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COXAnautas

Bola de Couro

AtleTIBA do obscurantismo e o Ministério Público

21/02/2012 17h53
Felipe Rauen

Os colegas Ricardo e Percy já escreveram, com muita propriedade como sempre, sobre a decisão absurda da realização do Atletiba de amanhã com torcida única. Permito-me, porém, contando com a licença de ambos, adicionar algumas considerações àquelas bem lançadas e lúcidas observações.

A decisão, resultante de “acordo” entre o nosso adversário, a Polícia Militar e incrivelmente o Ministério Publico, encerra um retrocesso que não merece outra denominação que não a de obscurantista, e retrata a falência dos órgãos responsáveis pela boa condução do evento que é uma das marcas maiores – se não a maior – da vida curitibana.

Falência dos órgãos responsáveis, a uma porque, em face do disposto no artigo. 14, do Estatuto do Torcedor,” a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes, que deverão:
I – solicitar ao Poder Público competente a presença de agentes públicos de segurança, devidamente identificados, responsáveis pela segurança dos torcedores dentro e fora dos estádios e demais locais de realização de eventos esportivos;”

E a duas porque a brava Policia Militar do Paraná tem o dever e o poder de garantir a segurança de todos no estádio e seu entorno, ainda mais em se tratando de evento com previsão de comparecimento máximo de 9.999 (de onde esse número? Cabala?) pessoas. Se para tanto diz que não está habilitada, o que ocorrerá quando Curitiba reunir, algum evento com vinte ou trinta mil pessoas ou mais? Afirmar que não é possivel garantir a segurança “no estádio” é, perdoem-me os briosos policiais militares paranaenses, confessar absoluto despreparo, até porque, parafraseando o ministro Gilmar Mendes, até as pedras estão cansadas de saber que as arruaças e brigas ocorrem na periferia e terminais de ônibus e não nos estádios, quando são facilmente controláveis.

Obuscarantista (no sentido de revelar estado de espirito oposto à razão e razoabilidade e de fuga de responsabilidade) porque denigre a imagem dos torcedores da dupla, como se todos fossem vândalos malfeitores, e em consequência leva a cidade de Curitiba para o noticiário nacional como se, depois de ser por tanto tempo louvada por suas qualidades, além de ter um povo beligerante teria uma Polícia Militar que se confessa ineficiente ela é quem se diz) para administrar um evento com público que não pode ser considerado nada mais do que médio.

Quanto ao Ministério Público, difícil entender como, depois de afirmar categoricamente que não abria mão de ver preservada uma norma de ordem pública, qual seja o Estatuto do Torcedor, de modo a garantir o mínimo de lugares à torcida não-mandante, transigiu e concordou com a não aplicação da lei.

De acordo com o artigo 1º, de sua Lei Orgânica, “ O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”.

Ora, a previsão do Estatuto do Torcedor, que garante 10% dos ingressos para a torcida da equipe visitante, é norma de ordem pública, em relação à qual não cabe acordo ou transação, como é possível nas relações de direito privado. Menos ainda cabe ao órgão encarregado de zelar pela “defesa da ordem jurídica” e dos “interesses sociais e individuais indisponíveis” transigir. Difícil entender.

Além do mais, embora a opinião pública pense às vezes pense em contrário, o Ministério Público não tem poder de decisão. Cabe-lhe requerer, propor, ajuizar, opinar, investigar, etc., mas jamais decidir litígios, função que é monopólio do Poder Judiciário. Assim, embora tudo indique que a intervenção do Ministério Público em casos como o em análise seja louvavelmente preventiva, caso não atendido ou não ouvidas suas ponderações, não tem ele o poder de “proibir” o evento nessas ou naquelas circunstâncias. Se entender que há risco à segurança e não é ouvido, o que lhe resta é ajuizar ação para que o Poder Judiciário, o único ente estatal que pode dizer o direito, decida se e como é possível realizar o evento.

Mas o erro está cometido. Vamos aguardar quais serão as consequências para a imagem do tão sofrido futebol paranaense.

Seja qual for o resultado do clássico – claro que melhor se nos for favorável – estará ele marcada como uma triste página na história do futebol paranaense.

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Sonho de uma noite de verão

17/02/2012 18h58
Felipe Rauen

Descansando na praia, o relaxamento natural que o litoral proporciona tem feito com que eu durma mais tempo e mais profundamente.

Noite dessas, porém, tive um pesadelo que se iniciou como um sonho alegre e aos poucos foi ficando desesperador. Vou compartilhá-lo com os amigos.

Pois não é que sonhei que vivia o ano de 2003 e acompanhava o time do Coritiba. Na época com um excelente goleiro, Fernando, e um ala esquerdo, jogador de seleção que até hoje e reconhecido no mundo, Adriano. Marcel ainda sabia jogar futebol e Tcheco, nove anos mais moço, jogava mais e reclamava menos. Fomos campeões estaduais invictos, o que não ocorria desde os anos 1940 e, grande conquista, no campeonato brasileiro nos classificamos para a Copa Libertadores da América. Tínhamos um técnico iniciante que parecia ter um futuro promissor, o que não se confirmou depois, mas enquanto nos prestou serviços foi eficiente.

Estava tão bom o sonho que não queria acordar.

Logo meu devaneio me levou a 2004, mais aí já começando o sonho a ser turvado pela lembrança da contratação do vetusto Antônio Lopes, que jogou fora a possibilidade de uma boa campanha da Copa Libertadores ao insistir – carioca exxperto esse – que o time deveria ter um jogador que falasse espanhol e trouxe o tal de Esmerode (!) para essa função. Embora não soubesse jogar bola e fosse fator decisivo para que fossemos goleados já na primeira partida, pelo menos dialogou com o árbitro e os adversários em sua língua pátria como queria a triste figura do treinador.

Mas logo o sonho voltou a ser prazeroso, ao me vir à mente a efetivação do Miranda e as contratações do Luís Mário e Tuta (Aristizábal não computo pois passou mais tempo suspenso e lesionado do que jogando). Novamente campeões paranaenses, dessa vez em plena baixada e com um gol antológico do Tuta e a imagem inesquecível dele com o dedo indicando o silencio da torcida rubra que comemorava antes da hora. Se alguém me visse dormindo naquele momento, certamente veria alguém sorrir durante o sono, se é que isso é possível.

A partir daí, porém, a noite começou a se tornar pesadelo.

Lembrei que em nome da equalização das dívidas, nos desfizemos de Fernando, da revelação Rafinha, de Miranda e Adriano. O primeiro, segundo o presidente da época, dispensável pois o então preparador de goleiros teria afirmado que Douglas e o espalhafatoso Vizzoto o substituiriam à altura(!). Os demais, em face da situação quase falimentar do Coritiba, foram cessões necessárias cujos rendimentos serviram para quitar dívida astronômica e liberar de penhora o nosso CT.
Até aí tudo bem, embora pareça desaconselhável se desfazer de um setor inteiro da equipe ao mesmo tempo, como foi com a defesa e como seria, por hipótese, em se tratando da meia-cancha.

Mas, ainda no meu sonho, imaginava que substitutos à altura seriam aos poucos contratados, para isso usando o clube de “olheiros” que os descobrissem ainda sem valorização no mercado, ou usando algum jovem das categorias de base, uma vez que não poderia pagar por atletas caros e renomados.

Infelizmente, a esperança do meu sonho era mesmo sonho de uma noite de verão. Em 2005 vieram para o Coritiba figuras como Rodrigo Batata, Peruíbe, Capixaba, Caio, Renaldo e Alcimar, dentre outros à mesma ou menor altura. Aquele último foi contratado por ter sido visto em apenas um jogo, quando o Coritiba enfrentou o Icasa no Ceará e ele se destacou, como se destacar em meio à mediocridade fosse mérito.

E meu pesadelo logo me levou à última partida do campeonato brasileiro, quando já estávamos rebaixados e só vitória com uma combinação de resultados favoráveis nos livraria do descenso. Não deu certo, todos nos lembramos daquela partida e da emoção que tomou conta de nossa torcida e das consequências para o clube nos anos seguintes.

Aí acordei suando em bicas e com taquicardia. Depois de alguns segundos me recompus e pensei: meu Deus, que isso nunca mais se repita, pois meu coração e os de muitos coritibanos não aguentarão.

Que não mais se contrate um atleta apenas por causa de uma boa atuação na Copa do Brasil, envergando camisa de time pequeno onde quem tem um olho é rei. Que nunca mais nos desfaçamos de um setor inteiro de uma equipe vitoriosa e o substituamos por atletas que nunca podem ser denominados de “reforços” e nem mesmo de “reposições” na estrita acepção do termo. Que não mais tenhamos na equipe jogadores apenas “rodados”, às vezes buscados em mercados futebolísticos menores como os asiáticos, mas sim atletas que aliem experiência a carreira vitoriosa. Que não tenhamos medo de experimentar destaques das categorias de base, revelando outros Rafinhas, Mirandas e Adrianos.

Ainda bem que vivemos outros tempos e foi apenas um pesadelo de uma noite de verão.

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Três rodadas e Lucas Mendes

29/01/2012 14h30
Felipe Rauen

Esperei três rodadas para escrever sobre o atual time do Coritiba. Não há como formar convicção em tão pouco tempo – e as convicções, ao contrário dos princípios – podem ser mudadas se mudarem os fatos e nosso modo de pensar. Não há nenhum problema ou incoerência nisso, e só o futuro dirá se o que escrevo hoje será o acerto de amanhã.

A primeira partida, contra o Toledo, não entusiasmou, mas era natural que assim fosse, pois o time tinha novos componentes que conheciam os antigos só pelos treinos e era normal que jogassem sob alguma tensão pelo fato de se tratar de estreia. Mas ali já deu para ver que alguns prometiam como foi o caso do Renan Oliveira nos escassos minutos que jogou.

A segunda partida já mostrou significativa evolução. Embora jogando em nossa casa, o genérico paranaense do clube com a segunda maior torcida do país e o primeiro mais odiado, sempre nos deu trabalho. Ali, as antigas estrelas – Emerson, Davi, Rafinha, etc. – mostraram o bom futebol que têm e mais uma vez Renan Oliveira em poucos minutos mostrou e reforçou a convicção de que tem muito potencial.

Ontem, contra o Iraty, o time foi muito parecido com aquele que encantou o Brasil no primeiro semestre do ano passado. Organizado, fluía em campo e, quando se sentiu ameaçado pelo gol do adversário, partiu para cima e o massacrou. Desta vez, jogando em torno de trinta minutos, Renan Oliveira foi o destaque do jogo.

Espero, com muita vontade de acertar, que Renan Oliveira repita as apresentações e confirme as expectativas, embora todos saibamos que em futebol os atletas, mesmo os de primeiro linha, têm seu dia de inferno astral. Mas o importante é que temos uma grande perspectiva com o Renan. E vejo outra vantagem se ele confirmar o bom futebol, assim como o Davi: cada vez haverá menos lugar para o Everton Costa no time e no banco. Um parêntese necessário. Em relação ao indigitado, minha convicção de que foi uma má e desnecessária contratação não decorre de ver algumas atuações no Coritiba – quase todas más ou no máximo regulares, salvo contra o Palmeiras – mas sim do acompanhamento em dois anos – dois anos – em que jogou(?) pelo Internacional e Grêmio. Aliás, o Coritiba não tem muita sorte na prospecção de jogadores gaúchos de times menores. Alguém se lembra do Jeferson, cujos direitos foram adquiridos junto ao São José em 2010? Jogou poucas partidas, todas mal, e agora onde está? Não sei, mas certamente emprestado a algum time de menor expressão.

O outro ponto que quero abordar, e que dá um dos títulos à coluna, é sobre o Lucas Mendes. Temos o costume de elogiar e idolatrar os artilheiros e às vezes os goleiros que nos salvam de derrotas, mas esquecemos dos jogadores que mantêm regularidade na qualidade, jogam sério e para a equipe. Lucas Mendes, a cada jogo que assisto tendo que ouvir o narrador ou o comentarista dizer que “está improvisado na ala esquerda”, se firma e cresce e já está na hora de merecer destaque e homenagens da torcida e parar de ser chamado de “improvisado” Aliás, sempre que o vejo atuar, lembro dos 4 x 3 sofridos contra o São Paulo quando Eltinho foi o coautor – sim, pois quem concorre para o crime é coautor – de dois gols do adversário. Sei que no futebol não tem “se”, mas estivesse Lucas Mendes em seu lugar, com a sua seriedade habitual, teria sido assim? E, ainda no campo da mera conjectura, quem sabe podem ter sido esses os pontos que nos faltaram para uma classificação à pré-Libertadores?

Lucas Mendes é “o cara”, como disse Obama.


Naquele tempo:
Vou tentar inaugurar um espaço na coluna. O anterior, “o comentário do comentarista” não prosperou, por razões que prefiro não expor. Abro, então, um espaço para a “velha guarda” contar para aos mais novos fatos importantes ou especialmente pitorescos do Coritiba do passado. Não que “aqueles tempos” fossem melhores, já disse isso em outra coluna, mas a grande permanência dos atletas nos clubes e a característica semiprofissional de então davam azo a tais histórias ou estórias.

Começo narrando um episódio sobre o Nico, atleta que envergou (era a expressão da época) a camisa do Coritiba de 1959 a 1971. Zagueiro forte, mas leal (não me lembro de vê-lo expulso algum dia), era dotado de amor ao Coritiba que se caracterizava pela até hoje inigualável raça.

Pois bem, conta-se que em meio àquele período, quando o futebol era semi-amador, venceu o contrato do Nico com o Coritiba e o dirigente Miguel Cecchia o procurou em casa para tratar da renovação, ver quanto ele queria “de luvas”, que era como se diz na época. Nico, na pureza que lhe era inerente, um tanto encabulado disse que estava por casar. E que se o Coritiba lhe desse a mobília do quarto de casal estaria tudo acertado. E foi.

Peço aos amigos que conhecem fatos pitorescos como este, mesmo que de gerações mais presentes, que os enviem para publicação.

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Ainda a cessão do Couto Pereira e os associados

25/01/2012 21h58
Felipe Rauen

Hoje – terminou há poucos minutos - o TJD/PR decidiu, por maioria de votos confirmar a liminar que o seu Presidente havia conferido ao Coritiba para que não fosse obrigado a “ceder” o estádio Couto Pereira à FPF e consequentemente aos rubros. Aceitou o principal argumento no sentido de que o inciso IV, do artigo 46, do Estatuto da FPF só concede a ela o direito de requisitar praças de esportes para o seu uso e não para servir a interposta pessoa para que os estádios sejam utilizados os outros clubes. Tratei disso na coluna do último dia 13, e entendo que em termos estaduais a situação está resolvida, até porque eventual recurso ao STJD não prosperaria tamanha a correção da interpretação dada pela Justiça Desportiva local.

Obrigo-me a alertar aos amigos, porém, que lamentavelmente assim não é em relação ao campeonato brasileiro, uma vez que o Regulamento Geral das Competições da CBF para 2012 tem regra clara que torna difícil um enfrentamento jurídico.

Diz o artigo 7º, inciso 11, de tal regulamento, que é obrigação dos clubes “ceder os estádios de sua propriedade para as competições, quando tais estádios forem formalmente requisitados pela CBF”.

Vejam a diferença. O Estatuto da FPF fala em ceder à ela, federação, e não para competições, enquanto que o Regulamento da CBF é claro no sentido de que a obrigação é “para as competições”. Não vou repetir argumentos que usei na coluna anterior, mas quase todos eles aqui poderiam ser aplicados de forma inversa.

Mas isso é o aspecto jurídico da questão, de modo que, se estiver por se concretizar a requisição pela CBF, o Coritiba tem que saber tratar politicamente o assunto, se adiantando para tentar impedir ou ao menos minorar os danos que sofrerá.

Primeiro, caberia mostrar à CBF que a simples ameaça de cessão do estádio causou tamanha comoção e revolta na torcida do Coritiba, que a requisição do Couto Pereira poderia levar a cidade a situações de insegurança inimagináveis. Não aceito e repugno a violência entre as torcidas bem como as verdadeiras gangues que se formaram entre elas (parte delas nos dando um prejuízo irreparável em dezembro de 2009), mas não há como afastar que é forte a probabilidade de consequências imprevisíveis e altamente danosas à cidade e às pessoas se a requisição acontecer.

Depois, seria o caso de lembrar que os jogos da segunda divisão acontecem normalmente nas terças e sextas, e às vezes nos sábados. O Coritiba, por sua vez, jogará nas quartas e domingos e às vezes no sábados. É certo que, se na véspera houver um jogo da série B, não haverá tempo para limpar – e talvez consertar acessórios – o estádio até o dia seguinte.É também altamente previsível que, se durante um jogo dos rubros na véspera houver chuva forte – chover seguidamente é uma característica de Curitiba – o gramado estará em péssimas condições para no dia seguinte ocorrer jogo do Coritiba, especialmente, por exemplo, contra o Flamengo ou o Corinthinas transmitida pela TV aberta para todo o Brasil.

Já a requisição da Vila Capanema penso que não traria o mesmo risco, uma vez que de um lado a rivalidade entre os rubros e o clube das fusões é bem menor, assim como significativamente menor a torcida deste. E de outro, como os jogos do campeonato brasileiro, seja qual for a divisão, quando na mesma cidade há dois clube disputando sempre são marcados pelo sistema um-em-casa-outro-fora, ou seja, quando o Paraná jogar em Curitiba, o Atlético estará em Arapiraca, por exemplo. Assim, não haveria danos maiores ao gramado e o estádio sempre poderia ser limpo e preparado de um jogo para o outro.

Outras considerações podem ser feitas, no campo da política de relacionamento com a CBF, uma vez que, como sumariamente afirmei antes, juridicamente seria muito difícil vencer a batalha.

Se a cessão for inevitável – não esqueçamos que a CBF, notadamente o seu eterno presidente (há alguém no mundo há tanto tempo no poder de uma instituição quanto ele?) poderá querer prestigiar o clube que se prepara para a Copa do Mundo – então que a direção do Coritiba trate de defender os interesses do clube, seja exigindo um aluguel condizente, seja exigindo um seguro para cobrir danos causados pela torcida ao estádio, ou ainda outras providências que tenho certeza os competentes administradores que temos saberão melhor dizer.



O que é isso, companheiro ?

Li em alguns comentários feitos por alguns amigos COXAnautas, e soube que nas redes sociais também teriam ocorrido(aqui falo no condicional, pois não tenho acesso a nenhuma), que alguns associados do Coritiba teriam deixado de pagar as mensalidades até que se defina se o estádio será cedido ou não, em caso positivo ameaçando se desassociar, enquanto outros afirmam que estão pagando, mas se o Couto Pereira for cedido a partir de então pedirão exclusão.

Pessoal, vamos com calma.

Quando um filho nosso, criança ou adolescente, pratica um ato que nos desagrada (e a cessão poderá ser forçada como disse antes e não um erro), nós, conforme a gravidade do caso os admoestamos ou castigamos tirando um benefício temporariamente. Mas nem por isso, suspendemos o sustento do filho, deixando de alimentá-lo ou dar-lhe educação ou cuidados médicos se precisar. É nosso filho, faz parte de nossa vida e devemos sustentá-lo até que não necessite mais, mesmo que ainda erre na vida.

É uma analogia talvez um tanto forçada, reconheço, mas reflitam sobre ela. Vamos “dar um castigo” e enfraquecer o clube que tanto amamos e que é parte das nossas vidas apenas porque ele foi – se for - obrigado pela CBF a ceder o estádio para os rivais? Vamos deixar de “alimentar” nosso clube para que sofra o risco de retroceder ao modo com que se encontrava antes da sua refundação a partir de 2010 e não consiga formar uma equipe capaz de disputar bem as competições? Não, vamos fortalecer nosso clube para que faça uma excelente campanha na primeira divisão e cresca cada vez mais, e para tanto nosso dinheirinho é essencial. Enquanto crescemos vamos tratar “secar” os rubros para gostem das delícias da segunda divisão (dizem que Arapicaraca e Varginha são cidades muito bonitas) e dela desfrutem por muito tempo.

Outro aspecto importante a considerar é que depois de algumas gestões que mais se serviram do Coritiba do que serviram ao clube, ou que não o souberam administrar, hoje temos um grupo de homens idealistas, honestos e competentes na direção, de modo que podemos ter certeza de que nosso dinheiro não está e não será sendo mal utilizado como já ocorreu.

Eu tenho certeza que os amigos que assim ameaçaram o fizeram no calor da emoção e reconsiderarão a atitude. A propósito, ontem dei um presente ao meu filho, que também mora em Porto Alegre, associando-o ao Coritiba. Ainda não sabe, mas em poucos dias receberá em casa sua carteira para exibi-la com orgulho, mesmo que tenha poucas oportunidades de ir a Curitiba ver nossos jogos.

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A "expropriação" do Couto Pereira

13/01/2012 17h13
Felipe Rauen

Interrompi férias para tratamento de saúde e, desobedecendo ao cardiologista – que não lê os COXAnautas, nesse caso ainda bem – descumpro a recomendação de temporariamente só repousar para fazer uma análise que entendo obrigatória em face da responsabilidade que penso ter para com os milhares de COXAnautas que acessam o site. Trata-se de enfrentar o “imbroglio” referente à cessão/requisição do estádio Couto Pereira para que o rival, mantendo sua costumeira atitude de sobreviver e crescer sugando o trabalho alheio - tal como fazem as hienas que em maior número expulsam a leoa para comerem o que ela caçou - mande seus jogos durante o campeonato paranaense que logo se iniciará em nossa casa.

E me manifesto a partir da afirmação que li, emanada pelo eminente Dr. José Cid Campêlo Filho, diretor jurídico do rival, profissional cuja capacidade jurídica é sem dúvida reconhecida no Estado do Paraná e a quem homenageio por tal. Mas nem por isso, como espero demonstrar, com razão ele na afirmação de que como o inciso VII, do artigo 46, do Estatuto da Federação Paranaense de Futebol não afirma que a cessão é obrigatória só para a FPF, aplicar-se-ia o brocardo “onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir”.

Não pretendendo elaborar um trabalho jurídico profundo – seja por talvez não ter qualificação para tanto, ou seja por falta de tempo pois o assunto urge – e por isso me perdoem os doutos que vierem a ler esta coluna, até porque sei que entre os amigos COXAnautas existem operadores do Direito. E, me perdoem também os amigos leitores que não são afeitos ao Direito, quando usar expressões que possam parecer tentativa de demonstração de erudição. Nem uma coisa e nem outra. Vou tentar, dentro das minhas possibilidades de momento, demonstrar que a interpretação do ilustre diretor jurídico rival parte de premissa válida apenas em tese, mas nem por isso aplicável. Tratou-se, como se vê no dia a dia forense, do exercício de utilizar em seu favor só o argumento que apoia a tese, esquecendo-se dos demais.

Com efeito, é princípio geral de Direito que “onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir”. Mas um processo de interpretação de dispositivo legal ou contratual se encerraria com tal simplicidade somente no uso desse brocardo? Evidente que não, todos da área bem o sabem, e a doutrina aponta muitos outros caminhos.

Primeiro vamos buscar o processo de interpretação gramatical, através do qual se exige o conhecimento das palavras e frases utilizadas no texto, conforme o tempo e o lugar. Aqui já se fragiliza a tese da requisição para jogos do rival como poder da FPF, uma vez que o dispositivo estatutário invocado afirma que é obrigação dos clubes ceder suas praças esportivas “à” Federação, ou seja, “para aquela”, a entidade, e não para terceiros tendo ela como interposta pessoa.

Sigamos agora, sempre de forma sumária, com outro meio de interpretação que é o da equidade, para cuja aplicação não se pode admitir “maliciosa interpretação da lei” (não vou citar o autor da expressão para não tornar o texto pedante, mas se algum leitor quiser conferir estou à disposição). Ora, se a lei entre as partes prevê a cessão “para” ou “à” FPF, entender que tal poder se estende a servir a entidade de instrumento para interesses alheios, ainda que de filiado, é dar intepretação de má-fé ao dispositivo e o Direito rejeita tal proceder.

Vamos mais longe. Ensina a doutrina que o Direito deve ser interpretado não de modo a que a ordem legal “envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter a conclusões inconsistentes ou impossíveis” (fonte também à disposição). Então, se o Coritiba F.C. for forçado a ceder o seu estádio, mediante o pagamento do valor irrisório arbitrado unilateralmente pela FPF (sabe-se lá o que meros R$ 30.000,00 por jogo suprirão), não se estará interpretando a norma estatutária de forma absurda, que levará o expropriado a grave inconveniência e talvez dano irreparável?

E mais. A doutrina é tranquila no sentido de que toda norma que prevê algum privilégio é excepcional e por isso deve ser interpretada sempre de forma restritiva. Por “restritiva” entenda-se, em termos simples, não ver na lei nada mais do que ela indica. Ou, como já se disse com outras palavras, se a FPF tem o “privilégio” de requisitar praças esportivas, o tem de modo restritivo, jamais ampliativo como está pretendendo. Requisitar para ela ou “à” ela como diz a norma, e não para terceiros.

Vamos finalizar estas rápidas pinceladas com alguns brocardos (princípios ou axiomas) jurídicos, já que tão ao gosto do eminente diretor jurídico do rival:

“Quando a lei quis, determinou; sobre o que não quis, guardou silêncio” ou “a inclusão de um só, implica a exclusão de quaisquer outros” (fonte mais uma vez à disposição). O estatuto da FPF determinou que à ela, FPF, fossem cedidos os estádios; se quisesse que esse poder significasse a expansão para outros clubes, teria dito; se incluiu só a FPF, por evidente excluiu outros.

Desculpem amigos leitores, se estou sendo cansativo, mas vou referir mais um axioma jurídico que pode se aplicar ao caso: “Quem tem direito ao cômodo, deve sofrer os incômodos que lhe estão anexos”. Se o rival está sendo privilegiado com a comodidade de ver seu estádio ampliado e modernizado com a maior parte do custo suportado pela coisa pública, que suporte o incômodo de jogar em praça esportiva menos qualificada. É assim na vida de todos nós, independente da lei ou contrato.

Enfim, com toda a tranquilidade e responsabilidade concluo que juridicamente a FPF não tem poderes para exigir ou requisitar o estádio Couto Pereira para que neles o atlético sedie os jogos do campeonato paranaense dos quais detém o mando. E na esfera estadual, ainda que fosse o caso de deixar de lado o aspecto jurídico, não tenho dúvida de que o Coritiba tem força política suficiente para se opor à expropriação em troca das mesmas trinta moedas recebidas por Judas.

É isso. Em relação à repercussão do mesmo fato para o campeonato brasileiro da série “B”, em outra ocasião voltarei com abordagem um pouco diversa, mas desde já adianto que, se for repetido o regulamento do ano passado, a capacidade de público dos estádios exigida será de 10.000 torcedores, com o que os rubros poderão se contentar em jogar em praça condizente com a sua força.

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Privilégio

26/12/2011 13h40
Felipe Rauen

Amigos. Passamos o ano todo mantendo contato virtual. Eu escrevendo minhas mal traçadas linhas – como diz a canção de Erasmo Carlos – e vocês lendo-as, muitos as comentando. Para mim foi um convívio extremamente gratificante, por várias razões.

De um lado porque o acolhimento que recebi do site me ajudou, em muito, a minimizar a saudade que tenho do meu clube de coração. Minimizar a saudade do sentimento que tenho quando estou no estádio, do qual conheço cada canto e até o cheiro e hoje vejo muito mais pela televisão. Ajudou a diminuir a saudade da alegria de ver pessoalmente a torcida que, na minha ótica, é a mais vibrante do país, contentando-me em vê-la pela TV (nesta, pelo menos posso ver “replays”).

De outro lado porque, pela responsabilidade de titular de coluna, me tornei mais assíduo na leitura dos jornais curitibanos e, se já o fazia antes, desde então continuei a assistir todos os jogos da Copa do Brasil e do campeonato brasileiro, isso quando não pude ir a Curitiba. Aliás, uma boa notícia: finalmente consegui contratar com a Sky a transmissão do campeonato paranaense, livrando-me de ver os jogos pelas deficientes imagens da internet.

E mais ainda gratificante foi por poder interagir com centenas, senão milhares, de coritibanos que me honraram com comentários às colunas. Comentários de todos os tons. Alguns elogiosos, outros elogioso com ressalvas, um tanto lembrando de argumentos que não me ocorreram, outros ainda fortemente discordantes, dentre estes uns poucos (muito pouco) até tanto agressivos, mas sem nenhum com desrespeito pessoal. Tudo dentro do sagrado direito de divergir. Digo com honestidade que a todos li e sobre todos refleti. Os elogiosos para me incentivar, e os discordantes para me fazer pensar, às vezes até mudar em parte algum entendimento, e também para servir de contraponto aos elogiosos para que nenhuma soberba – o melhor caminho para o erro por autossuficiência - me acometesse.

Enfim, amigos, não só foi gratificante como foi um privilégio conviver com vocês em 2011, ano em que tivemos muitas glórias e algumas decepções, mas quando, sem dúvida voltamos a nos orgulhar do nosso clube e a não nos dar por satisfeitos com pouco.

Agradeço o convívio e a leitura com que me distinguiram e espero que em 2012 continuemos esse convívio virtual, melhor ainda se quase só para celebrar glórias e mais glórias do nosso amado Coritiba.

Um abraço fraterno e feliz 2012.

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Golfinhos e híbridos

15/12/2011 21h35
Felipe Rauen

Animais puros são aqueles que têm origem genética idêntica, mantendo os mesmos caracteres desde tempos imemoriais e gerando descendentes da mesma linhagem. Ou seja, nunca sofreram processos de inseminação estranha, são fortes e se reproduzem com a mesma pureza dos que os geraram. Exemplo é o golfinho que tem, dentre outras características, a sociabilidade e a inteligência, além da simpatia dos seres humanos.

Já os animais híbridos “surgem da reprodução entre dois exemplares de espécies diferentes, que geram filhotes impuros. O exemplo mais comum de animal híbrido é o cruzamento da égua (Equus caballus) e do jumento (Equus asinus), que resulta no burro ou na mula. Todos os animais híbridos são estéreis, devido a problemas cromossômicos no processo de meiose, assim, as células desses animais vão possuir um número híbrido de cromossomos que terão dificuldades em formar pareamento. Algumas dessas novas espécies ainda são produzidas através do cruzamento entre espécies, puro e simples até hoje, basicamente para serem usadas como atrações de shows e locais turísticos” (apud http://biologiadiversa.blogspot.com/2010/05/animais-hibridos.html).

Busquei esses conceitos no Dr. Google, quando tomei conhecimento de que o então candidato a presidente do atlético (até a hora em que postei esta não havia sido divulgado o resultado, o qual pouco me importa), não mantendo sua conhecida atitude imperial (ou talvez por causa dela), comportou-se como bufão ao dizer que o Coritiba seria como um golfinho que, no mar ou em águas doces, sobe e desce.

De forma inteligente e altiva, e principalmente mantendo a dignidade do cargo, o Presidente aclamado do Coritiba F.C., Vilson Ribeiro de Andrade, respondeu que recebia a afirmação como um elogio, já que os golfinhos vicejam em águas límpidas e cristalinas e são, além de inteligentes, amados e leais.

Provocações como as que foram feitas pelo prócer, talvez quando da leitura desta já eleito presidente do segundo clube de futebol do Paraná, são comuns entre nós, mortais torcedores. Eu mesmo já fiz algumas aqui, mas sempre procurando manter elegância e dignidade, assim como fizeram outros colunistas e fazemos todos entre amigos. Os torcedores da baixada também as fazem e já as recebi com esportividade de amigos rubro-negros (sim, confesso, os tenho). Mas na boca de quem já foi presidente do segundo maior clube de futebol do Paraná, e que agora busca retomar o posto, não fica nada bem pretender debochar do rival maior. Os cargos de dirigentes de entidades associativas, assim como os de cargos públicos, devem preservar alguma liturgia, sendo indispensável mostrar respeito ao rival ou adversário, mesmo que somente em público.

Mas eu, mero torcedor que não tenho cargo diretivo no glorioso Coritiba, posso trazer os conceitos genéticos que abrem a coluna sem que possa ser acusado de histriônico ou de desrespeitoso. Afinal, a retorsão imediata à injúria não é punível.

O golfinho do Paraná mantém a mesma linhagem desde que foi fundado, nunca aceitando qualquer inseminação que o tornasse híbrido. Não copiou ninguém nas suas características, cores de sua bandeira e sua camisa, uma vez que foi o primeiro clube de futebol do Brasil a adotá-las. Cresceu e vive com a participação dos seus semelhantes, nunca tendo se alimentado com ração produzida com dinheiro público.

Já o híbrido do Paraná nasceu de um cruzamento entre dois seres que aqui habitavam, na mesma ocacisão cruzados com outros, herdando as cores e a camisa de um exemplar existente no Rio de Janeiro (mais tarde alterando a última para inseminar traços de exemplar italiano) e o nome de um espécime mais antigo que vive nas montanhas de Minas Gerais. Não tem forças para se alimentar sozinho, razão pela qual busca nos cofres públicos a sua cesta básica de tijolos e outros que tais destinados à construção do seu “habitat”.

Ah, ia esquecendo. Os animais puros são mais fortes e mais saudáveis do que os híbridos, e têm maior valor no mercado.

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O cônsul do Cazaquistão.

04/12/2011 21h46
Felipe Rauen

Sou amigo do cônsul do Cazaquistão em Porto Alegre, Ormital Nazarbayev. Sim, amigos, não me perguntem como e porque, mas há um consulado do Cazaquistão em Porto Alegre. No desenvolver de nossa amizade, temos nos encontrado em solenidades e o convidei para aparecer em minha casa quando quisesse (não como fazem os cariocas, que convidam mas não dão o endereço). Tenho procurado situar Nazarbayev nas coisas do Brasil, já que nossas culturas são muito diferentes, inclusive e especialmente sobre nosso futebol, que ele admira muito. Como a imprensa aqui de Porto Alegre lhe dá muitas informações sobre Grêmio e Internacional, trato de dar-lhe notícias sobre o futebol paranaense, notadamente o Coritiba, clube pelo qual ele já torce discretamente, embora ainda faça algumas confusões.

Pois bem. Exatamente hoje, em torno das 19,00 horas, quanto encerrado o atleTIBA que nos tirou a segunda chance do ano de disputar a Copa Libertadores da América, não é que o porteiro do meu edifício anuncia a visita do amigo Ormital Nazarbayev? Estava eu com um misto de revolta pela péssima apresentação do time e de perplexidade por perdermos para uma equipe muito menos qualificada do que a nossa, e, embora não quisesse falar com ninguém, tive que autorizar a subida da ilustre visita.

Recebi Nazarbayev e o conduzi até a sala, onde a TV mostrava os momentos posteriores ao clássico, quando a torcida do rival urrava e vibrava pelo fato de nos ter vencido.

Nazarbayev, já um pouco sabedor das coisas do Coritiba e da rivalidade com o atlético, olhou as imagens e me perguntou:

-Elas (Nazarbayev ainda não aprendeu bem o português e confunde o gênero) forram campeãos (não disse? Ainda não sabe falar corretamente) e por isso fazem tanto festa?

-Não, disse ao amigo, os rubros estão fazendo festa porque nós não conseguimos nos classificar para o maior torneio da América do Sul.

-Ah! Acho que entendi. Elas non deixaram vocês se classificar, mas em consequência elas se classificarron.

-Não, amigo. Eles foram rebaixados, vão deixar a elite do futebol brasileiro e disputar a segunda divisão com times sobre os quais você nunca ouviu falar, tais como Asa, Icasa, Arapiraca e outros.

-Mas então porque estão alegres, perguntou Nazarbayev? Sairram do maior campeonato da Brasil e fazem festa? Eu não entendo esse seu país.

-Pois é, amigo. É que eles têm complexo de inferioridade, que mascaram com aparência de superioridade. Assim, se satisfazem mais com a derrota do adversário do que com as possíveis conquistas próprias.

-Enton elas não torcem parra o próprio time e sim contra o Corritiba? É isso?

-Isso mesmo, amigo. Antes de atleticanos eles, e outros, são anti-Coritiba. Para eles não importa se o seu time vai mal, desde que o Coritiba não vá bem.

-Puxa, mas seu país é mesmo diferrente, afirmou e em seguida continuou:

-Mas você não me disse que sua time foi campeão do Parraná invicta e por antecipacion? E que tem no livro Guiness o recorde do maior número de vitorrias consecutivas da mundo? Non tem uma melhor time? Enton, como puderram perder para uma time de segunda divison?

-Pois é amigo. Futebol tem dessas coisas. Não adianta ser melhor, estar entre os melhores ataques e defesas da competição e alcançar recorde mundial, se na hora “H” o time não define, não assume sua condição de melhor, tal como aconteceu a decisão da Copa do Brasil (Nazarbayev ainda não estava no Brasil na época e tive que explicar o que ocorrera).

-Bem, minha amigo, disse mais uma vez o cazaquistanês, curta sua dor pelo momento, mas lembre que, por tudo o que você me disse, contando a histórria dede 2009, este ano foi positivo. Tratem vocês de se alegrar porque elas vão para a segunda divisão, e porque vocês forram campeões do Parraná invictos e por antecipacion, forram finalistas da tal Copa do Brasil, alcançarron um recorde que todo o mundo ficou conhecendo e estão entre os sete melhorres do país do futebol.


-É amigo Nazarbayev, o que você disse consola, mas aqui no Brasil nunca nos damos por satisfeitos quando não alcançamos metas que estavam logo ali. Bastava um gol inicial, ou dois depois, que estaríamos festejando e eles só se lamentando. Uma pena que, bem hoje, o time jogou sem personalidade, com excesso de autossuficiência e sem bravura. Mas o que fazer a não ser, como dizem aqui, partir para outra (tive que explicar ao amigo cônsul o significado da expressão).

Quando Nazarbayev quis saber quem era “aquela jogador que tem trancinhas e que nada produz”, tratei de mudar de assunto e de abrir um bom vinho e, para distraí-lo, passei a mostrar minhas revistas e livros sobre o Coritiba, enfatizando o quanto somos maiores do que os rubros e assim a noite terminou.

Quando Nazarbayev saiu, ao se despedir me disse: mesmo que você tenha me explicado, não consigo entender como elas (continua a errar o gênero, o estrangeiro, vou ter que ensiná-lo), fizerron festa. Vou voltar outra dia para você me explicar melhor.

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Depende de nós

28/11/2011 09h08
Felipe Rauen

O título de coluna é o mesmo de uma música do Ivan Lins. Se, como diz a música, depende “nós que o riso esteja no ar sem que a gente precise sonhar”, então estamos com um riso no ar e quase não precisamos sonhar tão concretas que são as possibilidades de o riso se escancarar e se espalhar na nação coritibana, mas que, mudando um pouco o título da música, “depende “só” de nós”.

Começamos esta semana com um misto de euforia e confiança, mas também com alguma preocupação talvez nunca vistas na história do Coritiba. Claro, podem dizer que os mesmos sentimentos nos tomaram conta antes da decisão de 1985, ou quando por um ponto fomos rebaixados em 2009, quando em ambas as ocasiões tudo dependia de nós. Mas, amigos, atleTIBA com tal carga de decisão como esse que se aproxima alguém já viveu? É possível compará-lo com algum outro?

Decidimos muitos estaduais contra eles, todos sempre tensos em face da natural carga emocional que só quem sabe o que é o clássico local pode avaliar. Que tal lembrar-se da decisão de 1978, quando empatamos os três jogos finais e ganhamos o título na disputa de pênaltis consagrando o já consagrado Manga? Ou indo mais longe, a de 1968 quando conquistamos o título no último segundo de jogo, quando o árbitro já levava o apito à boca para encerrá-la? Quem sabe o de 2004, quando Tuta calou a arena da baixada em gol antológico e quase ao apagar das luzes? Claro, perdemos algumas decisões, mas em relação a essas minha memória é seletiva e guardo pouco as lembranças.

Todos foram muito emocionantes, mas em nenhum deles o rival ficou com menos do que o vice-campeonato, subtítulo que fica nas estatísticas e que dói no momento da perda, mas logo ali adiante é absorvido.

Agora não. Agora o resultado poderá ser a nossa consagração e ou o abismo para eles. Claro, como cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém – meus dedos quase que trancam para digitar o que segue – é possível que seja nosso fracasso e o alívio deles. Alívio, apenas, pois consagração, não a obterão. Mas fracasso para nós sim, sem dúvida.

Assim, como diz a abertura da coluna, mais do que nunca tudo depende de nós. Se ganharmos, pouco importa os resultados paralelos. Estaremos na Libertadores e eles na segunda divisão, talvez do tamanho igual à arrogância que têm. Se ganharmos e o Flamengo perder, estaremos melhor ainda e eles na segunda divisão, que poderia ser muito pequena, mas talvez não seja, para um clube que se diz dez anos à frente dos outros. Se empatarmos e todos nossos concorrentes não ganharem, estaremos classificados e eles mais uma vez na segunda divisão, talvez do tamanho certo, ainda que temporariamente, para um dos clubes mais marqueteiros do Brasil. Se perdermos e Cruzeiro e Ceará ganharem, mas todos nossos adversário direitos também perderem, nos classificaremos e eles...Se empatarmos e nossos adversários diretos vencerem, perderemos a classificação mas eles irão viajar pelo interior do Brasil pela segunda divisão. E se perdermos, mas Cruzeiro e Ceará ganharem seus jogos, igualmente eles se vão. Alguma satisfação ainda nos restará. Como se vê, a hipótese desfavorável a nós e favorável a eles é a mais remota dentre todas. Seria necessário que perdêssemos e que não saiam vencedores o Ceará ou o Cruzeiro. Improvável não é, mas que é muito, mas muito difícil não tenho dúvida.

Assim, da hipótese mais otimista/realista a mais pessimista/improvável, dificilmente terminaremos o próximo domingo sem alegria, maior ou menor.

Espero e confio que, tal como ocorreu nas decisões vitoriosas a que me referi antes, e que (“vade retro” as de 1998 pelo campeonato brasileiro e a da Copa do Brasil deste ano) o riso estará no ar e não mais será preciso sonhar, só vibrar e se orgulhar. Vamos nos classificar e eles vão cair. É só, é o que basta.

E desta vez, tenho certeza, se nos classificarmos para a Copa Libertadores da América não a jogaremos fora bisonhamente como em 1986 e 2004. Somos outro clube, com visão de grandeza e conscientes de nosso poderio, mas também de nossas limitações.

Depende de nós que o riso esteja no ar. Como cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém, vamos confiar, mas com os pés no chão. Se soubermos ter aquela confiança na medida exata, sem desprezo ao adversário, com consciência sobre os pontos onde temos limitações aliada à de sabermos o que de bom temos, em maioria, amigos, a porta da caverna do tesouro está logo ali para abrimos e nos deleitarmos.

Confio!

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“Competência e Profissionalismo” ou “Reconhecimento e Justiça”?

22/11/2011 20h52
Felipe Rauen

No dia de hoje, em razão da ausência de candidatura oponente e cumprindo os estatutos do clube, o Presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba F.C, Omar Akel, proclamou a confirmação da chapa “Competência e Profissionalismo” para o comando da entidade nos dois próximos anos. A direção passa a ser composta, como todos já sabem, pelo grupo liderado por aquele que denomino de “refundador” do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, que será acompanhado no Conselho Administrativo pelos grandes coritibanos Márcio Swchab, Ernesto Pedro Jr., Fernando Ghignone e Nadir Elache Filho. Com eles, foram proclamados eleitos cento e sessenta integrantes do Conselho Deliberativo, que terão a tarefa de auxiliar e fiscalizar aqueles.

A notícia chega aos meios de comunicação e aos nossos olhos e ouvidos de forma natural, sem qualquer impacto, ao contrário do que ocorre quando de eleições disputadas nas quais grupos se dividem e se opõem, ainda que certamente todos visando ao bem do clube. Digo de forma natural, uma vez que o resultado proclamado, ao fim e ao cabo consiste em nada mais do que reconhecimento e justiça ao grupo que, liderado pelo caro Vilson Ribeiro de Andrade, soube reconstruir – ou refundar, como afirmei em uma coluna postada em 11 de novembro do ano passado – o clube após o catastrófico ano de 2009, cuja lembrança não nos satisfaz, mas não deve se apagar da memória, ainda que lá num cantinho do subconsciente, para que sirva de lição para o futuro. Daí a segunda parte do título da coluna que, penso, poderia ser o nome da chapa eleita.

Sim, amigos, a consagração formal do grupo encabeçado pelo Vilson Andrade na direção do nosso amado Coritiba não foi recebida com gritos e aplausos, ou com o abrir de espumantes, ou com candidatos sendo carregados nos ombros como tantas vezes ocorreu, nem com manchetes nos jornais ou chamadas extras nas emissoras. Mas sem dúvida devemos recebê-la com a mesma, ou até mais, vibração e alegria, E reconhecer que, muito mais do que uma homologação pela ausência de disputa, o resultado decorre de manifestação de reconhecimento dos coritibanos pelo que foi e está sendo feito para o clube. Fez-se, além do mais, justiça aos homens (e especialmente a quem os liderou) que encontraram o clube não à beira, mas dentro do abismo e do caos e souberam refundá-lo.

Todas essas e outras palavras que os amigos leitores encontrem para enaltecer o grupo que comanda o clube talvez possam ser poucas, mas paradoxalmente serão mesmo poucas se nós, torcedores, ficarmos somente nelas. É fundamental que todos os coritibanos participem do crescimento do clube, cada um dando conforme a proporção de suas forças permitam. Quem ainda não o fez, que trate de se associar, quem gosta de mostrar que é coxa-branca, que compre somente produtos licenciados, enfim, cada um faça o que pode para que um dia nos tornemos, como sempre ambicionamos, um dos maiores clubes de futebol do Brasil.

A nova direção vai errar? Provavelmente aqui e ali sim, pois em todas as atividades algum erro de avaliação ou de execução acontece. Teremos momentos difíceis? Possivelmente, já que em futebol não há planejamento suficiente que preveja o que vai acontecer e como superar. Importante, e nisso merece confiança a nova diretoria, é que os homens que comandam o Coritiba F.C. tenham em mente o clube e o administrem, tal como a denominação da chapa, com competência e profissionalismo, para que nós torcedores, do mais atuante ao mais humilde, ao final da gestão podermos repetir o quanto apropriado será denominar o grupo como merecedor de “reconhecimento e justiça”.

Ao líder agregador e competente Vilson Ribeiro de Andrade e seus colegas de direção, a confiança do colunista e certamente de toda a torcida coritibana. E, além da expressão de confiança, o compromisso de que pode contar conosco, nas horas ruins e nas boas, certos de que estas serão em maioria.

Finalizo trazendo uma lembrança aos mais novos. Em 1961 o Coritiba perdeu o título estadual – o único importante naquela época em que não havia disputa nacional – por decisão da Justiça Desportiva e a partir de então não mais se reencontrou, disputando apenas uma final e a perdeu para o Londrina, paralisando as obras do então Belfort Duarte. Em 1967, quando de uma crise institucional que culminou com a renúncia do Presidente, um homem que era diretor de relações públicas do clube foi levado a assumir a Presidência – que ninguém queria - e desde então o Coritiba, já a partir de 1968, reencontrou o caminho do sucesso. Seu nome? Evangelino da Costa Neves, o campeoníssimo. Alguma semelhança com o que aconteceu ao final de 2009? Pelo que o Coritiba conquistou de 1968 a 1985, espero que sim.

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