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24/10/2008 - 10h11 - Marcus Popini
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Estive no Maracanã ontem. Cheguei lá esperançoso, saí de lá humilhado.
Hoje, por estar aqui no Rio de Janeiro, e por ter um adesivo do Coxa no meu carro, algumas bandeirinhas na minha mesa de trabalho, um cordão de crachá com o nome do Coritiba, um protetor de tela com a logo dos 99 anos, uma bandeira na janela do meu apartamento, um celular que toca o hino do Verdão quando alguém me liga, o mundo está terminando de cair na minha cabeça.
Terminando porque ontem, a cada gol que o Flamengo fazia, a cada dividida que os rubro negros ganhavam, a cada desfile dos jogadores deles pelas avenidas nas laterais da defesa alviverde, a cada olé do fantástico (!) Obina, caía um pedaço do meu mundo.
Fui um dos que apostou que o Coritiba iria bem neste campeonato. Nem acho que foi tão mal assim, mas ficou a sensação de que poderíamos ter ido mais longe ainda. O fator que eu desprezei, nessa equação que poderia levar à vitória, foi a ação do imponderável, que faz um time de futebol simplesmente abdicar da luta e da garra e se contentar com a sua pequenez. Nessa equação já constava um sinal de subtração no termo que mensurava a aquisição de dois ou três reforços que pudessem fazer a diferença. Mas sequer pensei em incluir um termo para a falta de amor próprio dos jogadores.
E tenho comigo que é esse sentimento de frustração, derivado dessa certeza de que poderíamos mesmo ter chegado ao final desse campeonato com uma surpreendente (para o mundo) classificação à Libertadores, que faz com que muitos voltem a defender a política de terra arrasada, de recomeço a partir do zero o que, a meu ver, seria um erro fatal.
Iniciou-se um trabalho, fizemos progressos, derrapamos quando não podíamos, e nos permitimos acreditar porque tivemos motivos para isso (e não gratuitamente). Não acredito, sinceramente, que possa existir quem fizesse o milagre de levantar esse gigante, que estava caído, sem antes fortalecê-lo. Pena que isso demande tempo e que esse tempo seja suficiente para colocar sob dúvida se isso será mesmo possível, e que desse tempo se aproveitem aqueles que costumam ficar à espreita e em silêncio, esperando o momento certo de reaparecer para reocupar um espaço do qual já dispuseram antes utilizando-o, entretanto, para jogar o gigante na lona. Esse tipo de covardia é tão condenável quanto a demonstrada pelos jogadores, ontem.
Espero que, para a próxima temporada, a base do grupo deste ano seja mantida. Que possam permanecer no grupo jogadores cujo objetivo primeiro seja retribuir o imenso amor da torcida Coxa Branca pela sua Camisa, e não apenas utilizar o clube como uma ponte para um “grande centro”, que é como a imaginação dos mais ansiosos mascara a garra e justifica o desdém em algumas partidas. Espero que sejam trazidos reforços de peso para que as promessas (aí sim!) de disputar títulos em todos os campeonatos que disputarmos possa ser cumprida. Espero que Dorival Junior continue no clube e que o Coritiba possa ter, finalmente, um trabalho de uma comissão técnica com planejamento a longo prazo. Mas espero, acima de tudo que, quem quer que seja o comandante em campo, encontre uma maneira de fazer os jogadores enxergarem a grandeza do Coritiba.
Escrevo tudo isso com o coração doído, e faço isso para não me esconder e só pensar em voltar quando for conveniente. Mais do que esses 5 x 0 (!), o que ainda vai demorar pra passar é o sentimento de humilhação pela ausência de luta, pela falta de garra, pelo descaso com o qual o time entrou (?) em campo ontem. Se cada passo que damos é uma lição que aprendemos, que essa possa ter sido definitiva. Sem garra e amor à camisa, a derrota é certa, a humilhação é conseqüência.
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Brasileirão, 04/09, 16h00
Guaratinguetá 1 X 0 Coritiba
| 1 | Figueirense | 36 |
| 2 | Ponte Preta | 35 |
| 3 | Coritiba | 33 |
| 4 | Bahia | 31 |
| 5 | Náutico | 31 |
| 6 | América-MG | 30 |
| 7 | Guaratinguetá | 30 |
| 8 | Portuguesa | 28 |
| 9 | S. Caetano | 28 |
| 10 | Icasa | 27 |
| 11 | Sport | 27 |
| 12 | Duque de Caxias | 26 |
| 13 | Paraná | 24 |
| 14 | Brasiliense | 24 |
| 15 | ASA | 22 |
| 16 | Bragantino | 22 |
| 17 | Santo André | 20 |
| 18 | Vila Nova | 17 |
| 19 | América-RN | 16 |
| 20 | Ipatinga | 15 |
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