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COXAnautas

Estrela Dourada

Cada um com a faixa que merece

14/05/2012 14h15
Marcus Popini

 / Foto: Marcus  Popini



Hoje é um daqueles dias em que a felicidade fala por si só.

A despeito do dia carrancudo e chuvoso aqui no Rio de Janeiro, do trânsito infernal, de algumas tarefas “cascudas” para resolver no trabalho, e até de uma intoxicação alimentar, nada consegue tirar o sorriso do meu rosto.

Ser tri campeão é um privilégio. E, como por aqui poucos sabem o meu nome, mas muitos sabem para qual time eu torço, hoje foi o dia de receber inúmeros parabéns. Ah, como é bom ser tri campeão, e tri campeão em cima do Atlético.....

Os parabéns que eu recebi, pelo fato de torcer para o melhor time do universo, eu estendo aos jogadores do Coritiba, à sua diretoria e, é claro, ao treinador Marcelo Oliveira que, ao fazer o simples e abrir mão de sua paixão por volantes e por esquemas que privilegiem a marcação nas partidas decisivas, nos brindou com uma conquista muito, muito importante.

Oxalá sigamos em frente e possamos dar continuidade a esse sentimento de alegria já na próxima quarta-feira, na Copa do Brasil.

Parabéns Coritiba! Parabéns, Tri Campeão Paranaense!




Se é que eu poderia citar um momento de tristeza durante o jogo de ontem, foi quando Tcheco teve que ser substituído ainda no primeiro tempo, por estar contundido. Ali meio que caiu a ficha de como ele fará falta no decorrer deste ano, após o término da Copa do Brasil.

Queria eu poder descobrir alguma palavra que fosse capaz de sensibilizá-lo, a ponto de fazê-lo mudar de idéia e, ao menos, terminar 2012 jogando pelo Coritiba....

Mas eu acho que Tcheco sabe bem o que é jogar (e vencer!) pelo Coritiba. E, se ele acha que é hora de parar, eu nem ousaria dele discordar. Só me resta lamentar (muito) e torcer ainda mais para que sigamos até a decisão da Copa do Brasil e, desta feita, conquistemos o título. Pelo Coritiba, por sua torcida, e pelo Capitão Tcheco.




Aos atleticanos, meus parabéns também. Os [pouquíssimos] torcedores daqui do Rio de Janeiro também já foram devidamente homenageados:

 / Foto: Marcus Popini




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Carrasco é o treinador do Coritiba!

07/05/2012 10h30
Marcus Popini

Semana passada, durante a introdução de um programa esportivo local, que fazia uma retrospectiva do tempo em que Marcelo Oliveira treina o Coritiba, foi dito que ele ainda é questionado até hoje por conta da escalação de Marcos Paulo na final da Copa do Brasil do ano passado.

Nosso treinador respondeu dizendo que faria tudo novamente, pois escala o time com convicção.

No primeiro Atle-Tiba da decisão do Campeonato Paranaense de 2012, Marcelo Oliveira realmente fez tudo de novo. Resolveu inventar (ou, melhor dizendo, repetir o erro) exatamente em uma decisão.

Escalou um menino, que joga como volante, vindo das categorias de base, que havia entrado como titular apenas em uma partida que não valia absolutamente nada (contra o Roma), para disputar a decisão do campeonato

Colocou um volante a mais no time, desta feita para a saída de Anderson Aquino que, ao contrário de 2011, nem suspenso estava. E manteve o time com essa postura defensiva para, a exemplo do que ocorreu ano passado, mudá-lo, na base do desespero, apenas quando o placar era adverso. Aí, fazendo o simples, tirando do time o excesso de volantes e substituindo-os por atacantes, o Coritiba chegou ao empate e, caso tivesse forçado um pouco mais, ou houvesse um pouco mais de tempo (que Marcelo Oliveira novamente fez questão de desperdiçar), teria conquistado uma vitória fácil sobre um time medíocre da segunda divisão brasileira.

Porém, por conta das tristes coincidências do futebol, o “mau” resultado está sendo atribuído por muitos a mais uma falha de um dos nossos goleiros. Se em 2011 Edson Bastos foi o crucificado, desta feita recaem sobre Vanderlei os poucos protestos por não termos vencido a partida. Esquecem-se quase todos, porém, que ao bater o pé e manter uma postura covarde e medrosa, de primeiro defender para depois pensar em atacar, nosso treinador subestimou não só o poderio ofensivo do Coritiba, como superestimou a questionável qualidade do adversário, que ao longo de sua história poucas vezes esteve tão fragilizado como agora (sem time, sem estádio, sem torcida, sem perspectivas).

E assim, fechando os olhos para essa postura defensiva e para a teimosia de Marcelo Oliveira ao insistir SEMPRE em atuar dessa maneira fora de casa, e em NUNCA reconhecer seus possíveis erros, restamos condenados a sofrer mesmo quando somos sabidamente superiores.

Sim, eu acho que o Coritiba tem todas as chances de ser Tri Campeão no domingo, se souber abdicar da soberba. Muito mais pela mediocridade do adversário e pela garra da torcida alviverde, do que pela postura do nosso treinador, sempre “cauteloso” em partidas decisivas.

O que me assusta é a tolerância diretiva com a parcimônia ofensiva de Marcelo Oliveira, e a perspectiva negra de reviver este ano o sofrimento das partidas fora de casa disputadas ano passado. Temos no nosso banco de reservas, a comandar nossa equipe, alguém que já foi um carrasco do melhor time que montamos em quase vinte anos, um carrasco de um menino que era tido como promessa (Marcos Paulo), um carrasco dos meninos da base alviverde que são sempre preteridos em jogos rotineiros e são jogados às feras nas decisões, um carrasco, enfim, da nossa tradição de nos impormos sobre os mais fracos.

Não sou louco de pedir o impossível. O que eu sempre pedi foi um pouco mais de ofensividade nas partidas fora de casa. Tenho comigo que quando Marcelo Oliveira ousar apenas um pouco mais, e experimentar arriscar apenas o mínimo nos jogos longe do Couto Pereira, deixando de privilegiar um time recheado de volantes, aí sim ele provará que realmente ouve [e entende] quando a torcida alviverde canta, em uníssono, o mantra de uma equipe vencedora: vamos em busca da vitória!


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O leão e o gatinho

27/04/2012 11h17
Marcus Popini

Em 2011, era fácil definir o Coritiba: em casa, um leão furioso, fora de casa, um gatinho assustado. E os números, tão incensados para exaltar as virtudes da equipe, são a prova cabal dessa postura.

Em 2012, com a desmontagem do bom time do ano passado, foi preciso recomeçar quase que do zero. Sem Jeci, a zaga alviverde até hoje bate cabeças, como nos gols tomados contra o Atlético (no segundo deles) e contra o Paysandu. A experiência de Pereira, a voluntariedade de Demerson e mesmo a juventude de Luccas Claro, este pouco testado, ainda se mostram ineficientes para dar segurança a esse setor. Falta, pois, mais um bom zagueiro para o Coritiba.

Nas laterais, Jonas se mostra defensivamente eficiente, mas peca no apoio ao ataque, quando lhe parecem faltar fundamentos básicos, tais como a capacidade de cruzar uma bola. Ainda assim, considero Jonas uma boa peça da equipe. Pela esquerda, ou nos valemos de Eltinho, que é o contrário de Jonas (ataca bem e defende mal), ou utilizamos um zagueiro improvisado, Lucas Mendes, que alterna boas e más atuações. Falta também, pois, um lateral esquerdo ao Coritiba.

Com a saída de Leo Gago e Leandro Donizete, o Coritiba perdeu o esteio do seu meio de campo, sendo essa, em minha opinião, a principal razão da irregularidade apresentada pelo time até há bem pouco tempo. Vieram Junior Urso (que eu acho que devia ser devolvido ao Avaí, caso isso fosse possível), Lima, que não joga e Emerson Santos, que também não joga. Apostou-se em Willian, ótimo jogador, mas que tem se machucado mais do que o Donizete (tão criticado por suas seguidas contusões), e em Gil, que eu também considero um bom jogador, mas que não tem sido aproveitado em sua posição, e tem servido mais como um coringa. Da base alviverde, vieram Djair e Artur, que também não jogam. Nesta semana chegou Sérgio Manoel. Devem estar chegando França e Chico. Desses dez volantes, é bem possível que consigamos tirar dois bons titulares e pelo menos dois bons reservas.

No setor de criação, penso estarmos relativamente bem servidos com Rafinha, Everton Ribeiro e, principalmente, Lincoln. O “principalmente” da frase anterior é por conta da experiência de Lincoln. Temos ainda Tcheco, muito mais um meia do que um volante, que pra mim é o principal jogador do Coritiba hoje, Renam Oliveira, que parece ser incapaz de superar o eterno status de promessa, e os meninos Thiago Primão e Rafael Silva, que sobem para o time profissional muito bem amparados por suas ótimas atuações na base.

No ataque, entram na minha conta Roberto, um ótimo jogador que tem crescido de produção a cada jogo, e Anderson Aquino, que consegue decidir nos momentos mais importantes, mormente na Copa do Brasil, mas não pode ser considerado um titular absoluto. Everton Costa talvez seja apenas uma boa opção como reserva, Caio Vinicius tem que aprender os fundamentos, e Marcel não é mais jogador de futebol. Precisamos, então, e com muita urgência, de, no mínimo, mais um centroavante.

Desconsiderei, na [pretensa] análise acima, e apenas por conta dela ser feita para este momento, Jackson, Cleiton e Keirrison, todos eles bons jogadores, e que ainda podem nos ajudar muito, mas com sérias contusões no joelho, que sempre colocam em xeque o que está por vir.

Resumindo: tenho comigo que o Coritiba ainda precisa de um zagueiro, um lateral esquerdo (pelo menos), um outro bom armador, de qualidade já comprovada, para compor e/ou substituir Lincoln, Everton Ribeiro e Rafinha, e no mínimo mais dois bons centroavantes. Tivéssemos nós mais essas peças, acho que poderíamos fazer um Brasileirão mais com expectativas pela parte de cima da tabela, do que com medo da parte de baixo.

Como não poderia deixar de ser, continuo batendo na tecla de pedir ao nosso treinador que ao menos tente manter uma postura parecida nos jogos dentro e fora do Couto Pereira. Na Copa do Brasil, um gol marcado fora de casa pode significar até o título da competição; já no Campeonato Brasileiro, uma vitória a mais fora de casa pode ser decisiva para validar os pontos conseguidos dentro de casa.

Confesso ter estado bem mais assustado no início deste ano. Com a efetivação (finalmente!) de Everton Ribeiro no time titular, com o crescimento da produção de Roberto (que corre muito e se empenha bastante nos jogos), com o comando de Tcheco (isso com data marcada para acabar, infelizmente), com a calma e a técnica de Lincoln e com a recuperação de Rafinha, começo a ter esperanças de reencontrar-me com o otimismo de voltar a ver o meu time se destacar. Isso tudo, é claro, se incorporarmos de vez a postura do leão, que acredita em si, respeita a todos mas não teme a ninguém.


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Atle-Tiba

18/04/2012 14h09
Marcus Popini

Escrevi o texto abaixo em setembro de 2008. Na semana em que acontecerá mais uma partida que, um dia, já foi a maior festa do nosso futebol, penso que cabe reedita-lo.




Sou do tempo (essa é mais velha do que eu) que semana de Atle-Tiba era semana de festa. Uma aura de alegria envolvia as torcidas, e nunca um time tinha a vantagem sobre outro, antes do jogo. E isso independia da posição de cada um na tabela, dos elencos, do momento de cada um.

Foi assim que eu acompanhei, no Couto Pereira, aqueles três Atle-Tibas da decisão de 1978, três 0 x 0 ao final dos quais o goleiro Manga, mesmo machucado, defendeu dois pênaltis e garantiu o título para o Coritiba. Estádio sempre lotado, dividido quase ao meio entre as torcidas adversárias, festa antes (das duas torcidas) e depois (normalmente da torcida Coxa Branca) do jogo. Depois disso, vi outros jogos memoráveis, de tristes (Berg) e boas (Alex) lembranças. A maior parte deles, na paz.

As coisas com o tempo foram mudando e, hoje em dia, semana de Atle-Tiba é semana de tensão. As torcidas adversárias passaram a se agredir fisicamente, as diretorias entraram “na onda” da rivalidade fora de campo e passaram a limitar a festa no estádio, os ingressos para a torcida visitante foram limitados, os estádios passaram a ser depredados. Tudo isso, toda essa radicalização do clássico, é conseqüência do despreparo de alguns dirigentes e da burrice de parte da torcida que é capaz de matar ou morrer em nome de uma organizada, ou de uma cor. E esse triste cenário não é, infelizmente, uma vergonha apenas do Paraná, mas existe na maior parte do Brasil.

Morei em Porto Alegre e vi que lá se atiram tijolos em pessoas se essas estiverem de vermelho em meio aos azuis, e vice-versa. Tenho uma filha em Belo Horizonte e lá as pessoas se dão o sobrenome de máfia e de loucura e se destroem aos tiros, até. No Rio, em um dia de clássico entre Flamengo e Vasco, fui agredido na rua por estar com a camisa do Coritiba, e fiquei até feliz por não ter perdido nada além da camisa que eu amo tanto. Exceção eu vivi em 2000 e em 2001, em Salvador, onde o Ba-Vi era chamado de Clássico da Paz e as torcidas entravam abraçadas na Fonte Nova. Hoje nem a Fonte Nova existe mais, não sei o que dizer do respeito entre as torcidas.

Domingo, em Curitiba, tem outro Atle-Tiba. Jogo decisivo para ambos os times. Arrisco dizer que será a morte para quem perder, e a vida para quem vencer. A morte no sentido figurado, no sentido de refletir a frustração de não chegar a algum lugar honroso ao final do torneio, e a vida no sentido da alegria de uma vitória que pode alavancar uma arrancada em direção ao topo. Aconteça o que acontecer, seja lá qual for o resultado, que essas palavras capitais, morte e vida, não passem de metáforas usadas ao final do jogo para definir o destino de cada TIME neste campeonato, e não a conseqüência da estupidez de alguém que, valorizando uma cor específica, esqueceu-se de si mesmo.

Quando me perguntam o que significa torcer pelo Coritiba, eu respondo simplesmente que significa amar o Coritiba. O resto, os outros times, são simples adversários a serem batidos. Em campo.




Quanto ao jogo em si, quanto às possibilidades de cada um, o que dizer? Atle-Tiba não é um jogo onde as previsões racionais ou as análises táticas funcionam. O que decide esse clássico é o amor de cada torcedor pelo seu time, é o respeito à camisa que cada jogador usa, é a garra, é a vontade. Quem for mais guerreiro em campo, quem gritar mais na arquibancada (o que, infelizmente, não valerá para o jogo do próximo domingo) quem acreditar mais em si mesmo é que sairá vitorioso. Pois Atle-Tiba é um jogo ganho com o coração!

Pra cima deles, Coritiba! Chegou a hora!!


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Brincando com o perigo

09/04/2012 15h22
Marcus Popini

O artilheiro do Coritiba em 2012 é um zagueiro. Não que isso seja ruim, mas só o fato de ser incomum é a comprovação de que algo não está saindo conforme o planejamento. Ou estava nos planos contratar Marcel, Roberto, Lincoln, bem como manter Rafinha, Caio e Anderson Aquino, entre outros, para que esses fossem coadjuvantes de um zagueiro na briga pela artilharia do time?

Falam tanto em planejamento, em projeto, mas aí cabe a pergunta: qual o projeto que, para ser levado a bom termo, não requer nenhuma correção de eventuais imperfeições surgidas no decorrer do mesmo? No caso específico do Coritiba, não ter conseguido vencer dois times da segunda divisão nacional e ter demonstrado, na grande maioria das partidas deste ano, uma imensa insegurança técnica e, principalmente, tática, além de se mostrar sem nenhum poderio ofensivo, a ponto de depender seguidamente de gols de zagueiros para conseguir algumas vitórias, tudo isso não indica a necessidade de um ajuste no tão falado "projeto de longo prazo"?

O Coritiba está brincando com o perigo. Ao protelar os ajustes necessários e tomar como parâmetro o fraco nível técnico do Campeonato Paranaense, no qual não conseguimos nos destacar como era esperado, ao assumir como normal uma derrota para um time de Arapiraca, ao desconsiderar o fato de só conseguir efetivar uma vitória em casa depois de o adversário ficar com dois jogadores a menos, ao depender cada vez mais de gols marcados pelos defensores, mais do que a comprovação de que o time passa por grandes dificuldades, vem a certeza de que é preciso corrigir os rumos, e logo.

Talvez consigamos contratar mais jogadores, lá pelo meio do ano. Talvez Keirrison volte da contusão e reencontre o seu futebol, lá por agosto. Talvez alguns pratas da casa sejam aproveitados pelo treinador, lá por outubro. Talvez Marcel chegue perto do que fez em 2003, se nascer de novo. Talvez Jonas aprenda a cruzar uma bola, lá por 2020. Talvez Eltinho perca o medo da bola, lá por ... Mas e até lá, o que faremos?

Já que não podemos contratar um time todo novamente, e acreditando que as reposições dos jogadores que saíram foram feitas à altura, como diz a diretoria, não seria o caso de tentar uma mudança na comissão técnica? Será que uma mudança na “filosofia” de jogo, nos esquemas táticos, na capacidade de motivação, nos discursos, enfim, não faria com que o time produzisse ao menos um pouco mais do que vem demonstrando neste início de ano? Será que essa eventual correção de rumo no projeto seria uma aposta tão arriscada a ponto de pôr tudo a perder? Ou será que vale a pena apostar em não mudar nada, e arriscar perder tudo o que "conquistamos" desde a implantação desse "projeto de longo prazo"?

Nas duas últimas vezes em que optamos pela continuidade quando as coisas não iam bem, nos demos muito mal. E continuamos pagando MUITO caro por isso. Quando tivemos duas grandes chances, em 2011, de acelerar nossa recuperação, fracassamos. A esses fracassos sobreveio uma inexplicável tolerância com o perigo da mesmice. Passamos a viver na inércia do “quase” e, o que é pior, a ver nela o nosso limite.

Se querer para ontem as coisas de amanhã é um erro, deixar para amanhã as mudanças que deveriam ter sido feitas ontem é um erro maior ainda. E de conseqüências muito mais traumáticas. A torcida Coxa Branca sabe muito bem disso.


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O 'mais Coxa de todos'

04/04/2012 16h40
Marcus Popini

Muito se tem discutido, nos últimos dias, sobre a “pressão” que tem sido imposta aos jogadores e ao treinador do Coritiba em 2012 e, mais do que isso, sobre a conveniência ou não das críticas dos torcedores.

Após ler a última coluna do amigo Ricardo Honório, fiz com ele algumas ponderações, as quais eu gostaria de colocar em discussão neste espaço.

Historicamente, a torcida Coxa Branca SEMPRE foi muito exigente. Freqüento o Couto Pereira desde 1975, e me lembro bem que torcida ia para o então Belfort Duarte pra ver espetáculo. Porém, por conta de nunca mais termos ganho nada importante desde 1985, e por conta de, até o início de 2011, nunca mais termos montado um time decente desde 1989, muitos dos que hoje não toleram críticas não tem nenhum parâmetro de comparação sobre o que já foi o Coritiba em termos de qualidade de futebol (o hexa estadual, o Torneio do Povo, as duas semifinais de Brasileiro em 79 e 80, o título nacional de 85), e o que é o Coritiba hoje (sobe pra primeira divisão, cai pra segunda divisão; faz do “quase” o seu limite e do recomeço a sua rotina).

Sim, há de se reconhecer que o clube vive [mais um] momento de renascimento, desta feita, porém, sob o comando de pessoas sérias e imbuídas da real intenção de recolocar o clube entre os grandes. O reconhecimento a esse trabalho, no entanto, não impede a constatação das dificuldades técnicas que o Coritiba tem enfrentado em 2012. Se o Campeonato Paranaense é mesmo um laboratório para as competições nacionais, as dificuldades encontradas pelo time para superar adversários muito mais fracos são a comprovação de que muito há de ser feito, ainda, para que possamos disputar um Campeonato Brasileiro da 1ª divisão almejando, senão um utópico título, ao menos um caminho que passe longe da estrada para o inferno da segundona.

Por tudo isso, a paciência que existe nas esferas internas do clube não pode haver na torcida que, no caso do Coritiba como é hoje, deve temer (e cobrar) não cair pra segunda divisão muito mais do que pode sonhar com um título da primeira. Desnecessário dizer, obviamente, que essa cobrança deve ser consciente, sem violência, e baseada no apoio total durante os noventa minutos de jogo, bem como na associação ao clube.

Li certa vez, na Wikipédia, que a emoção é um fator primário que diferencia intolerância de discordância respeitosa. E aí cabe a pergunta: como descartar ou ignorar a emoção no mundo do futebol? Qual torcedor pode, em sã consciência, dizer-se o mais racional de todos e incapaz de, em algum momento, demonstrar intolerância? Penso que todos nós já atiramos a primeira pedra, ainda que muitos de nós ainda não tenhamos percebido isso. Condenar outros por possuírem opiniões diferentes das suas é, pois, a quintessência da estupidez.

Apoiar e torcer pelo Coritiba não é dizer amém a tudo. Tenho duas filhas e, exatamente por amá-las sobre tudo o que há no mundo, é que me permito orientar a menor (de três anos) e aconselhar a maior (de quinze anos). Cuidar não pode prescindir da repreensão por algo que entendermos estar errado. O amor pelas minhas filhas é incondicional, assim como também é o meu amor pelo Coritiba; a diferença entre esses dois “casos” de amor é que este último é essencialmente passional. E, quando somos movidos pela paixão, somos merecedores da indulgência por, eventualmente, deixarmos de lado a razão e, assim, errarmos.

Comecei a escrever e não sei como terminar, confesso. Mas a opinião que eu gostaria de deixar registrada é que não se deve questionar a devoção de alguém pelo seu clube por conta de eventuais críticas, ou mesmo de colocações entendidas por alguns como críticas. E vem da obviedade dessa afirmação a dificuldade de concluir este texto, e de conferir aos parágrafos acima um sentido mais lógico. O torcedor “mais Coxa de todos” certamente não é aquele que aplaude tudo cegamente, mas sim aquele que se preocupa com o Coritiba, ainda que a seu modo pessoal. Pois a verdade absoluta não pertence a ninguém.


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Minha casa (reedição)

28/03/2012 09h33
Marcus Popini

Em dezembro de 2009 eu escrevi o seguinte, neste espaço:

O que eu tenho pra dizer eu direi lá, no Couto Pereira. Na minha casa, onde eu me sinto imbatível. É lá que eu vou buscar as forças que não encontro nas palavras dos dirigentes, ou no empenho dos jogadores; eles todos que relegarei a um segundo plano, agora. Mas de quem eu não me esquecerei de cobrar, depois.

Irei pelo meu clube, pela minha Camisa, para honrar a benção de poder ser torcedor do Coritiba. No Alto da Glória, onde eu entro horas antes do jogo, e saio apenas porque sou obrigado, eu me sinto invencível. E é isso que eu quero passar aos homens que irão vestir a Camisa Alviverde. Não quero que lutem por mim, pois eu escolhi esse caminho. Quero que lutem pelo Coritiba, que eu vejo acima de tudo, e que é a razão para eu estar ali. E vou gritar Coxa! tão alto, que eles não terão como desprezar o meu grito, nem mesmo por estarem com as malas prontas para seguirem suas vidas.

Eu vou passar, os jogadores passarão, mas o Coritiba deve permanecer eterno. A mim será concedido algo parecido com a eternidade, na vida do meu clube, se eu gritar o mais alto que eu puder, apoiando o time, pois o meu grito há de ecoar para sempre. Darei uma demonstração de amor tão grande, que fará com que os jogadores adversários desejem estar vestindo a Camisa Alviverde; e aos jogadores que terão o privilégio de usá-la, por mais utópico que possa parecer, farei ver que dinheiro algum do mundo é capaz de ser maior do que a honra de vesti-la.

Escrevo um pouquinho apenas, e uma paz me domina: estou indo para a minha casa, onde sou invencível e onde a vitória é minha rotina.





Hoje o Coritiba tem a primeira decisão de 2012. Que jogadores e torcida façam, cada um, a sua parte. Aqueles, com garra, estes com apoio incondicional durante os noventa minutos. Uma vez estabelecida a simbiose time-torcida, a vitória será consequência natural.




Cori, Cori, Cori
Cori, Cori, Cori
Coritiba
Coritiba, meu esquadrão
Sempre presente no meu coração
Vencer é o seu lema
Trabalhar é tradição
Salve, Salve, Coritiba
Eterno Campeão

Suas cores Verde e Branca
No mastro da vitória
Hão sempre de tremular
A uma voz vamos todos cantar
Vencer é o seu lema
Trabalhar é tradição
Salve, Salve, Coritiba
Eterno Campeão

Letra e música: Vinicius Coelho / Sebastião Lima


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Indiferença

26/03/2012 11h15
Marcus Popini

Ignoram-se, pois, todos os sintomas de que algo possa estar errado. E é apavorante a sensação de já ter visto esse filme antes. Se ainda não for a hora de dizer que tudo está errado, é, no mínimo, a hora de rever alguns conceitos e de mudar algumas estratégias, sob pena de desperdiçarmos tudo o que vem sendo reconstruído com muito sacrifício.

Foi assim que eu concluí um texto postado neste espaço há exatamente um mês. E agora, a todos os sintomas de que algo não vai bem no Alto da Glória, juntou-se mais um que, infelizmente, pode ser fatal: a indiferença.

1) Indiferença dos jogadores. Já na segunda partida contra o Nacional, em jogo que simplesmente valia o avanço à próxima fase da Copa do Brasil, fiquei estupefato ao ver os jogadores simplesmente andando em direção a Anderson Aquino, depois de ele marcar cada um dos seus dois gols na partida. Vibração zero, empolgação e felicidade idem.

Ontem, contra o poderoso Arapongas (que, insisto em lembrar, havia levado 4x0, em casa, do Londrina, na penúltima rodada), além da completa falta de movimentação e da total falta de empenho, os jogadores demoravam horas para levantar depois de sofrerem faltas (Renan Oliveira e Lucas Mendes, ainda no primeiro tempo, rolaram em campo e saíram de maca para, logo após deixarem o gramado, pedirem para retornar). Por óbvio que haveria de se investigar se foram ou não contusões sérias, e de se cuidar dos jogadores. Porém, o placar adversário não ensejaria um mínimo de garra por parte dos jogadores alviverdes (os do pretenso maior vitorioso do mundo, não os do poderoso Arapongas)? Ao ver os jogadores coritibanos estendidos no gramado, rolando pra lá e pra cá, a lembrança de exemplos de garra como os de Reginaldo Nascimento e de Leandro Donizete era de doer na alma...

2) Indiferença da diretoria. Ao desfazer-se de Leo Gago e Leandro Donizete, a diretoria simplesmente acabou com a estabilidade do meio de campo Coxa Branca. Ao vender (?) Marcos Aurélio, nos tirou o direito de ter esperanças em um jogador capaz de fazer a diferença em uma jogada. Ao trazer Marcel, apostou suas fichas em um refugo que ninguém mais queria (e parece repetir o mesmo agora com Keirrison, ainda que a ele seja merecida uma segunda chance, por sua pouca idade e pelo que já fez pelo Coritiba); ao contratar Junior Urso, debochou da torcida ao cantá-lo como substituto para os nossos volantes; ao manter Marcelo Oliveira, que não só não consegue mais motivar o time, como sempre foi incapaz de criar variações táticas para reverter situações adversas, assinou um contrato de compras de passagens (de volta) para o Inferno, e de primeira classe.

3) Indiferença da torcida. Apegada a rankings fajutos sobre treinadores de futebol (que não levam em considerações as conquistas), a recordes que só servem para placas decorativas e enfeites em camisas, pois também não traduzem conquistas de campeonatos, a números de invencibilidade em um campeonato de nível abaixo do medíocre, a torcida alviverde parece entorpecida. Engole com farinha jogadores medíocres que nenhum outro clube quer, aceita passivamente que meio time tenha ligações com uma empresa (vê repetir histórias acontecidas no Paraná Clube e no Avaí e nada questiona), defende um treinador que SEMPRE falhou nas horas decisivas, aceita o “quase” (quase campeão da Copa do Brasil, quase classificado a Libertadores) como rotina e, o que é pior, deixa-se levar pela inércia da comparação onde estávamos - onde estamos, desconsiderando o mais importante, que é o onde estaremos amanhã.

É certo que 2011 marcou a recuperação de um time que tinha caído ao fundo do poço. Isso deve ser (e até já foi) bastante valorizado. Mas não podemos ficar olhando pra trás, parar no tempo e deixar de avançar. Os sinais de que as coisas não vão bem no Alto da Glória são muito claros, insisto. Aceitar o péssimo desempenho do time alviverde em 2012 é fechar os olhos para a repetição de tragédias recentes.

É preciso mudar o futebol do Coritiba. E a hora é agora, sob pena de essa indiferença nos custar caro, OUTRA VEZ.


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As duas faces do respeito

22/03/2012 13h29
Marcus Popini

Espero que o segundo tempo do Coxa contra o Paranavaí tenha sido o ponto de inflexão na curva descendente em que o Coritiba havia se metido. Que tenhamos, enfim, lembrado de como a postura ofensiva deve prevalecer sobre o excesso de zelo defensivo.

Sim, futebol é onze contra onze, como disseram alguns jogadores do Coritiba, e todo adversário merece respeito. Ocorre que nosso “cauteloso” treinador confunde respeito com subserviência.

Respeito há de se ter por todos, é óbvio, mas, antes de tudo há de se ter respeito pela história do Coritiba e pela devoção de sua torcida, devoção essa nascida ao ver um time que não se curvava a ninguém, se não tecnicamente, dadas as abissais diferenças de alcance econômico, ao menos em postura, em dedicação e em dignidade de clube grande.

Respeito há de se ter pelo Nacional de Manaus (assim como por qualquer outro clube) e pelos jogadores que o defendem, mas antes disso deve vir a consciência de que respeitar não é temer.

Respeito deve servir como motivação para a vitória, como na partida contra o Palmeiras na Copa do Brasil em 2011, e não como motivador da derrota, como nas finais da mesma Copa diante do Vasco da Gama. Contra o time paulista, o respeito pelo adversário vestiu-se de coragem e nos deu um momento antológico; já contra o time carioca, o respeito pelo oponente travestiu-se de medo e transformou-se em um trauma. Desde então, esse medo passou a ser característica indelével do Coritiba de Marcelo Oliveira, mormente quando o time atua longe do Couto Pereira.

Respeitar a si próprio não deve vir antes de respeitar aos outros. Mas se vier depois é receita certa para o fracasso.


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Sintomas

23/02/2012 11h35
Marcus Popini

2011 terminou para o Coritiba com uma derrota para o Atlético, já rebaixado, que nos custou a segunda chance do ano de nos classificarmos para a Libertadores.

Ainda assim, as boas campanhas na Copa do Brasil e no Brasileirão, bem como o título estadual conquistado de forma invicta e o recorde mundial de vitórias consecutivas serviram para sufocar o sentimento de frustração que poderia ter restado em alguns torcedores (eu entre eles, sempre admiti isso).

Para 2012, descartadas as desconfianças de alguns poucos torcedores (eu entre eles, sempre admiti isso) em relação à manutenção do nosso treinador, as expectativas eram (são?) boas, não apenas por conta do bom 2011 que tivemos, mas, principalmente, porque a diretoria alviverde prometeu que nossa base de jogadores não somente seria mantida, como seria reforçada por contratações pontuais e criteriosas.

Mas eis que saíram Jeci, Leandro Donizete, Léo Gago, Marcos Aurélio, Bill e Davi. Jeci era o capitão do time; Gago e Donizete eram dois volantes que não apenas marcavam, mas sabiam muito bem fazer a transição para o ataque; Marcos Aurélio, ainda que não tenha tido um ano brilhante, marcou 20 gols na temporada; Bill, ainda que tenha caído de rendimento no final do ano, corria muito em campo, mexia com as defesas adversárias, e marcou 27 gols; Davi marcou 18 e, quando esteve em campo, foi um dos responsáveis pelo melhor futebol que jogamos em 2011.

Aí eu pergunto: com a saída desses jogadores, como é possível dizer que 80% da base foi mantida? E os jogadores que vieram para substituí-los? Marcel tem lugar cativo na lista dos piores centroavantes que já passaram pelo clube, Lincoln é uma aposta que tem 32 anos de idade, Renan Oliveira é outra aposta, Junior Urso outra, e por aí vai. Então é assim que iremos buscar conquistas em 2012, tipo dando um "all in" e, o que é pior, na base do blefe?

Será que a terceira colocação no campeonato estadual, a apenas uma rodada do final do primeiro turno, não é um sintoma forte de que algumas coisas estão erradas? Será que ter que torcer contra o poderoso Cianorte, pela terceira rodada consecutiva, não sugere que algo está muito diferente do que foi planejado? Será que depender de Arapongas (que, na minha opinião, tem um treinador - Dario Pereyra - que, ao estar recomeçando sua carreira, poderia estar comandando o Coritiba) e de Paranavaí, para ter chance de conquistar o turno, não é deveras humilhante para um antes favorito disparado?

E o que se ouve lá no Alto da Glória? Nada, silêncio absoluto. Canta-se a contratação de mais um atleta ligado a tal LA Sports (até para quem não crê em teorias da conspiração já está ficando difícil explicar essa dependência e essa insistência – Vanderlei, Emerson, Eltinho, Gil, Junior Urso, Rafinha, Leonardo e, agora, Roberto, são atletas com ligações com a empresa) como a possível solução para todos os nossos problemas, lamenta-se a contusão de jogadores que já tiveram muitas chances em 2011, mas que nunca foram capazes de agarrá-las, mas não se ouve um “a” sobre a necessidade de uma correção de rumos.

Ignoram-se, pois, todos os sintomas de que algo possa estar errado. E é apavorante a sensação de já ter visto esse filme antes. Se ainda não for a hora de dizer que tudo está errado, é, no mínimo, a hora de rever alguns conceitos e de mudar algumas estratégias, sob pena de desperdiçarmos tudo o que vem sendo reconstruído com muito sacrifício.




Atle-Tiba de torcida única

Lamento, e muito, a realização do Atle-Tiba com apenas uma torcida. E lamento mais ainda que o presidente alviverde, por quem eu tenho muito respeito, dada a sua coragem de assumir o clube quando quase todos o abandonavam, tenha apoiado a idéia.

Nada vai me tirar da lembrança, por exemplo, os três Atlé-Tibas decisivos de 1978, com o Couto Pereira dividido quase que meio a meio, em que as torcidas eram parte do espetáculo. Sim, os tempos mudaram, a intolerância alimentada até por cultos a simples cores cresceu, mas nada justifica dar o tiro de misericórdia na esperança de voltar a ter paz nos clássicos do futebol. E é muito triste a constatação de que as idéias de um dirigente (lá de baixo) que faz o que quer, prevaleçam não somente sobre o que é legal (vide o Estatuto do Torcedor), mas também sobre o que é moral, e determinem o fim da alegria e da rivalidade saudável.

Espero que para o clássico do segundo turno isso seja revisto, e que a política olho por olho, dente por dente, seja trocada por uma prova da pretensa grandiosidade que temos nós, os Coxas Brancas. Pois uma conquista contada apenas pelos vitoriosos pode ser transformada em falácia pelos derrotados que não puderam contemplá-la.


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