Felipe Rauen
Amigos, estou com dificuldades para escrever a coluna, uma vez que, de tanto gritar, vibrar e depois rir e gargalhar com a conquista de mais um título em cima “deles”, sofri cãibra nos músculos faciais e estou sob efeito de relaxantes musculares. Mas algo dá para produzir, até porque em já tinha alguma coisa preparado, pois tinha certeza de que ganharíamos, mesmo que na disputa em penalidades.
Como não consigo parar de rir, agora ouvindo pelo rádio a nossa festa não vou comentar o jogo, pois hoje é dia de apenas festejar e tripudiar sobre eles (ou vocês estão pensando em outra coisa nesta hora?). Nos próximos dias voltarei com comentários sobre o a campanha do time, os jogadores, o técnico e a direção.
Como a vingança é prato que se come frio, em razão da coluna de certo jornalista publicada na sexta feira, e da nota oficial de baixo nível dada a público pelo rival no sábado, entendi de selecionar algumas frases que, penso, podem se aplicar à situação criada desde então até a conquista do título. Confesso que, além dos nazistas e de George Sand, meus conhecimentos esbarram nos nomes dos demais frasistas, a respeito dos quais nunca havia ouvido falar, mas os encontrei no site www.pensador.uol.com.br que presumo ser sério.
Primeiro, lembro frase atribuída a Goebbels sobre Hitler, quando este ainda não era o Fuhrer: “Esse homem é um perigo, ele acredita no que diz”.
Como diziam os letreiros dos filmes antigos, qualquer semelhança com personagem real poderá ser mera coincidência (ou não?).
Depois, já homem forte do regime, dizia Joseph Goebbels, então Ministro da Propagando do Terceiro Reich Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade”.
Ele assinaria a nota?
Segundo George Sand: “A calúnia e a injúria são armas da ignorância”.
Eu acrescentaria, “e dos que se sabem mais fracos e precisam desviar o foco”.
No mesmo site consta frase de Cristina Navarro Ferrari: "A calúnia é um recurso dos pobres de espírito, e dos incompetentes".
No futebol paranaense sem dúvida é, Cristina.
“Antigamente as pessoas falavam sem pensar;
Elas agora escrevem!” (Mara Chan)
E como, Mara, e como!
E sobre a direção do Coritiba ter agido de forma altaneira e digna, não ingressando no baixo nível proposto pelo rival, anotei uma frase interessante: “A calúnia é como uma vespa que o importuna e, contra a qual, não se deve fazer qualquer movimento, a não ser que se tenha a certeza de a matar.” (Sébastien-Roch Chamfort)
E a matamos, Sébastien, a matamos do modo mais doloroso possível, deixando que tivessem esperança até os últimos minutos para então colocar a tampa do caixão!
Por fim, como hoje é o Dia das Mães, recomendo à direção do rival e ao colunista valioso conselho que minha querida falecida mãe sempre deu aos seus filhos: “Em boca fechada não entra mosca”.
E nem troféu de vice-campeão.
Pronto, voltou a doer o rosto. Estou escrevendo e com o rádio sintonizado, via internet, em emissora de Curitiba, acabando de ouvir a narração da defesa do Vanderlei e do gol do Everton Ribeiro e não contive mais um grito de vibração. Não faz mal, melhor doer o rosto do que a alma.
Não poderia encerrar sem expressar meu penhorado agradecimento ao Dr. Domingos Moro por ter obtido a liberação do Guerron para o jogo de hoje. Foi decisivo.
Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.
Ou entre em contato com este blog através do e-mail boladecouro@coxanautas.com.br.
Felipe Rauen
Domingo teremos mais uma final do campeonato estadual através de atleTIBA, dessa vez com a possibilidade de conquistarmos mais um tricampeonato, título raro para quase todos os clubes do Brasil. Embora o campeonato estadual seja praticamente centenário, somente quatorze títulos foram decididos diretamente através de finais em atleTIBAS e, em que pese a estatística do confronto geral nos seja largamente favorável, nas decisões não, pois eles conquistaram mais títulos do que nós na disputa direta.
Mais uma razão para concentração de esforços no domingo e mais uma razão para que o otimismo não se confunda com desprezo ao adversário e muito menos com descuido e autossuficiência, mãe certa de muitas derrocadas. Vamos entrar em campo confiantes, mas com os pés no chão. O adversário, embora na hora em que o coração fala e no calor da emoção da partida tendamos a dizer que não, tem valor sim – não tivesse não teria chegado até aqui – e não podemos nos descuidar.
Como disse o colega Gibran em coluna postada hoje, citando o folclórico Jardel : “clássico é clássico, e vice-versa”. Não há favoritismo em atleTIBA ou qualquer clássico. O imponderável seguidamente acontece, a ansiedade às vezes resolve um jogo, um erro pode ser fatal. Um craque muitas vezes se esconde do jogo e um atleta de quem não se espera muito desponta e decide. Sem contar eventuais erros de arbitragem que, no domingo, embora os queixumes do senhor da baixada, se estiver condicionada será em favor deles tantas e tantas foram as lamúrias para desviar o foco.
Mas quero abordar outro enfoque antes do resultado, e o faço desde já para evitar que, caso sejamos campeões – o que, como vocês desejo com todas minhas forças – não me entendam oportunista (presumo que ninguém pensaria assim, já me conhecem bem, mas...). Ou, se perdermos (sai prá lá!) não pareça que estou tentando salvar a pele de alguém.
Sei também que vou desagradar a alguns. Mas desagradar no campo das ideias, pois a todos os companheiros colunistas e a todos os leitores tenho-os como amigos virtuais que suprem a minha saudade por estar fisicamente longe de Curitiba e do Coritiba e sei que os que vão divergir o farão na mesma medida. Sempre que polemizo lembro-me do que dizia Rousseau “Quem quer agradar a todos não agrada a ninguém”.
Pois bem, vamos à opinião.
Refiro-me ao Marcelo Oliveira que, se formos campeões no domingo, para alguns será apenas um pouco responsável dentre tantos, ou outros dirão que vencemos “apesar dele”. Mas, meus amigos, se a catástrofe de uma derrota (vade retro!) ocorrer, alguns serão dados como culpados, mais o maior deles sem dúvida será o treinador (no inconsciente de alguns já o é). A vitória terá muitos pais. A derrota (sai prá lá, xô!) será quase órfã, muitos se escusarão da responsabilidade, e poucos aceitarão a paternidade. Dentre esses, aceite ou não a paternidade, ela será imediatamente imputada ao Marcelo Oliveira, mesmo sem exame de DNA e ainda que a causa seja uma gritante falha individual ou um crasso erro de arbitragem.
É costume arraigado no torcedor brasileiro culpar o treinador pelo fracasso do seu time e raramente dar-lhe crédito pelas conquistas, sei bem disso. É uma conduta cultural que jamais será mudada e nem eu tenho a pretensão de querer nestas poucas linhas e neste modesto espaço mudar.
Mas haja o que houver no domingo, proponho algumas reflexões aos amigos leitores.
Fiz uma incursão junto à Wikipédia. Sei de sua limitação e que a confiabilidade não é absoluta, mas foi o único site em que encontrei as estatísticas que buscava sobre treinadores de renome para comparar com o desempenho do Marcelo Oliveira.
Vou iniciar pelo louvado Vanderlei Luxemburgo, desconsiderando o período em que está no Grêmio, o qual comandou por apenas 10 jogos, onde, embora o bom número de vitórias, não conseguiu chegar nem a decidir o campeonato estadual. Nos dois anos em que a Wikipédia registra o percentual de aproveitamento do Luxemburgo, 2009 (Santos) e 2010 (Atlético-MG), foram eles de 49,9% e 52,8%, períodos que incluíram campeonatos estaduais e nacionais.
Outro renomado técnico, campeão da América, Muricy Ramalho, consta do mesmo site com a seguinte campanha em 2010/2011 (não há dados de 2012): Fluminense 65,6% - Santos 58,9%, também abrangendo campeonatos estaduais e nacionais.
E Felipão, técnico campeão do mundo pela seleção brasileira, hoje no Palmeiras, e que, segundo o mesmo site afirma, embora não apresente um quadro ano a ano: “Assinou o contrato no dia 15 de julho de 2010. Até o momento possui um aproveitamento de 58%” (edição atualizada em 26 de abril de 2012). Isso nos campeonatos estaduais e nacionais em que comandou a equipe.
Pois bem, o Marcelo Oliveira teve aproveitamento de 68% em 2011 e em 2012 até agora tem de 76% (provavelmente o percentual talvez deva baixar no campeonato brasileiro, mas torço para que não). É o melhor dentre os quatro, sem dúvida.
São apenas números, dirão alguns, o time nem sempre joga bem. Mas ao fim e ao cabo, as disputas não se resumem a números, a pontos ganhos? Alguém pode apontar algum time vitorioso que sempre venceu e convenceu, afora talvez a seleção brasileira de 1970? E o material humano à disposição do Marcelo Oliveira neste ano, não é um tanto inferior ao do ano passado? Diz-se que o time não é ofensivo, a despeito de ter um dos melhores ataques do país. E isso contando com jogadores apenas medianos como Anderson Aquino e Roberto, e mediocridades, para não dizer mais, como Marcel e Caio Vinícius, estando em tratamento o figurante Everton Costa. Com tais atletas, diga o leitor em são consciência, é possível exigir que o Coritiba seja mais ofensivo? Na verdade, as limitações orçamentárias do clube, que ainda está em gradual e seguro processo de refundação desde a catástrofe de 2009, não permitem contratações de impacto. Temos que esperar que algo desponte das categorias de base ou que o Keirrisson se recupere física e tecnicamente. Não há como culpar o treinador porque os artilheiros do time são um meia e um zagueiro. A incompetência é dos atacantes e não do esquema.
Eu sei, ele errou, e feio, na final da Copa do Brasil com a escalação esdrúxula do Marcos Paulo. Mas se de um lado corrigiu o erro ainda em tempo para uma virada do placar, não contava com a falha grotesca do Edson Bastos e nem com a negação de um pênalti claro pelo árbitro. Por outro lado, ninguém pode ser condenado eternamente por um erro se depois demonstra esforço, aptidão e recuperação. Lembro-me que na Copa do Mundo de 1982 o Telê Santana errou feio por arrogância ao comandar a seleção no jogo contra a Itália, organizando um esquema festivo e ofensivo de modo a desclassificar o Brasil com derrota contra a Itália que até ali sobrevivia com empates e só jogava nos contra-ataques. Se por isso tivesse sido execrado, em 1992 e 1993 não teria sido bicampeão do mundo pelo São Paulo F.C. Um erro não pode marcar uma pessoa como o ferro em brasa marca o gado.
Era isso amigos. Se formos tricampeões domingo, todos o seremos e cada qual terá sua parcela proporcional pelo sucesso, direção, comissão técnica, técnico, atletas e torcedores, em especial os associados. Se não formos (sai prá lá!), todos também seremos responsáveis, na mesma proporção. O Coritiba é uma organização dentro da qual todos nós fazemos parte, desde a base que são os torcedores e associados, passando por atletas e comissão técnica e até a direção maior. Devemos dividir as glórias e os fracassos (sai prá lá de uma vez por todas!). Ninguém será campeão sozinho e ninguém será responsável por um eventual fracasso sozinho.
Até a vitória.
Desculpem se fui extenso, mas não tive tempo para ser sintético.
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Felipe Rauen
Estou a imaginar o conflito emocional a que deve estar submetido o Dr. Domingos Moro desde quarta-feira à noite.
Como profissional competente, um dos melhores advogados do Direito Desportivo do Paraná e do Brasil, cumpriu seu dever com eficiência em favor do nosso rival e dos seus atletas, logrando a absolvição de quatro dentre os denunciados por infrações disciplinares praticadas no último atleTIBA, bem como obteve a desclassificação da imputação sofrida por um deles de modo a ser condenado para apenas dois jogos de suspensão, uma delas já cumprida, restando habilitado a disputar o segundo clássico e aqueles para os dois.
Suponho que, para aceitar a causa, deve ter passado noites insones diante do conflito de consciência entre atender ao interesse profissional – que em nada fere a ética como advogado, fique claro - ou deixar prevalecer o sentimento de coritibano, ainda mais sendo seu dirigente, membro vitalício do Conselho Deliberativo que é, enfoque sobre o qual não vou aqui ingressar. Imagino que certamente foram momentos difíceis.
Eu não teria qualquer dúvida, mas cada um sabe de si.
Mas e agora, passado o julgamento, certamente neste e no próximo domingo deverá o ele torcer pela vitória do glorioso alviverde, seu clube de coração, não tenho porque duvidar.
Que conflito, que situação! Dar tudo de si para conseguir que o adversário seja reforçado para nos enfrentar, mas ao mesmo tempo, suponho, o coração desejar que o Coritiba o vença! E se aqueles atletas forem decisivos para uma eventual derrota do Coritiba? Como conviver com o paradoxo e com o resultado?
Imagino que nosso conselheiro deva estar passando por momentos emocionais muito difíceis. Espero que o seu coração prevaleça e que o Coritiba seja campeão, de modo a que a sua satisfação profissional seja superada pela de torcedor.
Provavelmente no seu íntimo ele espera assim também.
Shakespeare, se vivo estivesse, diria que a situação caracterizaria um plágio de sua obra “Hamlet”, na qual no momento popularmente mais conhecido o personagem questiona: “Ser ou não ser, eis a questão”.
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Felipe Rauen
Em razão de acontecer em meio a um “feriadão”, de se tratar de jogo sem importância para a classificação dos clubes – nem mesmo a geral, pois o Coritiba já garantira o primeiro lugar de “tala erguida” como dizem os turfistas - e por entrar em campo o com uma escalação de teste, com quase só jovens desconhecidos, poucos assistiram à partida do Coritiba contra o Roma-Apucarana na cidade do mesmo nome.
Pois bem, como quase ninguém falou sobre o jogo, falo eu.
Na verdade foi uma partida sem muito brilho, mas alguns fatos devem ser destacados.
Promessas. Em primeiro lugar, alguns jovens podem ser vistos como promessas, nenhum ainda como certeza de que logo ali será aproveitado como craque e tampouco que deve ser descartado. Há que se dar novas oportunidades e devem ser melhor observados. Entre os que pareceram, digamos assim, melhores promessas estão Lucas Claro, que no ano passado já entrou muito bem em algumas partidas, Rafael Silva, que igualmente já mereceu algumas oportunidades e em algumas se destacou e em outras não e Djair. Outros, como Vinícius, Artur e Diego, estão no grupo das promessas a ainda serem melhor observados. Primão, com o qual me encantei nos campeonatos das categorias de base que pude ver, quase não teve tempo para mostrar seu futebol. O único que me pareceu, até porque já entrou por alguns minutos na equipe principal, que talvez não tenha muito futuro, seria o Emerson Santos, mas mesmo assim é de cautela aguardar um pouco. Nenhum dos nominados, salvo Lucas Claro, parece-me que já se pode dizer tem lugar certo na equipe, se necessário o aprovietamento imediato. Mas por enquanto não vamos idolatrar e nem queimar nenhum dos garotos. Penso que estamos no bom caminho com essa base.
Dúvidas. Por outro lado, dois dos atletas que já integraram a equipe principal várias vezes geraram-me dúvidas pela atuação que tiveram. Renan Oliveira foi o melhor em campo, embora as atuações pífias anteriores. Será que estava inspirado, ou será que foi pela fragilidade do adversário, ou tem mesmo potencial, ou é tal como um vagalume que acende e apaga conforme o jogo (é de “lua”, como se dizia antigamente)? E o Caio Vinícius, pode repetir a boa atuação que teve nos vinte minutos em que participou do jogo? Ou foi também a fragilidade de adversário? Dúvidas.
As certezas. A primeira é a de que o Eltinho não tem mesmo nada mais para dar do que deu contra o Roma. Esperava-se que contra o desmotivado penúltimo time do campeonato, Eltinho pudesse se destacar em razão da condição de ser um veterano em meio aos garotos. Mas jogou o pouco que sempre joga. A segunda é em relação ao Marcel. Manteve-se, tal como fez desde que chegou ao Coritiba, parado, sem vibração, esperando que a bola chegasse aos seus pés ou cabeça, como se fosse um Romário ou coisa parecida. E quando ela chegava, o que fazer com ela? Parece que não gosta mais de jogar futebol.
Por fim, uma quase certeza, que lanço com um pouco de dor no coração, foi a atuação do Edson Bastos. Já foi ídolo, merece nosso respeito pelo que conquistou, mas desde as atuações em meados do ano passado não nos dá mais confiança. Falhou feio no gol do Roma e igualmente falhou feio no gol anulado. Dizer que estava sem ritmo de jogo é argumento que pode servir para qualquer jogador das demais dez posições da equipe, mas para o goleiro jamais, pois suas falhas podem ser irremediáveis. Imagine-se se em uma partida decisiva na Copa do Brasil ou nos atleTIBAS finais o Vanderlei sofrer lesão e o Edson Bastos entrar e falhar daquela maneira porque “está sem ritmo”? Inaceitável. Está na hora de ver se na base há um bom goleiro ou buscar outro no mercado. Sem, jamais, desrespeitar o Edson Bastos, que tem seu nome associado à história do Coritiba e dele deve sair homenageado. Para todos chega a hora de procurar novos ares. A vida é assim, ainda mais na dinâmica do futebol. Como dizia Che Guevara, de quem não sou admirador, mas a frase é boa, na vida às vezes “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!”.
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Felipe Rauen
Amigos, desta vez não vou analisar o atleTIBA (limito-me a dizer: como é bom ganhar deles!). Muitos já o fizeram e quase tudo o que havia a ser dito já o foi.
Pretendo analisar não a arbitragem propriamente dita como o título parece sugerir, mas os reflexos da mesma, a partir do que passou a aparecer hoje como tendo partido do poderoso-chefão dos rubros.
O homem maior dos rubros, segundo coluna de hoje do sr. Mafuz, teria debitado a derrota deles no atleTIBA à arbitragem, e por isso pretende que as finais sejam realizadas com árbitros de fora. A mesma coluna, que tem como linha de conduta sempre ver as coisas pelo viés atleticano e contra o Coritiba, o que não é novidade e surpreendente seria o contrário, desmascara a afirmação do presidente do rival só com o seu título: “Velha desculpa”. Nada mais seria necessário. Cabe lembrar também que, fugindo um pouco às suas características, na coluna de segunda-feira o sr. Mafuz reconheceu como inquestionável a vitória do Coritiba, afirmando: “O Coritiba ganhou o jogo (4 x 2) mereceu ganhar com sobra”, não se agarrando em nenhuma desculpa a respeito da arbitragem, certamente porque nenhuma margem para tal havia e não há.
E na mesma segunda-feira, o colunista Carneiro Neto, também identificado com o rival, mas sem dúvida jornalista respeitável, comedido e coerente, encerrou a coluna afirmando peremptoriamente “Excelente a arbitragem de Antonio Denival de Moraes”.
É o que basta para afastar a bengala em que se ampara o comandante rubro. Mas a nós pouco se dá. Pode vir arbitragem de outros estados, de outros países ou até de outros planetas. Basta que seja honesta e competente. Não queremos favorecimento nenhum. Apenas não queremos condicionamento e nem tendenciosidade. De qualquer modo, que a direção do Coritiba fique alerta pois deve saber com quem está lidando.
Não encerro sem registrar um pouco de perplexidade com a atitude paradoxal de alguns coritibanos que querem ver impedimento ou pelo menos dúvida no lance do gol do Lincoln. Não houve impedimento. Revejam o lance. E se houver alguma dúvida, ainda assim ela deve prevalecer em favor do gol. O objetivo do futebol é marcar gols e não marcar impedimentos. Na dúvida, deve-se deixar o lance correr e não interrompê-lo. Tal como no direito penal onde na dúvida se absolve o réu, ou seja, é ele deixado livre, no futebol em lances de ataque as diferenças milimétricas não devem impedir o prosseguimento da jogada, pois o esporte foi concebido com a finalidade de serem feitos gols e não de impedi-los por qualquer pretexto não claro.
Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.
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Felipe Rauen
Em 08 deste mês, sob o título “Luz para todos?”, o jornal Gazeta do Povo publicou matéria sobre a colaboração da Copel na construção da Arena da baixada, cujo primeiro parágrafo assim diz:
“Além de mais de R$ 120 milhões em potencial construtivo (direito de construir além dos limites fixados na Lei de Zoneamento), o Atlético terá outra grande benesse do governo na reforma da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014. O clube receberá um empréstimo a fundo perdido (sem previsão de reembolso), da Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel), com o intuito de instalar painéis para captação de energia solar em seu estádio.” Ao custo de R$ 24.600,00, diz logo adiante.
Em 15 de julho de 2010, quando ainda não era colunista dos COXAnautas, fui distinguido com a republicação de artigo que foi transcrito em alguns jornais, inclusive do interior do Paraná, mas, pelo que vejo agora, não surtiu nenhum efeito. Ainda que correndo o risco de ser cansativo e inconveniente pela repetição, como o assunto voltou à pauta, vou transcrever o que disse, aproveitando agora que o Tribunal de Contas do Estado tomou a si a responsabilidade de examinar a legalidade da obra – na esperança alguém com poder ou influência e principalmente responsabilidade o leia e pondere sobre a irresponsabilidade e verdadeiro crime contra a coisa pública que se está cometendo.
Segue a transcrição literal do que escrevi há quase dois anos:
“Com a constatação de que não têm meios para confirmar a candidatura de Curitiba, via Arena da Baixada, para ser uma das subsedes da Copa do Mundo de Futebol de 2.014, tratam alguns homens públicos e dirigentes do Clube Atlético Paranaense de buscar recursos para honrar o compromisso precipitadamente assumido, através da ideia de parceria com a maior e mais sólida empresa paranaense, a Copel, sob o falacioso argumento de que haveria interesse público na obra pois a capital do Paraná seria temporariamente levada ao mundo e que o uso do dinheiro público se justificaria como verba publicitária.
Como exercício de retórica e como sofisma, os argumentos são muito bem lançados, mas não resistem a uma análise por menos acurada que seja.
Em primeiro lugar, deve ficar claro que a Copel, como sociedade de economia mista, integra a administração indireta do Estado do Paraná e como tal tem obrigação de se submeter ao princípio da impessoalidade previsto no “caput” do artigo 37, da Constituição Federal, ou seja, não pode agir tendo em vista interesse privado, favorecendo um particular ou um grupo sem visar o interesse de toda a comunidade e sem dispensar tratamento igual a todos os administrados e sem atentar também para o princípio da isonomia.
Fosse o caso de investir em estádios, deveria a Copel entregar os mesmos recursos ao Coritiba F.C. e até mesmo ao Paraná Clube, não se afastando que o fizesse até aos clubes do interior do Estado. Mas não defendo aqui que ajude também o meu clube, pois não é para isso que foi criada e existe a Copel, cujo acionista majoritário é o Estado do Paraná, ou povo do Paraná, e cuja finalidade única é a geração e distribuição de energia elétrica, jamais a construção ou reforma de estádios de futebol. Desvio de finalidade é também violação ao princípio da impessoalidade, uma vez que o administrador só pode praticar atos que o direito autoriza, no caso a lei e o estatuto que regem a Copel.
E sobre o sofisma de que haveria interesse público em face da promoção da cidade com a Copa do Mundo, basta constatar que o aporte de recursos serviria para alojar apenas jogos de um grupo, três jogos(!), passando o patrimônio a partir de então à iniciativa privada para sempre. Como falar então em interesse público se o investimento ao final vai somente enriquecer o patrimônio particular através de evidente artifício? Promover Curitiba, já conhecida mundialmente por suas políticas urbanísticas e ecológicas, por quinze ou vinte dias, justificaria tão grande abuso de dinheiro público?
E aos que argumentam que o registro do nome da Copel no estádio justificaria o investimento, pois se trataria de publicidade, duas observações. Uma estatal que detém monopólio da distribuição de energia elétrica não precisa de publicidade, salvo em campanhas educativas, como prevê o § 1º, do mesmo artigo 37, da Constituição Federal. Certamente não será o caso, a uma porque não se imagina uma campanha educativa fixa em estádio e a duas porque campanha educativa deve atingir a toda a coletividade e não apenas a adeptos de um clube. Depois, o que é fundamental, se fosse o caso de a Copel precisar de publicidade, não deve e não pode fazê-la a tão alto custo e menos ainda privilegiando um só local, um só veículo, mais uma vez ferindo o princípio da impessoalidade e da isonomia, tal como faria se privilegiasse apenas um meio de comunicação em seus anúncios.
Por fim, cabe lembrar que o desejado patrocínio, se vier a ocorrer, ferirá de morte o princípio constitucional da moralidade, igualmente previsto no já citado artigo 37, da Constituição Federal. Ainda que se venha a dar aparência de legalidade a eventual ato de uso de dinheiro público em obra privada, aplicar-se-ia o que o Direito Romano já dizia “nem tudo o que é legal é honesto”, ou seja, não basta que a atuação estatal aparente ser compatível com a ordem legal vigente, mas também é necessário que a gestão da coisa pública seja feita de modo a atender aos padrões de conduta que a comunidade considere relevantes.
Confia-se que os homens públicos paranaenses saibam ser republicanos na correta acepção do termo e que, caso não se apercebam da ilegalidade e a permitam, o Ministério Público atuará dentro do seu poder-dever constitucional.”
Agora, o argumento é outro, não se trata mais de publicidade, mas sim de captar energia solar conforme constou no texto transcrito ao início. E, segundo a mesma edição da Gazeta do Povo: “De acordo com a Lei n.º 9.991, de 24 de julho de 2000, todas as empresas concessionárias de energia elétrica são obrigadas a aplicar 0,5% de sua receita operacional líquida em ações de combate ao desperdício de energia, chamadas de eficiência energética, na qual a energia solar se enquadra.” Porém, observem o maquiavelismo caros amigos, segue o jornal dizendo, “Mas somente no caso paranaense a aplicação será feita em uma obra privada.” Por que será? A Copa é da Copel, ou a Copel é da Copa, ou a Copa é do Atlético, ou a Copel é do Atlético, ou, sei lá quem é de quem nessa história, só sei que é evidente a falta de respeito aos princípios constitucionais que apontei antes.
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Felipe Rauen
Peço aos amigos que me perdoem por ocupar novamente este espaço em que pese tê-lo feito há apenas dois dias, quando o usual é fazê-lo em intervalos em torno de uma semana ou dez dias.
Ocorre que um fato novo e grave aconteceu e que me obriga a manifestar opinião.
Trata-se, como talvez a esta altura muitos já devem saber, das ameaças anônimas de agressão física recebidas pelo presidente Vilson Ribeiro de Andrade, via Internet, provavelmente através de emails apócrifos, conforme retratado na coluna do Leonardo Mendes Jr. ontem, na Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/blog/bolanocorpo/conteudo.phtml?tl=1&id=1241531&tit=Vilson-registra-queixa-apos-receber-ameacas-anonimas-pela-internet).
Hoje, como se sabe, é muito fácil fazer um email falso, bastando preencher o cadastro de um provedor com dados irreais, desde que o CEP corresponda ao endereço indicado. Recebendo, em seguida, via celular, um login, com a utilização deste o email estará habilitado. Pessoa das minhas relações já foi vítima desse expediente, mas, tremam covardes, através de uma investigação bem feita e não muito demorada chegamos ao computador de onde partiram os emails apócrifos e ao nome do usuário, o que certamente ocorrerá no caso em que é vítima nosso presidente.
E o presidente, pela dimensão, dignidade e grandeza do cargo que ocupa – sem contar as suas características pessoais – foi muito discreto e se limitou a registrar a ocorrência policial e pedir a investigação, sem desbordar para ataques aos criminosos.
Mas eu, que não tenho compromisso com nenhum cargo no Coritiba, e nem mais com o meu de origem, pois estou aposentado, vou expressar minha indignação com palavras fortes, utilizando a justificativa que a Bíblia denomina como a “ira dos justos”.
O anonimato só se justifica quando da denúncia de crimes ou de sua autoria e o denunciante possa correr riscos à sua integridade se aparecer. Aí o bem público prevalece. No mais, é repulsivo e é a forma mais grave de se esconder atrás da covardia.
Quem usa do anonimato para fazer ameaças, além de covarde é pusilânime, repulsivo, abjeto, desprezível e outros tantos qualificativos que os leitores queiram dar.
Os que assim agiram certamente têm personalidade deformada, provavelmente sexualidade não realizada como diria Freud, e devem correr para trás das saias da mamãe quando acuados. Possivelmente têm massa fecal no lugar da encefálica. São os piores covardes, pois agem por trás, na escuridão, falam o que querem sem identificação e têm certeza(?) de que ficarão impunes. Não ficarão e o antídoto que provarão será amargo. Além das consequências penais e cíveis, receberão a repulsa da verdadeira torcida coritibana.
E se ninguém, por menos qualificado que seja, ou por pior que seja sua conduta pode merecer receber ameaças anônimas, muito menos um homem público da postura, dignidade, altivez e competência do presidente Vilson. Ainda mais quando passa por um momento pessoal difícil, enfrentando grave problema de saúde que levaria qualquer outro menos forte a ter justificativa para abandonar o barco, o qual assumiu já padecendo da doença (perdoe presidente, não gostaria de expô-lo assim, mas a situação me pareceu exigir).
Aliás, eu, se pudesse estar em Curitiba, levaria domingo ao estádio uma faixa com dizeres de solidariedade ao presidente Vilson. De qualquer modo, se mereço algum crédito junto aos amigos leitores, faço-lhes um apelo: vamos mostrar ao nosso presidente que repudiamos a conduta desses tresloucados e que estamos solidários com ele. Seja qual for o meio utilizado, cartas a jornais, telefonemas a rádios, comentários aqui nos COXAnautas, etc., mas que ele sinta a força da boa e verdadeira torcida do Coritiba.
E ao presidente, caso leia esta coluna, permita-me uma humilde sugestão. Como nossa legislação penal é branda e o crime de ameaça é de menor potencial ofensivo, levando à aplicação de pena alternativa, caso os autores sejam solventes – ou se menores seus pais o sejam – cobre indenização por danos morais. Sei que o ilustre presidente não precisa e nem a indenização não o satisfará, mas o peso no bolso dos aloprados doerá mais do que uma simples pena alternativa. Depois, bastará doar o valor recebido a uma instituição benemerente, preferentemente que se dedique à recuperação de jovens delinquentes.
Receba, presidente, a minha solidariedade e, tenho certeza, de toda a torcida do Coritiba,
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Felipe Rauen
Os amigos leitores conhecem a moderação que tento dar aos meus textos, salvo quando são fundamentais ironias em relação aos rubros e ao clube das fusões. Se tal moderação é fruto da formação profissional, da personalidade ou da idade não sei, mas sempre procuro ponderar bem o que lanço aqui, ciente que estou da força e do alcance dos COXAnautas entre a torcida do Coritiba (já soube de coluna com mais de 10.000 acessos).
Faço elogios, quando merecidos, como se pode ver da última coluna (Hora da torcida que nunca abandona) e críticas, quando necessárias, conforme, por exemplo, a coluna intitulada “Analgésico tira a dor, não cura o doente”, de 02 de março último.
Evito, principalmente porque outros colunistas aqui nos COXAnautas e nos demais meios de comunicação o fazem, analisar posturas táticas. Dizer que melhor seria um 4-4-2 do que um 4-3-2-1, ou que deveria ou não “jogar com uma linha de quatro” (até hoje não sei o que é isso), que faltou “adiantar a marcação”, e, suprema sabedoria, que “quando um ala avança ou outro não deve fazê-lo”, não é comigo, já que tem tanta gente especializada no assunto e não convém ingressar em área da qual pouco entendo. Só sei ver quando o time joga bem ou e quando uma atuação individual é boa ou má, ou ainda quando uma modificação feita pelo técnico foi significativa para o resultado.
Estou ciente da má campanha do Coritiba em 2012, não em números, já que no momento está na liderança do returno, mas em convencimento e em apresentações que justifiquem as vitórias e que deem esperança de que possamos ter sólidas performances na Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. Estou ciente também de que o elenco atual está alguns furos abaixo daquele do ano passado. Mesmo assim, tenho procurado ser otimista e incentivador, tanto que propus uma trégua das críticas e principalmente vaias (coluna de 08 de março).
Mas desde ontem, ainda que em razão de um jogo que não vi, mas somando tudo o que tenho visto desde o início do ano, passei de otimista/cauteloso para realista/esperançoso. Transitei ontem por duas emissoras que transmitiram a partida e o que ouvi me deu arrepios. Jonas errando os cruzamentos, Lincoln preferindo forçar faltas em lugar de ganhar as jogadas, Anderson Aquino mais uma vez omisso, Caio Vinícius, segundo um narrador necessitando ser apresentado à bola e, suprema decepção, o garoto Rafael Silva, que me encantara nos dez ou quinze minutos que participou do jogo contra o Rio Branco, nem sequer teria se esforçado (nas palavras de outro narrador, corria como um cinquentão corre ao final da tarde no Parque Barigui). E o adversário era o ASA de Arapicara (alguém sabe alguma coisa sobre Arapiraca?). Como será quando jogarmos contra o Cruzeiro, Internacional, Santos e outros tantos?
Na verdade, meu otimismo cauteloso até agora era ditado muito mais pelo coração do que pela razão e pela ideia de que o pensamento positivo e otimista leva a mais resultados do que o negativismo. Mas agora, ainda que não desprezando a equipe e nem desconsiderando que mesmo aos trancos somos líderes do returno do estadual, passo a dizer que sou um realista esperançoso, não mais um otimista. Não temos um time bom, esta é a verdade. Repito, não sou derrotista, pessimista e nem daqueles que têm quase que um prazer em se manifestar nos momentos de crise. Pelo contrário, sempre fui ufanista, orgulho-me da história do meu clube e o defendo perante os estranhos em qualquer circunstância. Mas aqui entre nós, coritibanos, há que mostrar a realidade e principalmente a perspectiva ruim que se anuncia como provável se nada for mudado.
Das contratações efetuadas a partir do desmanche do time de 2012, nenhuma pode ser denominada de “reforço” e nem de “reposição”, a não ser se por reposição se entenda quantidade. Marcos Aurélio não queria mais jogar, é verdade, e no Internacional está mostrando a mesma preguiça e nem no banco fica. Leandro Donizete está próximo do final de carreira e apelou que o liberassem para fazer um pé-de-meia, tudo bem. Davi se foi em face, dizem, de uma proposta irrecusável. Léo Gago, que está fazendo sucesso e gols no Grêmio, foi mandado embora por alegado mau comportamento. Mas quem trouxemos para os seus lugares? Júnior Urso, Everton Ribeiro, Lincoln, Renan Oliveira, Everton Costa e Marcel. Dá para comparar e chamar de “reposição”, já que de “reforço” nem pensar?
Continuo confiando no sereno e diligente comando do presidente Vilson Andrade, mas espero que ele esteja vendo a realidade e, dentro do seu estilo de discrição, se movimentando para mudar. E mudar radicalmente Do contrário, poderemos até acidentalmente sermos tricampeões estaduais, mas logo ali adiante voltaremos a fracassar em nível nacional.
Dois fatos e um pedido, para encerrar:
Primeiro fato:
Em 2010, quando voltamos à primeira divisão, em reunião da direção da associação da qual eu era vice-presidente, a Ajuris, Associação dos Juízes do RGS, o presidente abriu os trabalhos consignando em ata cumprimentos a mim e ao meu clube pelo sucesso. Depois, sem registrar em ata, disse que esperava que não ficássemos no sobe-e-desce que vinha acontecendo há algum tempo, ao que respondi que não temesse pois outros eram os tempos. Espero ter acertado e não passar a vergonha de ser cobrado pelos amigos gaúchos.
Segundo fato:
Nos anos 1970, corria a notícia, não sei se fato ou lenda, no sentido de que o presidente Evangelino e a torcida não aceitavam um jogador que era frequentemente escalado por ser o preferido por um teimoso treinador. Evangelino, matreiro que era, teria chamado o médico do clube e dito a ele em relação ao tal jogador: “na primeira queixa de dor que tiver, engessa e diz que a recuperação será demorada”. Assim aconteceu e o time se livrou do “preferido”, passando a jogar melhor. Quem souber do fato ou da lenda, poderá confirmar.
A lembrança me vem à mente sempre que vejo em campo Everton Ribeiro, Eltinho e outros que vocês possam apontar. Haja gesso.
Pedido:
Mesmo com o que está ocorrendo, apelo aos amigos para que domingo deem força ao time, incetivem e não vaiem. Se o resultado for negativo, ao final do jogo a vaia já não será um desestímulo mas um direito.
Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.
Ou entre em contato com este blog através do e-mail boladecouro@coxanautas.com.br.
Felipe Rauen
Tenho vários amigos virtuais, com os quais só troquei e-mails ou mensagens via celular, mas isso foi suficiente para que se firmasse amizade sólida entre nós, inclusive aqui nos COXAnautas. Não os conheço pessoalmente, mas pelas ações que tomam, pelo que dizem ou escrevem, muito sei deles e, imagino, sabem de mim. Penso que muitos dos amigos leitores também os têm nestes tempos em que o mundo é uma aldeia global virtual.
A um desses meus amigos devo muito.
Há pouco mais de dois anos ele me tirou de uma das situações mais difíceis pelas quais passei, quando acontecimentos para os quais não concorri, mas que repercutiram em mim, fizeram com que me sentisse sozinho, deprimido, débil e temendo perder tudo o que havia conquistado até então.
Fui injuriado, difamado e caluniado em todo o país e até no exterior. Ninguém me dava crédito e, pior, me puniram com um rigor excessivo, não me deixando frequentar o meu lar por um longo período, tudo por um erro para o qual, repito, não concorri. O episódio me envergonhou, mas só ele, pois no mais minha vida era e é de um passado honrado e glorioso do qual sempre me orgulhei.
Foi então que esse amigo – de cuja existência nem sequer sabia até então - apareceu e estendeu-me sua mão forte. Quase que sozinho, ainda que contando com alguns abnegados, mas que inicialmente só atuaram porque unidos sob sua liderança, disse-me como que: “Deixa comigo”.
Tomou minha causa em suas mãos, tratou minhas feridas, restabeleceu minha saúde, procurou organizar minhas finanças, trouxe-me conquistas, enfim, me devolveu a alegria e o orgulho de ser quem eu sempre fui.
Não o conhecia até o dia em que agradeci virtualmente o que fez por mim, e ainda não nos conhecemos pessoalmente. Trocamos algumas mensagens eletrônicas e nada mais. Ele trabalhando por mim e eu torcendo pelo sucesso dele, pois consequência direta será o meu sucesso.
Pois bem, meu amigo assim agiu mesmo enfrentando grave problema pessoal, parecendo que decidiu tratar dos outros ao mesmo tempo em que trata de si. Dar aos outros, ainda que a milhares e milhares de desconhecidos, o que de melhor tinha em favor do bem comum. Claro que sem descurar do seu problema, afinal antes de tudo é um ser humano e tem uma família a cercá-lo e que talvez até o queira só para ela.
Atitude que só os grandes homens podem ter. Os pequenos, ou melhor dizendo o comum dos homens (quantos não seríamos assim, não sei se eu também não) quando um grave problema os assola tratam de se entregar à depressão, esperando que todos manifestem piedade e ajam por ele, ou que um milagre mude tudo. Se lutam, é por si próprio.
Mas meu amigo, embora não se apequene, embora não leve a público seu problema, ainda que não abandone tudo para pedir compreensão, precisa muito da minha força e a de todos vocês.
Por isso peço a quem tem fé e professa alguma religião, que faça preces ou oferendas, ou o que sua prática religiosa recomendar, tudo em favor dele. A quem não tem fé ou religião, que faça como no verso de Renato Teixeira em “Romaria” imortalizado por Elis Regina: “como não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar”.
Assim, meu – e nosso – amigo sentirá a força de uma nação, aquela que se ufana de que nunca abandona, e encontrará mais forças para superar o difícil momento que enfrenta e estar do nosso lado ou à nossa frente por ainda muito tempo.
Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.
Ou entre em contato com este blog através do e-mail boladecouro@coxanautas.com.br.
Felipe Rauen
Ontem, ao ver nosso terceiro gol no jogo contra o Paranavaí, e refletindo sobre o que comentar na coluna desta semana, lembrei que já homenageei a alguns jogadores do Coritiba, dando-lhes o título do texto, mas ainda não havia dito algo mais expressivo em relação ao Emerson.
Digo que a lembrança veio quando do terceiro gol, pois mais uma vez Emerson marcou, não porque Lincoln “colocou” a bola em sua cabeça, como referido por um dos jornais curitibanos, mas sim porque ele foi buscar a bola. Para quem não lembra, se puderem revejam o lance, Emerson está marcado e, quando a bola é levantada, sai rapidamente ao encontro dela, deixando os marcadores para trás e cabeceando praticamente sozinho. E assim tem sido em quase todos os seus gols. Fica por ali naquele empurra-empurra, se fazendo de morto, mas quando a bola é levantada parece que advinha onde vai cair e a busca escapando dos marcadores. É sua marca registrada quando vai à frente aguardar cruzamentos.
Além do mais, desde o ano passado é o nosso atleta mais regular, dificilmente compromete e não lembro tê-lo visto jogar mal, ainda que nem sempre seja excepcional. Nós, torcedores sempre passionais (torcedor passional é quase um pleonasmo), temos o mau vezo de “bater” nos que comprometem, esquecendo de louvar os que se mostram regulares como é o caso do Emerson. Além do mais, da expressão facial do Emerson a cada gol que o Coritiba faz, seja dele ou dos outros, é fácil constatar que gosta do clube, que está se sentindo em casa. Não só vibra como se mostra radiante.
Emerson está ingressando na história do Coritiba, e provavelmente daqui a alguns anos será lembrado tal como hoje são Nico, Fedato, Oberdan e outros poucos. A ele, a homenagem da coluna.
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Há alguns dias, questionado por um jornal sobre se a novel camisa preta estaria influenciando más apresentações do Coritiba, o Vice-Presidente Ernesto Pedroso Jr. disse que “camisa não ganha jogo, o que ganha é raça, treinamento, disposição, vontade”.
Tem razão o ilustre dirigente na sua afirmação, mas só em parte, pois se esqueceu de incluir como itens fundamentais para o sucesso de uma equipe de futebol também a “qualidade técnica, individual e coletiva”. Raça, vontade e disposição – quase que sinônimos (olha o pleonasmo por ai de novo), são muito importantes. Mas sem bons jogadores, sem qualidade técnica individual e sem bom comando técnico é possível apenas vencer alguns jogos aqui e ali, mas não se chega longe. É certo que o futebol é emocionante por não ser previsível, e muitas vezes equipes menos qualificadas se impõem ante as que o são mais pela disposição. Mas isso é exceção e vigora temporariamente. Se fossem somente aqueles indicados pelo dr. Pedroso os atributos necessários para ser uma equipe vencedora, quantos dos leitores COXAnautas jovens e com boas condições físicas não se habilitariam a defender o Coritiba? Afinal, vontade, disposição e raça não devem faltar à maioria dos torcedores.
Queremos elenco dedicado, sem dúvida, mas o queremos também qualificado, individual e coletivamente.
A propósito. Muito feio o uniforme todo preto.
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Os amigos que me distinguem com a leitura sabem que não sou nem tanto ao mar e nem tanto à terra em relação ao técnico Marcelo Oliveira. Tenho-o como um bom treinador – apenas bom, não ótimo e nem excelente – que em muitas vezes acerta, como ocorreu na mudança tática de ontem, mas em outras tantas erra.
E os erros, embora possam ser vistos por mais de uma perspectiva, no meu entender têm um componente a ser destacado, qual seja o aparente comprometimento do Marcelo Oliveira com a fidelidade a alguns jogadores de cuja escolha ele participou. Sabemos que no Coritiba as contratações são decididas por um grupo do qual participam o Felipe Ximenes e o presidente Vilson, pelo menos. Mas duvido que alguma das contratações efetuadas após a saída do Ney Franco tenha sido feita sem a indicação ou aprovação do Marcelo Oliveira.
Muito bem, acompanhem-me.
Como indicou ou aprovou tais contratações, em relação àquelas que não deram certo constantemente está ele tentando provar que não errou, fazendo com que joguem os indicados, sempre na esperança de que acertem, ainda que mais do que provadas suas carências e mesmo que as suas participações nos jogos venham em prejuízo da equipe. É o caso, por exemplo, dos Evértons, assim como do Marcel, estes os mais escancarados. E parece também que Marcelo Oliveira, pelo seu temperamento conciliador e pacífico, e pelos vínculos que criou pelo tempo em que está no clube, não quer “queimar” a carreira de algum jogador, como é o caso do Eltinho, embora, ao que ao que lembro é contratação anterior. Ontem, me dirão, ele ajudou na virada do jogo. Concordo. Mas o adversário era uma equipe de segunda linha. E quando enfrentarmos os times da série A? Eltinho poderá ter vez no time? Lembrem-se dos 4 x 3 do São Paulo contra nós no ano passado.
Marcelo Oliveira deve se despreocupar em tentar demonstrar que acertou na indicação ou aprovação de atletas que comprovadamente não deram certo, bem como não insistir em tentar “salvar” a carreira dos mesmos. É normal que alguns indicados se encaixem e outros decepcionem. Acertou em algumas indicações ou aprovações e errou em outras, isso é normal, é da vida. Quem é ou foi dirigente de empresa ou repartição pública e lida ou lidou com empregados ou funcionários, sabe perfeitamente que para o bem da entidade é necessário deixar o coração de lado, dando primazia à razão.
Deixe que, no conflito entre a razão e o coração, este prevaleça entre nós, torcedores. No comando técnico, porém, que se inverta a prioridade. Sem abandonar o coração e a emoção, que se dê preferência à razão e ao bem coletivo. É a visão e revisão de conceitos que espero do Marcelo Oliveira em alguns tópicos de sua atuação.
Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.
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