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17/11/2008 - 18h52 - Marcus Popini

O texto abaixo é de inteira responsabilidade do referido colunista e as opiniões aqui emitidas não refletem necessariamente a opinião do site e de seus administradores.

Balanço

O ano ainda não acabou. Mas é como se já tivesse acabado. Só não deixo de me preocupar com os resultados dos três jogos que faltam porque quero o Coxa vencendo, SEMPRE. Mas já dá pra fazer um balanço do que foi 2008 pra nós. Na minha opinião, o saldo deste ano é positivo.

Em campo, fomos campeões estaduais (esse título sempre terá muita importância para mim, porque temos um rival histórico para bater) e fizemos uma campanha razoável no campeonato brasileiro. Ficou um gostinho de frustração, porque é sabido que poderíamos ter ido um pouco mais longe.

Fora de campo, uma nova diretoria assumiu e colocou em prática um projeto pretensioso, com a intenção de transformar o Coritiba de vez em um grande clube. Nesse projeto, algumas coisas andaram bem, outras nem tanto. Pontos positivos principalmente para o marketing, para a construção de um novo CT, para o pontapé inicial para o Novo Couto. Entre os pontos negativos, destaque para a falta de uma voz mais atuante no departamento de futebol, que soubesse contornar os problemas extra-campo que minaram a nossa boa campanha, e para a falta (até agora) de um plano de sócios com direito a voto. Mas não vou aqui cair na tentação e na irresponsabilidade de chamar de amadores ou de incompetentes aqueles que comandam um trabalho previsto para dar frutos em um prazo mais longo, ainda mais sem saber de detalhes dos bastidores do clube

É claro que não podemos viver de projetos. Mas, para se chegar ao objetivo traçado desde o início, certamente é preciso corrigir os desvios que ocorreram, pois não há, no mundo do futebol, nada que se resolva instantaneamente. Estávamos no inferno da segunda divisão e era preciso mudar quase tudo no clube, para voltarmos a crescer, não apenas crescer por um período, mas crescer sempre. O gostinho de frustração que ficou com a parada que o time deu no campeonato aumentou o já famoso alto grau de exigência da torcida Coxa Branca, e é a isso que eu reputo o fato de muitos torcedores acharam que nada presta, que nada do que foi feito foi acertado, que tudo o que ocorreu de bom foi obra do acaso. Mas essas opiniões têm que ser também respeitadas, diferentemente daquelas nitidamente motivadas por questões pessoais e/ou políticas. Para distinguir uma da outra, basta desprezar aquelas emitidas pelas pessoas que só (re)apareceram depois da derrota vexatória para o Flamengo. A meu ver, quem quer o bem do Coritiba falou, criticou e sugeriu o ano todo. Quem quer o bem de si próprio, ou de seu grupo, se escondeu durante o ano e reapareceu agora, covardemente aproveitando-se desse mau final de campeonato do time, para tentar colocar fogo em tudo, para tentar devolver as críticas feitas à gestão passada, esquecendo-se do fato que essas críticas só vieram depois de cerca de quatro anos de um trabalho continuado.

Para o ano do nosso centenário, que se corrijam os desvios de rota apresentados em 2008. Um time forte, capaz de disputar títulos, é a premissa número um. Um departamento de futebol atuante, capaz de blindar o elenco, seja dos empresários, seja de picuinhas políticas, seja da imprensa mal intencionada, é a ferramenta para auxiliar a atingir as metas estabelecidas. E que essa "política" do nada presta, nada serve, nada está certo, tão propalada por alguns poucos, seja desconsiderada e desprezada até que se acabe por si só. Que se valorizem os acertos e que se corrijam os erros. Só assim o sucesso virá. E isso é básico em QUALQUER projeto.





Não posso deixar de comentar aqui a saída de Dorival Júnior, fato esse que eu considero uma lástima. Tenho esse treinador como um dos mais capacitados atualmente, no cenário do futebol brasileiro. Como qualquer um que exerça igual profissão, Dorival errou algumas vezes (ao se mostrar demasiadamente cauteloso em algumas partidas), mas também acertou em outras (ao recuperar jogadores desacreditados, ao conquistar o título paranaense em cima do nosso rival, tido como franco favorito, e ao conseguir manter um time razoável sempre na parte de cima da tabela no campeonato brasileiro). Penso que caso seu trabalho tivesse continuidade, bons frutos seriam colhidos em um prazo mais curto. A queda de produção de Paraíba e de K9, certamente motivada pela intervenção de seus empresários e pelo sonho do jogadores de alçar de vôos mais altos (no mundo da "grana"), foi um fator decisivo para a parada do time e, consequentemente, para a desestabilização do trabalho da comissão técnica. Mas, uma vez que "Inês é morta", não resta outra alternativa senão recomeçar do zero, sucumbindo ao erro de se iniciar um ano desprezando-se tudo que foi feito no ano anterior, no que diz respeito ao trabalho da comissão técnica. A quem já disse que vai (DJ) e a quem não vê a hora de ir (K9 e Paraíba), uma boa sorte na continuidade de suas carreiras. O julgamento sobre o acerto ou não das decisões tomadas por cada um, o tempo certamente haverá de trazer.

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