes já aconteceu. Uma pena que só agora comece a agir e já anuncie que demorará em chegar a uma conclusão.
Bem, mas antes tarde do que nunca.
Confio na isenção e espero presteza dos zelosos fiscais da lei do meu Estado natal – lembro que em pesquisas o Ministério Público aparece entre as instituições mais confiáveis perante a sociedade brasileira - para chegar a uma conclusão ainda antes de encontrar os fatos consumados e muito pouco poder fazer para impedi-los. Confio que aproveitarão a oportunidade para apurar o evidente desvio de finalidade nas desapropriações de imóveis no entorno da baixada. Confio que examinarão se as garantias que o CAP ofereceu para receber empréstimo do BNDES, servindo a Agência de Fomento do Estado do Paraná como mera interposta pessoa, são suficientes. Confio que em último caso, se mantidas a entrega do patrimônio e das verbas, pelo menos se investigue se o uso não está sendo direcionado através de nepotismo como fartamente noticiado.
Enfim, ainda que os cidadãos possam exercer diretamente a defesa da coisa pública através de outras medidas – a ação popular constitucional, por exemplo - reitero respeito e confiança na instituição do Ministério Público do Paraná quanto à apuração das ilegalidades e das providencias que adotará, embora as ressalvas antes lançadas sobre a oportunidade do agir.
"É a doença de não escutar, o mal de não observar que me aflige." (Willian Shakespeare)
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Felipe Rauen
Quando da assunção do comando técnico do Coritiba por Marquinhos Santos, transitou uma dúvida entre a crônica esportiva e os torcedores sobre o acerto ou não da escolha, uma vez que se tratava de profissional que nunca fora jogador de futebol – a não ser nas “peladas” como quase todos nós – e também não tinha experiência com times profissionais, salvo nas categorias de base, sendo o comandante da seleção brasileira sub-15 e sub-20 e do time sub-23 do Coritiba. Treinou também, não há porque esconder, as categorias de base do nosso rival, ali conquistando títulos.
Ao lado da minimizada experiência, apresentava sua condição teórica, formação como Educador Físico, com especialidade em treinamento desportivo.
Ao assumir a condição de técnico do elenco profissional do Coritiba Marquinhos recebeu, antes de uma oportunidade, uma grande responsabilidade, pois encontrou um time em má fase, com vários atletas afastados por lesão e uma torcida exigente, impaciente e desejosa de grandes feitos. A decisão, para os que comandam o clube e para ele deve ter sido difícil. Dada a sua pouca experiência, se fracassasse o mundo viria abaixo. Por que não contrataram um “grande nome” (qual?), diriam muitos. Que irresponsabilidade entregar o comando de um time que tem alguns jogadores veteranos para um técnico com apenas trinta e três anos de idade, mais jovem que uns poucos da equipe, diriam outros. E ai por diante.
Pois não é que o homem está se encaminhando para o sucesso tal como tantos outros profissionais que foram vitoriosos em times de futebol de primeira linha sem antes terem sido jogadores profissionais?
Os exemplos do grupo para o qual o Marquinhos Santos está se encaminhando são muitos. Lembro alguns, talvez os mais significativos, Parreira (campeão do mundo em 1994), Cláudio Coutinho (semifinalista da copa do mundo de 1978), Ney Franco (campeão paranaense e carioca dentre outras conquistas), Paulo Autuori (campeão brasileiro, da Libertadores e do mundial de clubes), todos eles educadores físicos que talvez nem soubessem fazer uma “embaixadinha”. Outros poderiam ser citados, mas tenho dúvidas a respeito da condição (por exemplo, Feola, campeão do mundo em 1958, foi antes jogador?).
Assim, mesmo que a maioria dos treinadores brasileiros seja constituída por ex-jogadores profissionais (nem todos foram craques, como são os casos do Vanderlei Luxemburgo e do Felipão, dentre outros), a verdade é que, se de um lado às vezes é bom que tenham a vivência de dentro do campo e tal condição seja importante, por outro jamais é ela imprescindível para bem dirigir um time de futebol e ser vencedor. Aliás, a dupla Marquinhos-Tcheco reúne as duas condições: conhecimento teórico e prático, e espero que ela se mantenha afinada por ainda muito tempo, cada um consciente da sua participação no comando. Torçamos por eles.
Ter estado lá ”dentro das quatro linhas”, é muito importante para entender de futebol, sem dúvida, mas não é indispensável para ser técnico e nem significa que quem lá esteve saiba mais. Muitos teóricos, só com graduação fracassaram na tentativa de se tornar técnicos, mas arrisco-me a dizer que talvez o número dos ex-jogadores que fracassaram na mesma tentativa seja maior.
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Felipe Rauen
Com o título acima, o ilustre colunista atleticano Augusto Mafuz se arvorou em porta-voz do além na sua coluna de hoje, 29 de outubro de 2012, psicografando, como se fosse o respeitado Chico Xavier, uma mensagem do falecido eminente prefeito Maurício Fruet, coritibano fiel, pai do candidato ontem eleito para a Chefia do Executivo municipal de Curitiba, e tratou de dar-lhe conselhos sobre como proceder em sua administração. Não, como poderiam todos esperar, no sentido de melhorar a saúde pública dentro dos limites que cabem ao Município, ou a educação pública ou o trânsito, enfim, algo de interesse realmente público, mas sim no tocante ao prosseguimento das obras do estádio da baixada.
Dispensando comentários sobre a indevida e invasiva conduta de querer colocar palavras na boca do ilustre e saudoso falecido e a pretensão de que este do além fizesse recomendações ao filho, - que foi eleito por méritos próprios e não por nepotismo - o conteúdo da coluna do referido colunista não resiste a um mínimo exame.
Primeiro, o conselho para que o novo prefeito não governe como político, mas como administrador é totalmente dispensável, desnecessário e até um tanto atrevido. Gustavo Fruet é homem com passado limpo, nunca envolvido e nem sequer apontado por prática de irregularidades e certamente vai administrar Curitiba com base nos princípio republicanos da impessoalidade, publicidade, moralidade, legalidade e eficiência (Constituição Federal, artigo 37). Não posso imaginar que o ilustre colunista e também operador do direito esperasse que fosse diferente. Ou teria temor de que sejam restaurados tais princípios na questão da Copa do Mundo?
Depois, a afirmação do colunista no sentido de que “só há segurança na sociedade quando o Estado cumpre os seus contratos e as suas obrigações” é correta em tese e assim deve ser em regra. Mas vige somente quando os contratos e obrigações foram firmados com base nos princípios acima referidos, na constitucionalidade e na legalidade.
Tanto o conceito merece temperamento, que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula nº 346, com o seguinte teor: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. O entendimento do STF foi enfatizado em súmula mais recente, a de nº 473, segundo a qual “A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁ-LOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL.”.
E se isso não bastasse, remetendo-me aos textos que aqui produzi anteriormente sobre a inconstitucionalidade dos atos em benefício do CAP, lembro que a desobediência à Constituição Federal é vício que não convalesce nunca, não prescreve e que não cede nem mesmo diante da necessidade de segurança jurídica (como falar em segurança jurídica em relação a ato ilegal e inconstitucional?). Este não é um espaço jurídico, e não quero cansar os caros leitores com mais citações da doutrina e da jurisprudência, mas cabe lembrar ainda que a Constituição Federal é sempre suprema, é a lei das leis, e não se curva perante leis ordinárias, decretos, atos administrativos ou contratos públicos que a violem. Admitir em contrário é que violaria a segurança jurídica.
Fique certo o nobre colunista e os torcedores do seu clube, que se o novo prefeito vier a rever atos que ferem os conceitos republicanos, não o fará por ser coxa-branca, como sutilmente alude o texto, mas sim por ser um administrador republicano tal como o próprio escriba pede que seja. Claro que, se tudo não for atropelado antes de 1º de janeiro de 2013, quando o novo prefeito assumirá.
Estou de acordo somente com uma afirmação do ilustre colunista, no sentido de que o problema não é político, nem de rivalidade clubística, mas da credibilidade pública da gestão da obra. Exatamente é isso que nós, cidadãos, queremos no tocante às obras da baixada. Que a credibilidade das gestões estadual e municipal não se deixe ferir praticando atos de favorecimento, ilegais e inconstitucionais.
Por fim, embora ao contrário do colunista eu não tenha o dom de ouvir mortos e transmitir seus recados (sem nenhum desrespeito a qualquer religião), se pudesse diria ao Prefeito eleito que o seu pai teria mandado dizer “cuidado com os aduladores e falsos profetas”.
PS. A forma do meu texto não foi inspirada em ninguém.
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Felipe Rauen
Passei a ocupar este espaço em outubro de 2010 com muito orgulho por integrar uma equipe da qualidade dos COXAnautas, sítio esportivo dos mais respeitados e acessados do Brasil. Desde então escrevi dezenas de colunas, cada uma com um número maior ou menor de comentários. Em nenhum texto obtive unanimidade, o que é muito bom que tenha ocorrido uma vez que as divergências são fundamentais que sejam expressas para quem manifestou a opinião poder refletir. Alguns comentários discordaram frontalmente do que escrevi, outros concordaram com ressalvas e outro tanto apoiou integralmente o pensamento exposto na coluna. Sempre tive como fundamental em minha vida o respeito à divergência quando expressada de modo fundamentado e sem agressividade.
Mas por que estou fazendo esta introdução?
É porque hoje sou eu que vou discordar, em parte, do pensamento que reina dentre alguns desde a derrota para o Fluminense.
Jogamos bem e só em razão de uma falha do Deivid tomamos o primeiro gol que nos desestabilizou nos minutos seguintes, retomando as ações só depois de superado o impacto emocional decorrente? Sim, sem dúvida.
Perdemos três possibilidades claras – Lucas Claro, Lincoln e Rafinha - de empatar ou até vencer o jogo? Sim, embora eles também tenham perdido em razão de duas defesas importantes do Vanderlei.
Jogamos com bravura e valentia, não desistindo até o último minuto? Também é incontestável.
Foi um jogo onde o empate ou nossa vitória poderia acontecer em razão do volume do jogo?
Concordo.
Perder para o líder do campeonato em sua casa – desta vez sem ajuda da arbitragem – é resultado que pode ser esperado e não desmerece o derrotado? Mais uma vez estou de acordo.
Mostramos ao Brasil que o Coritiba atual é outro em relação há dois meses? Mostramos.
Mas pessoal, nós perdemos!
Assim, embora todos os fatores acima devam ser reconhecidos e sejam incentivadores para os próximos jogos – os quatro próximos muito difíceis – nada há para comemorar. Foi uma apresentação que não permite a ninguém ficar indignado ou inconformado com o time, ao contrário de outras derrotas, mas repito, nós perdemos, nada há a comemorar. E por favor, que ninguém se precipite em dizer que eu preferiria perder com uma má apresentação. Nada disso. O que estou tentando dizer é que quando o time tem uma má apresentação podemos ficar revoltados e reclamar. E que quando atua bem, mas mesmo assim perde, como no caso em comento, aqueles sentimentos não são cabíveis, pelo contrário, devemos reconhecer a boa apresentação e o esforço. Mas nada além disso.
A propósito, lembrei-me do jogo contra o São Paulo no ano passado, em casa, quando perdemos por 4 x 3 e o adversário abriu o placar de 4 x 0 com dois gols do Eltinho (ops. dois gols propiciados pelo Eltinho) e iniciamos uma bela reação, terminando o jogo em 4 x 3 e por pouco não empatando. Nunca aceitei a comemoração da torcida com o resultado naquele dia. Poderia ter ficado, tal como quanto ao último jogo, satisfeita com a apresentação e o poder de reação. Mas dai ao final do jogo cantar “Eu sou coxa-branca, com muito orgulho...” vai uma grande diferença.
Clube de futebol que quer ser grande no cenário nacional e internacional não pode se orgulhar de derrota. Conformar-se pode, quando a equipe joga muito bem e os azares do futebol levam ao mau resultado. Mas de que nos adiantaria se durante a maior parte do campeonato fizéssemos apresentações como a de quinta-feira, mas perdêssemos os jogos? O que a história registraria: as boas apresentações ou a colocação na tabela?
Perdoem-me os que pensaram do modo que hoje contesto. Respeito-os e defendo irrestritamente o direito de dizer em contrário.
Mas, esperando há tanto tempo por uma nova conquista nacional e, no embalo dela, uma internacional eu não posso festejar qualquer derrota do Coritiba, por mais honrosa que tenha sido. Isso seria conduta aceitável para um time como o Ipatinga que, na hipótese de derrota para o atual Fluminense, no Rio de Janeiro, tivesse tido atuação parecida com a nossa. Para eles seria o caso de festejar, de a torcida receber no aeroporto ou até de desfilar em carro aberto pelas ruas da cidade.
Mas para nós não. Para quem quer ser grande além das fronteiras das araucárias, não há - mais uma vez ressalvo o respeito por quem pensa diferente - razão para comemorar qualquer derrota, venha ela como vier. Este é o pensamento que, no meu sentir, distingue os clubes ditos grandes e vitoriosos nos cenários nacional e internacional dos que pensam em chegar ao mesmo patamar.
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Felipe Rauen
Desde a perda da Copa do Brasil do ano passado estabeleceram-se duas correntes de pensamento a respeito do treinador Marcelo Oliveira.
Para uns, a partir do erro grosseiro da escalação do Marcos Paulo, com o qual o time perdeu preciosos vinte e três minutos do jogo decisivo, Marcelo Oliveira perdeu crédito, o que se agravou quando da derrota no último jogo do Campeonato Brasileiro deixando de classificar o Coritiba para a Copa Libertadores da América. O descrédito ficou um tanto suspenso durante o campeonato estadual deste ano e sua conquista, mas foi retomado quando o clube começou o Brasileirão com várias derrotas, sempre justificadas com o argumento de foco maior na Copa do Brasil, ao final perdida novamente.
Para outros, entre os quais estava eu, Marcelo Oliveira tinha sua parcela de culpa, mas ela era menor, devendo-se as más campanhas mais à fraqueza do elenco do que a ele. Na final da Copa do Brasil do ano passado, corrigiu o erro em tempo, mas o Edson Bastos colocou tudo a perder com o frango que levou. No último jogo do Campeonato Brasileiro do ano passado, as individualidades da equipe se apresentaram de forma bisonha, fator tido como mais preponderante do que erros do comando técnico. No campeonato nacional deste ano eu ainda o defendia, assim como outros, mas já então com ressalvas. Até que veio a derrota retumbante para o fraco time da Portuguesa, ocasião em que houve unanimidade sobre a necessidade de trocar o técnico. Na ocasião afirmei em coluna sobre o jogo que o momento havia chegado e que, não fossem por outros argumentos, no mínimo estava na hora de a direção dar uma “sacudida” no time, entregando-o a novo comando.
Pois bem. A troca foi feita, deixando alguns – eu mais uma vez dentre eles – com algum receio inicial em razão de o substituto ser um iniciante no futebol profissional.
Mas a verdade é que o novato Marquinhos Santos em pouco tempo ajustou a equipe, chamando a atenção desde logo o fato de o time passar a ter uma média de menos de um gol sofrido e quase dois gols marcados por partida – e isso com dois volantes - enquanto com o técnico anterior os mesmos números ocorriam de forma inversa, tanto que ainda temos saldo negativo. Nos últimos cinco jogos o time do Marquinhos obteve quatro vitórias consecutivas e um empate, este em ocasião em que a equipe estava sensivelmente desfalcada e enfrentou um clube forte, de boa campanha e que em seus domínios dificilmente deixa de ganhar.
Enfim, embora ainda faltem jogos muito difíceis, em uma sequência onde quase só enfrentaremos equipes fortes, estamos vivendo a melhor fase do campeonato nacional deste ano. Escrevo antes do jogo contra o Fluminense, talvez o mais difícil dos que restam, seja pela alta qualidade do adversário ou seja pelo fato de que algumas coincidências na atuação dos árbitros têm dado sorte ao líder. Penso que, ainda que soframos uma derrota, se acontecer com o Coritiba jogando bem ela será palatável e o fato não abalará o caminho de recuperação da equipe. Se empatarmos, em face daquelas circunstâncias será resultado para comemorar. E se vencermos, além de aritmeticamente ficar definitivamente afastado o risco de rebaixamento, teremos mais razão ainda para comemoração.
Enfim amigos, só não muda de opinião quem não pensa. Mas o objetivo desta coluna não é dizer que em determinado momento eu também acertei. Não. O que quero é dar a mão à palmatória de publico, reconhecendo que os colunistas e comentaristas que afirmavam ser necessária a substituição do técnico o faziam com razão, talvez não até certo momento, mas sem dúvida com fundamento pelo menos a partir do campeonato estadual. Uma pena que nem todos lhes deram ouvidos no momento certo – eu mais uma vez dentre eles - pois provavelmente estaríamos hoje em outra situação na classificação. De qualquer modo, os rumos foram corrigidos ainda em tempo de evitar uma nova catástrofe e se neste ano o máximo que podemos almejar será uma classificação honrosa, para o próximo a previsão é muito boa.
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Felipe Rauen
Como o presente de aniversário anunciado com toda pompa pela direção do Coritiba decepcionou e desiludiu muitos torcedores, tema que já foi alvo de coluna minha e de colegas, mostrando a esmagadora maioria dos comentários a tais textos a mesma frustração, nos resta agora aguardar como presente real e potencialmente de valor efetivo a montagem de um grande time para 2013, desta vez com contratações bem mais ponderadas do que a maioria das feitas no corrente ano.
A montagem de um grande time passa por acerto em apostas em atletas das categorias de base, mesclados com grandes nomes que ditarão o equilíbrio técnico e emocional durante os jogos.
Assim, poderemos manter alguns dos atletas atuais (dispensando muitos), a serem acrescidos com a contratação de outros, dentre eles um grande zagueiro já que tudo indica que o Emerson não ficará no Coritiba. Acertos e erros de avaliação deverão ocorrer, é assim no futebol, não há como escapar. Uma promessa das categorias de base desponta, mas levado à equipe principal fracassa, tal como parece ocorrer com Rafael Silva. Outro joga bem duas partidas e só por isso impressiona como foi o caso do Everton Costa na Copa do Brasil do ano passado. Outro ainda é contratado pelo seu passado distante, como se pudesse ser ressuscitado, caso do Marcel. Por outro lado, gratas surpresas vieram e talvez ainda venham das bases, como é o caso do Lucas Claro e do Denis. E contratações acertadas ocorreram, embora já um tanto tarde mas ainda em tempo, como foram as do lateral Victor Ferraz e especialmente a do Deivid (eu, que tinha dúvidas sobre a relação custo-benefício quanto a ele, dou a mão à palmatória, foi um grande acerto).
Com essas providências, só faltaria o nome do grande craque, aquele que o Brasil tudo admira e que vários clubes tentam ter. Refiro-me obviamente ao Alex.
Ao desembarcar em Curitiba o Alex afirmou que já tinha tomada uma decisão sobre em qual clube jogar, mas que só a anunciaria em dez dias. Como retornou no dia 13 último, a esperada decisão deverá ocorrer no dia 22 próximo.
Desde já é possível juntar as peças das matérias referentes ao tema para prever, com muita probabilidade de certeza, qual será o anúncio.
Primeiro, as notícias sobre Alex já estar “apalavrado” com o Coritiba vieram à tona e nunca foram desmentidas. Depois, declarações do irmão do meia continham insinuações sobre o destino ser mesmo o Coritiba. Logo adiante, ele recusou proposta do Cruzeiro, a qual provavelmente deve ter sido maior do que a ofertada pelo Coritiba. Por outro lado, embora o Palmeiras tenha anunciado interesse na mesma contratação, consta que o Alex não teria aceitado participar de reunião com a direção de tal clube, sem contar que o fato que abordarei a seguir seria um impedimento para o seu retorno aos campeões da Kia.
Pois bem, mas o Alex disse que se de um lado gostaria de encerrar a carreira no Coritiba, de outro não gostaria de fazê-lo na segunda divisão. Não disse, mas sem dúvida é porque o palco apropriado para que brilhe é a primeira divisão, jamais qualquer campeonato de nível inferior, pois ele não se sujeitará a fazer como alguns craques que não souberam encerrar a carreira e saíram a jogar em qualquer equipe de qualquer divisão (exemplos: Túlio e Jardel).
Essa condição já o tira de qualquer alcance do Palmeiras, que está se encaminhando para o seu segundo rebaixamento – como o campeonato brasileiro não é patrocinado pela Kia, está o verde paulista no lugar que merece pela sua qualificação técnica.
Enfim, tudo indica, com mais indícios do que os que estão sendo valorizados no julgamento do “mensalão”, que o Alex quer encerrar a carreira no Coritiba, mas desde que na primeira divisão.
Daí, então, amigos, o título da coluna e a importância do jogo de amanhã. Se vencermos o Náutico estaremos praticamente afastando o risco, bastando depois somar alguns poucos pontos aqui e ali para com certeza ficar na primeira divisão. Os jogos que se sucedem ao do Náutico são todos muito difíceis, em tese, pois na prática a teoria pode ser outra, razão pela qual se torna mais importante ainda uma vitória amanhã.
Vamos lotar o Couto Pereira amanhã e empurrar o time – cujo crescimento técnico e tático é palpável – para ajudá-lo a se manter na primeira divisão e para que no dia 22 próximo o Alex diga que está retornando para casa, onde reencontrará seu ex-parceiro Deivid e deverá ser acompanhado por um bom time a ser montado. Alex foi campeão em todos os clubes pelos quais passou. Só não o foi no Coritiba, e tenho certeza de que tal fator está pesando na sua decisão, mesmo que não o externe. Um título, no final da carreira, no clube onde a começou será o coroamento de uma bela história.
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Felipe Rauen
As três vitórias consecutivas que tivemos – fato que há muito não ocorria – devem ser creditadas a algumas circunstâncias fundamentais, todas ligadas entre si.
O primeiro fator é o equilíbrio tático dado à equipe pelo técnico iniciante Marquinhos Santos, que tem agido com inteligência montando o time de modo a dar preferência para a armação em relação à marcação. Sem dúvida bem marcar é fundamental em um jogo de futebol, mas se dedicar a tal tarefa preferencialmente abre mais caminho para a derrota ou o empate do que para a vitória. Desde que assumiu Marquinhos Santos não vem jogando com três volantes, salvo ao final dos jogos quando está com o placar favorável e necessita reforçar a marcação, tal como ocorreu contra o Bahia com a entrada do Chico.
O segundo fator, que sem dúvida está ligado ao primeiro, pois a iniciativa foi do Marquinhos Santos, é o ingresso e manutenção no time dos promissores meninos que esperavam passagem.
Lucas Claro, que já vinha entrando de vez em quando desde o começo do ano foi perfeito contra o Palmeiras e também contra o Bahia, inclusive fazendo o seu primeiro gol no time profissional do Coritiba.
É promissora a presença do Thiago Primão que, embora venha entrando somente na segunda terça parte dos jogos, no jogo contra o Bahia mostrou, em poucos minutos, que em breve poderá merecer lugar definitivo no time. Jogou muito bem, assim como o Vítor Ferraz que a cada jogo mostra que é melhor do que o Ayrton.
Mas dentre os meninos o que mais impressiona é o Denis Neves. Onde estava escondida essa joia? Por que não era aproveitado antes? Está a anos-luz de distância do limitado Eltinho, aos poucos felizmente esquecido. Ele luta pela posse de bola sem desânimo, desarma bem e arma muito bem. É definitivamente o ala esquerdo do time. Espero que não esteja ligado a empresários e que o seu contrato com o clube seja com prazo longo.
E olhem que os meninos entraram na equipe quando vivíamos uma crise, estávamos colocados nas proximidades da zona de rebaixamento, situação que aos olhos de alguns exigiria que jogadores experientes tentassem mudar a situação. Os jovens, talvez alguns pensassem, não estariam preparados psicologicamente para entrar em momento crítico. Qual nada. Eles entraram com personalidade, mostrando não só bom futebol, mas também muita disposição e a frieza necessária para enfrentar jogos ditos de “seis pontos”.
Outro fator foi o equilíbrio que a equipe vem mostrando nos minutos finais dos últimos jogos. Quando o placar nos é favorável o time não mais se retrai muito, procura manter a bola rodando no ataque e sabe “matar o tempo”, inclusive com substituições ainda que desnecessárias ou tecnicamente inúteis – mas para o efeito de segurar os resultados úteis – como foi tem sido a entrada do Marcel nos últimos minutos. Já estava na hora de parar de empatar ou perder jogos em que estava à frente do placar e tomavámos gol do adversário nos últimos dez ou cinco minutos.
Finalmente, o acerto da contratação do Deivid. Ele joga mal, erra passes e perde gols. Mas não importa, FAZ GOLS, objetivo que os demais supostos atacantes que temos não alcançavam, pois jogavam mal, erravam passes e perdiam gols, mas nunca compensavam com a feitura de algum, especialmente gols decisivos com os do Deivid.
Para encaminhar o encerramento do texto com justiça, não dá para esquecer-se de referir a atuação do Rafinha contra o Bahia. Agudo no ataque, voltando para marcar quando necessário, entortando os marcadores e contido no comportamento que às vezes leva a que receba cartões amarelos. Na minha visão, foi o melhor em campo, embora todo o time na média tenha se conduzido bem.
Dificilmente alcançaremos algo mais no campeonato do que o não rebaixamento ou talvez uma classificação para a Copa Sul Americana. Para a expectativa que se tinha do final do ano passado para este, será pouco. Mas para o que se temia até a pouco tempo, um novo e desta vez catastrófico rebaixamento, está sendo muito. Ainda não dá para já sentir alívio total, um passo de cada vez, mas que as coisas estão se encaminhando bem, estão. Aguardemos com confiança, de olho em outra postura em 2013.
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Felipe Rauen
Há vários dias vinha se criando uma grande expectativa sobre o “presente” que a direção do Coritiba anunciava que iria dar à sua grande torcida quando dos festejos dos 103 anos do clube.
Já em agosto o colunista Airton Cordeiro soltou um balão de ensaio em sua coluna na Gazeta do Povo, dizendo que nosso Presidente tinha sobre a sua mesa um documento cuja conclusão e assinatura seria um grande presente para a torcida.
A espera tornou-se enorme ansiedade quando o Presidente participou da festa de aniversário de uma torcida organizada e lá, em inflamado discurso, depois de rasgar elogios para o aniversariante – o mesmo que um dia foi banido do Couto Pereira - disse que no dia 12 de outubro o Coritiba iria dar uma lição no rival, mostrando que poderia fazer patrimônio sem usar dinheiro público. Sem ser gigolô do poder público, foi a expressão que usou, apropriada, sem dúvida.
Em razão da empolgação do nosso Presidente, a quem muito prezo e por quem tenho muito respeito, criou-se uma grande expectativa. O Coritiba vai construir um novo e magnífico estádio, através de uma parceira privada, é o que se pensava. Até uma maquete com dois edifícios ao lado foi apresentada por um jornal da capital. Se o discurso era tão candente e a expectativa criada tão grande, não poderá ser somente uma reforma do atual Couto Pereira, pensavam muitos, eu dentre eles.
Muito bem, ganhamos o presente. Trata-se de fechamento do terceiro pavimento da Mauá, com a construção de camarotes e ampliação da capacidade do estádio para mais quatro mil torcedores aproximadamente, ultrapassando a casa dos quarenta mil lugares exigidos para a parte final das Copas continentais.
O projeto dado a público é muito bonito, dá a entender que não somente haverá a ampliação como que todo o estádio será modernizado. É o que mostram os diversos ângulos pelos quais se vê como ficará o Couto Pereira segundo imagens constantes do site oficial do clube e republicadas aqui nos COXAnautas.
Espero que o estádio fique tal e qual consta do projeto – normalmente estes são mais bonitos do que o resultado da obra – e que a afirmação do arquiteto Ricardo Amaral no sentido de que "Esse projeto inicia uma nova fase do Couto Pereira, que passa pelo desenvolvimento de um plano diretor que vai readequar AO LONGO DO TEMPO todo o estádio. Seguimos os padrões exigidos pelos órgãos nacionais e internacionais que, além da segurança, garantem maior conforto, mobilidade e acessibilidade aos torcedores" não signifique – o “ao longo do tempo” - que será uma obra como a Catedral de Barcelona(Para quem não sabe uma das maravilhas arquitetônicas do mundo que foi iniciada em 1883 e até hoje não está concluída embora sempre em obras. A comparação é muito exagerada, reconheço, mas tem o sentido de dar ênfase à preocupação).
Se houve engano na afirmação ou na captação dela e a expressão “ao longo do tempo” significar “em breve”, e se o resultado do projeto for o que está sendo apresentado, tudo bem, ficaremos em nosso terreno histórico, palco de tantas glórias, com um estádio moderno e bonito, mas não dá para negar que um gostinho de “quero mais”, ficou, ao menos para mim.
Mas se isso é o que poderia ser responsavelmente feito, temos que nos dar por satisfeitos, pois sabemos que o Coritiba tem um passivo alto a realizar, oriundo de administrações que, para dizer o mínimo, não foram lá muito responsáveis. Um parêntese: Há alguns anos, antes do clube adequar dívidas através da Timemania, estive no Tribunal Regional Federal da 4º Região, aqui em Porto Alegre, onde desaguam os recursos das Varas Federais de Curitiba e examinei as dezenas de processos a que o Coritiba respondia. Fiquei impressionado com as irresponsabilidades quanto ao não recolhimento de impostos e contribuições sociais ao longo de vários anos.
Então tudo bem, se não gostamos de receber dinheiro público e se não encontramos um empreendedor privado que se dispusesse a construir um novo estádio em parceria ou recebendo em troca o atual Couto Pereira, talvez a melhor solução fosse mesmo um paliativo. Nã se não se pode falar em decepção, de modo algum, mas não dá para negar alguma frustração houve. Pelo menos eu sinto.
Porém, se a direção decidiu com os pés no chão, visando a que o Coritiba possa crescer sem separar o binômio “patrimônio-conquistas no futebol”, está bem. Se o presente for completado com a contratação do Alex ainda neste ano, ótimo. Se a partir de 2013 montarmos um grande time e avançarmos no cenário nacional e quem sabe internacional, o estádio reformado estará de bom tamanho. De nada adiantaria uma casa melhor se quem a ocupar não souber valorizá-la e nela bem viver. Por bem viver, no caso, se entenda conquistas de porte.
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Felipe Rauen
Na próxima sexta-feira, 12 de outubro, feriado nacional para mim também por causa dessa comemoração, o Coritiba completará 103 anos de pujante vida.
Sei que o momento não é muito bom para o clube. Ainda não afastamos o risco de um novo rebaixamento, o que seria catastrófico, e no jogo de quinta-feira poderemos ter novas perspectivas a respeito, espero que positivas. Mas é festa de aniversário, amigos! Mesmo que o dia da comemoração nos encontre ainda mal colocados na tabela, mesmo que tenhamos insatisfações quanto a um ou outro ponto em relação ao time e a sua administração, a comemoração de nossa história deve sublimar quaisquer sentimentos negativos.
Sabemos que já passamos por maus momentos em nossa trajetória, mas eles constituem minoria e sempre deles soubemos nos reerguer. Sofremos um injusto rebaixamento por força de um “canetaço” e três por deficiências técnicas, o último deles levando o Coritiba à execração pela má conduta de alguns torcedores, que a mídia tentou estender ao clube e sua torcida como um todo, mas nos reerguemos. Temos dívidas irresponsavelmente acumuladas por gestões que não se conduziram bem nesse aspecto, as quais certamente concorrem para que não cresçamos como queremos.
Mas e daí? Isso vai impedir comemorar uma história tão bonita como a nossa? Alguns tropeços de pouquíssimos passos não podem manchar a longa caminhada desenvolvida e as várias conquistas alcançadas nesses 103 anos de vida. Vamos esquecer os maus momentos e lembrar-se dos bons. É assim também que procuramos nos comportar em nossas vidas. Quando um amigo ou familiar comemora aniversário, quando um casal festeja bodas, nas festas de formatura, enfim em tantas outras ocasiões deixamos de lado ressentimentos para lembrar os bons momentos que vivemos com aqueles. Tratemos de comemorar o aniversário daquele que faz parte de nossas vidas, relembrando seus bons momentos e glórias.
Pois então desde já quero me orgulhar da história do meu clube que, em 98 (noventa e oito) campeonatos estaduais disputados, obteve 36 (trinta e seis) títulos, uma média superior a 1/3, ou mais do que um título a cada 3 (três) anos. É o único que conseguiu um hexacampeonato e o que por mais vezes o foi de modo invicto. Os dois rivais da capital, somados, não alcançam o nosso número de títulos estaduais.
Quero saudar o primeiro clube do futebol brasileiro a adotar as cores alviverdes, associando-as às do seu Estado. Quero saudar o clube que tem nome único no Brasil. Que não copiou o de clube de outro Estado e nem as suas cores.
Saúdo o único clube de Curitiba que construiu seu estádio com recursos próprios, oriundos dos seus associados e torcedores, nunca recebendo um saco de cimento pago com dinheiro público, enquanto o principal rival o faz de modo escandaloso e o outro utiliza estádio construído por estatal ferroviária. A propósito me vem à lembrança o orgulho com que meu saudoso pai contava que esteve no jogo da inauguração do então Belfort Duarte, com 16 (dezesseis) anos de idade, e da sua emoção ao ver um avião fazer um voo rasante e lançar a bola do jogo. Não esqueço que, também muito jovem, estava no estádio quando simbolicamente foi iniciada a derrubada das sociais de madeira para o começo da reconstrução que redundou no atual Couto Pereira. Aliás, parece que a propósito do estádio no dia do aniversário receberemos o que a diretoria está denominando de “presente”, mas sobre tal enfoque prefiro cautela e aguardar o que virá para então comentar. De qualquer modo, sem dúvida é alvissareiro saber que algo está sendo feito quanto ao velho Couto ou sua nova casa.
Regozijo-me com o primeiro clube paranaense a ser campeão brasileiro, decidindo o título em partida única, fora de casa, com 90% da torcida presente no estádio torcendo contra os bravos 10% de coritibanos que foram ao Rio de Janeiro com esperanças e voltaram com a glória.
Orgulho-me do clube que está cinco lugares no ranking da CBF à frente do rival local. É o 13º no ranking nacional, ou seja, o primeiro logo após os 12 (doze) maiores clubes do eixo Rio-São Paulo-Minas Gerais-Rio Grande do sul. No ranking mundial atual (IFFHS) é o 109º do mundo, o 7º do Brasil.
Vibro com a lembrança do meu time campeão do Torneio do Povo, campeonato nacional de expressão na época e para o qual eram convocados somente os clubes com maior torcida dos maiores estados, daí a nossa participação.
Tenho convencimento de que somos a maior torcida dentre os times de Curitiba, pois em quase todos os anos temos a maior média de público do futebol paranaense nos campeonatos estaduais e nos nacionais. Saúdo a torcida, em especial aos que são associados, e também em especial àqueles que, associados ou não, vão aos jogos com camisas e bandeiras do clube.
É pouco?
Pois lembremo-nos então que o Coritiba detém o recorde mundial de vitórias consecutivas.
Mostremos a todos que, embora fundado pela colônia alemâ em Curitiba, o Coritiba foi o primeiro clube paranaense a ter em seus quadros um atleta negro, Moacir, em 1931, em tempos nos quais o racismo ainda era forte (a abolição da escravatura não tinha completado 50 anos e seus efeitos ainda se faziam presentes), enquanto o rival, por muito tempo só integrado pela aristocracia (lembram que o seu símbolo era um torcedor de fraque, cartola e monóculo?) e por políticos (estes parece que até hoje), só teve o primeiro afrodescendente vestindo a sua camisa em 1962 (Amauri), quando já haviam decorrido cinco anos do começo da luta de Martin Lhuter King nos EUA em defesa da não segregação racial.
E importante é que não nos esqueçamos também de que o Coritiba é o maior vencedor de atleTIBAS, com folga. E que é também o maior vencedor de paraTIBAS, assim como o era perante o clube gênese daquele, o Ferroviário.
Enfim, amigos, indiscutivelmente o Coritiba é o maior clube de futebol do Paraná e, na comparação com o rival, em face dos dados que antes lancei também é o time paranaense com maior expressão perante o Brasil.
Claro, queremos muito mais. Queremos um dia, e logo se possível, avançar na cotação dentre os melhores do Brasil. Queremos outro(s) título(s) nacional(is) em campeonatos de elite. Queremos, por que não, um campeonato continental. Como sonhar é o impulso para tornar os desejos em realidade, por que não sonhar com um título mundial? Nada é impossível para quem mira grandes alvos e se dedica com competência a atingi-los. Não me lembro de quem é a frase, mas é apropriada: “Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade”.
Parabéns, Coritiba. Parabéns, dirigentes, atletas e demais profissionais. Parabéns principalmente aos torcedores, a razão e fundamento do clube.
Que nosso aniversário deste ano seja ponto de partida para uma nova fase de glórias.
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Felipe Rauen
Estava devendo aos amigos leitores a conclusão dos capítulos sobre o tema da ilegalidade e imoralidade dos favores públicos em benefício do nosso rival na reconstrução do seu estádio, no tocante ao que se poderia fazer para tentar impedir a dilapidação dos cofres públicos ou pelo menos obter o ressarcimento perante os beneficiários.
Pois bem, vou quitar o débito.
Temos duas hipóteses. Vou abordá-las do modo mais sucinto possível, não reproduzindo os textos legais a que me refiro para evitar que a leitura fique cansativa, mas os amigos leitores podem buscar todos eles no site www.planalto.gov.br. Quero deixar claro que de modo algum tenho a pretensão de tentar ensinar quem quer que seja a respeito das medidas e nunca reivindicarei a paternidade dos fundamentos caso alguém entenda de usá-los, ainda que em parte, no possível patrocínio de uma delas ou ambas.
Uma das medidas seria a de alguns cidadãos representarem junto ao Ministério Público, através da Procuradoria Geral da Justiça, pedindo a instauração de inquérito civil para o efeito de posterior ajuizamento de ação de improbidade contra todos os envolvidos e através dela alcançar o ressarcimento dos cofres público.
O inquérito civil tem previsão no § 1º, do artigo 8º, da Lei Federal nº 7.347/1985, visando à apuração de responsabilidades por improbidade e, delas convencido, ajuizar o Ministério Público ação civil pública com amparo no artigo inciso IV, do artigo 1º, da mesma lei e mais o artigo 17, da Lei nº 8.491/1992, pela caracterização da improbidade de acordo com o artigo 10, incisos I e II, da mesma lei.
Vislumbro menor ou mais demorada eficácia nessa medida – o que não significa inutilidade, ou que não seja conveniente e nem de que ao final não resulte de modo positivo e menos ainda de que o Ministério Público não será diligente – mas sim porque se trata de procedimento apenas prévio durante cujo transcurso todas as ilegalidades podem se consumar. De qualquer forma, ainda que o procedimento possa ser demorado e encontrar os fatos consumados durante o seu curso, para só depois ser ajuizada a ação de improbidade pelo Ministério Público, o uso da medida seria importante.
A outra iniciativa, esta com mais eficácia, talvez imediata, e de maior importância sem dúvida, e que não colide com a primeira, seria o ajuizamento de ação popular constitucional, para a qual estão legitimados quaisquer cidadãos em gozo dos seus direitos políticos (em dia com as obrigações eleitorais).
A ação popular está prevista no artigo 5º, LXXIII, da Constituição Federal e Lei Federal nº 4.717/1965, que, embora anterior à Carta maior, por ela foi recepcionada. Tal ação tem como objetivo que o cidadão – substituindo o Estado quando ele não agir – exerça o poder/dever de buscar anular ato lesivo ao patrimônio público e a moralidade administrativa, dentre outras hipóteses, sendo o(s) autor(es) isento(s) do pagamento das despesas processuais e ônus da sucumbência, salvo quando “comprovada” má-fé no ajuizamento da demanda, conduta que sem dúvida jamais se caracterizará no caso pois fundamentos de fato e de direito sobram para o pedido.
A ação deve ser ajuizada contra o Estado do Paraná, a Agência de Fomento do Estado do Paraná, o Município de Curitiba, Orlando Pessuiti – na condição de governador que sancionou a Lei Estadual nº 16.733/2010, Luciano Duci – na condição de sancionador da Lei Municipal nº 13.620/2010 – o Clube Atlético Paranaense e a CAP S.A. Arena dos paranaenses, os primeiros como autores e os últimos na condição de beneficiários dos atos impugnados. A pessoalização do ex-governador e do atual prefeito é exigência do artigo 6º “caput”, da lei da ação popular antes referida.
Os fundamentos podem ser os que constam nos colunas anteriores que postei sobre a matéria, mas certamente serão enriquecidos pelo(s) advogado(s) que eventualmente aceite(m) patrocinar a causa, ou até desprezados se encontrarem outra linha argumentativa. Estou escrevendo sobre o tema como torcedor e apóstolo do Coritiba, uma vez que entendi muito tímidas as manifestações em contrário, enquanto fortes as opiniões com o fundamento da prioridade da Copa do Mundo mesmo que a custo da não preservação republicana do patrimônio público.
O pedido, na minha ótica, assim poderia se desdobrar:
a) Requerimento de liminar visando a suspensão de todos os atos impugnados, com fundamento tanto no bom direito que amparará o(s) autor(es) da ação, como no evidente risco de o resultado de julgamento pela procedência do pedido, ao final de um demorado processo, encontrar fato consumado e então poder tornar-se a reparação dos cofres públicos difícil e incerta. Não há porque se preocupar com a vedação de liminares contra o Poder Público prevista no artigo 1º, da Lei Federal nº 8.437/1992, pois o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que tal proibição não se aplica à ação popular: “O art. 1º da Lei 8.437/92 veda liminares em favor de quem litiga com o Estado. A vedação nele contida não opera no processo de ação popular. É que, neste processo, o autor não é adversário do Estado, mas seu substituto processual” (STJ – 1ª T, RMS 5.621-0, Min. Gomes de Barros, j. 31.5.95 DJU 7.8.95 e no mesmo sentido STJ 6ª T, REsp 73.083, Min. Fernando Gonçalves, j. 9.9.97, DJU 6.10.97 e RSTJ 105/193, informações constantes do CPC anotado de Theotônio Negrão e outros, 44ª edição, em nota ao pé do artigo 1º, da Lei nº 8.437/92.
b.1) Intimação ao BNDES, também em sede de liminar, para que não libere o empréstimo acordado com o Estado do Paraná;
b.2) Se já liberados os valores, a intimação do Estado do Paraná para que não os repasse à Agência de Fomento do Estado do Paraná, pedido também a ser incluído no de liminar;
b.3) Mais uma vez em caráter liminar, caso já repassados tais valores, a intimação da Agência de Fomento do Estado do Paraná para que não celebre o contrato de mútuo com a CAP S.A.
b.4) Na hipótese de já celebrado o contrato e repassado os valores, seja qual for o montante, liminarmente a determinação ao Banco Central do Brasil para que proceda ao bloqueio dos valores nas contas bancárias utilizadas pelo Clube Atlético Paranaense ou o a CAP S.A.
b.5)A proibição ao Município de Curitiba, também através de liminar concomitante, quanto a autorizar obras acima do coeficiente de aproveitamento básico que tenha como amparo as cotas concedidas aos dois últimos réus.
Os pedidos devem ser feitos em caráter concomitante e não sucessivo, uma vez que aguardar que cada um dos primeiros réus informe, um a um, que não pode cumprir a liminar por já esgotado seu objeto, seria permitir que o processo somente na fase inicial se prolongue demasiadamente, perdendo o seu caráter de eficácia para pronto impedimento de lesão ao patrimônio público.
Deve ser pleiteada também intimação do Ministério Público para acompanhar a ação em todos os seus termos conforme prevê o § 4º, do artigo 6º e § 1º, do artigo 7º, ambos da Lei nº 4.717/1965 e para zelar pelo sucesso da mesma, cumprindo a nobre função que lhe é outorgada pelo “caput” do artigo 127, da Constituição Federal e artigo 1º, de sua Lei Orgânica e em especial o encargo constante do § 4º, do artigo 6º, da mesma Lei nº 4.717/1965. Nessas ações, ao Ministério Público é vedado “em qualquer hipótese, assumir a defesa do ato impugnado ou dos seus autores”.
Quanto ao pedido material final, penso que deve visar a decretação de invalidade de todos os atos impugnados já narrados em colunas anteriores, bem como a condenação dos dois últimos requeridos à devolução dos recursos que tenham utilizado e decorram daqueles atos, tudo devidamente atualizado quando do cumprimento da sentença, e ainda a condenação dos quatro últimos requeridos a indenizar o Estado do Paraná e o Município de Curitiba por perdas e danos, imputando a todos os réus, de forma solidária, o pagamento das custas processuais e honorários advocatícios em favor do(s) patrono(s) dos autores.
Registro que honestamente me obrigo a dizer que tenho como difícil a concessão da liminar, e se concedida é possível a cassação pelo Tribunal, ou se mantida por este muito provavelmente poderá ser revogada pelo Superior Tribunal de Justiça. Não vou iludir os amigos a respeito. Tal temor não decorre, de modo algum, de injuridicidade da pretensão, mas sim de razões que possam ser decorrentes muito mais do interesse na realização da Copa do Mundo em Curitiba do que jurídicas. Se concedida e mantida a liminar, ótimo. Se não, tenho segurança – aqui sim - de que ao final do processo haverá sentença condenatória, então não mais de modo a impedir os fatos, por encontrá-los consumados, mas para o efeito de obrigar a devolução dos recursos e indenização dos cofres públicos, mesmo que assim ocorra daqui a alguns anos.
Se ajuizada a ação e dado a público o fato, os seus autores estarão mostrando à sociedade que a cidadania não está aceitando mansamente as lesões ao patrimônio público e que se os homens públicos estão silientes, ou alguns poucos fazem oposição mas não de modo efetivo e eficaz, os cidadãos, dos quais “todo o poder emana” conforme princípio constitucional estarão mostrando a sua indignação e que procuram defender a coisa pública já que os seus representante não o fazem.
Dando por quitado meu compromisso – mas mantendo-me a disposição para discutir alguma dúvida – a partir da próxima coluna voltarei aos temas referentes ao clube e ao desempenho do time.
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